Fazem com você o que você fez conosco; mas nem assim, Dilma…

Hoje você se rebaixou a inaugurar a mais nefasta das obras do governo petista, aquela que manchou a imagem do Brasil em todo o mundo. Uma iniciativa que você herdou das mesmas mentes doentias que te torturaram na prisão.
Publicado em 05 de maio de 2016
Movimento Xingu Vivo para Sempre
xingu vivoDilma

Hoje você veio até o nosso rio Xingu inaugurar Belo Monte, nosso maior pesadelo. Você veio nesses tempos em que tanto se fala de violação do Estado Democrático, dizer que tem imenso orgulho das escolhas que fez, entre elas a construção desta usina.

Você nunca nos ouviu e nunca nos compreendeu, e nós, que sabíamos de motivos outros para esta sua escolha, muito diversos do “Bem do País”, hoje não te compreendemos.

Você veio ao nosso território inaugurar uma obra corrupta em sua raiz. Uma obra que enriqueceu de forma criminosa seus ex-aliados (e hoje inimigos). Você vendeu caro as nossas vidas para canalhas que hoje cospem nos pratos de porcelana chinesa em que comeram o que você lhes serviu, enquanto nós começávamos a passar fome e frio. Que tipo de pessoas sente imenso orgulho de algo assim?

Hoje você disse “eu sou vítima de uma injustiça”, e reclamou de ritos ilegais que te atingem; mas você tratou com escarnio dezenas de processos jurídicos contra Belo Monte, inclusive na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, a quem você apelou quando se sentiu ameaçada em seu poder. Você fala em golpe do Congresso contra a sua pessoa, mas fez com que todas as nossas frágeis possibilidades de defesa no Judiciário fossem anuladas por meio da AGU, via nefastas Suspensões de Segurança. Entre você e nós, não temos dúvida de quem foi mais privado de Justiça.

Hoje você sobrevoou nosso rio, Dilma, mas obviamente não viu e cheirou a podridão das centenas de toneladas de peixes mortos que a sua usina produz diariamente, e que geraram multa milionária à sua Norte Energia. Não se importando, você se atreve a falar tolices sobre preservação do meio ambiente.

Você também falou em crescimento e prosperidade; e convidou a pior espécie de empreendimentos – as mineradoras – a se instalarem nos nossos quintais, prometendo-lhes generosamente condições adequadas e energia. Nem lhe molestou o fato de que já sofremos com a mineradora canadense Belo Sun, que tenta nos arrancar o que restou de território e rio para fazer a maior mina de ouro a céu aberto do país na Volta Grande do Xingu.

Mas em que se baseia seu discurso otimista, Dilma? Por acaso não lhe parece relevante que o próprio BNDES declarou Belo Monte inviável economicamente? Não lhe parece importante o fato de que esta usina maldita só será concluída se a Eletrobrás comprar a própria energia a preços exorbitantemente mais altos do que os de mercado?

Ao nosso ver, hoje você se rebaixou a inaugurar a mais nefasta das obras do governo petista, aquela que manchou a imagem do Brasil em todo o mundo. Uma iniciativa que você herdou das mesmas mentes doentias que te torturaram na prisão. Nem assim, Dilma, você se dispôs a mostrar clemencia com a nossa dor. Nem no momento em que você sente na pele o que é ser estraçalhada por forças maiores do que você, forças que não têm o menor apreço pela justiça ou pelas leis, você foi capaz de ter empatia conosco. Nem assim, Dilma…

Que os Encantados tenham piedade de nós, porque você nunca foi capaz

Altamira, 05 de maio de 2016

Xingu Vivo para Sempre

P.S.
Aproveitamos esta carta à Dilma para tornar público o nosso repúdio e a nossa indignação com o grupo que, representado pelo senhor João Batista Uchoa, coordenador geral da Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP), se arvorou o direito de adular o “Belo Monte de governo” em nome da sociedade civil de Altamira. Não sabemos se este senhor, que fez seu discurso lamentável no palco de Dilma, realmente falou em nome da Frente Brasil Popular, do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), da CUT e da Contag, como afirmou. Respeitamos quem se oponha ao golpe porque respeitamos as liberdades democráticas de qualquer cidadão ou organização. Mas não respeitamos puxa-sacos do governo num ato de inauguração deste feito horrendo que é Belo Monte. Alguns setores foram beneficiados por políticas públicas? Ora, este é nosso DIREITO. Nada tem a ver com Belo Monte! Política pública é DIREITO, não propina. Enaltecer um projeto que arrancou o chão de tantas pessoas é baixo, muito baixo!

belo monte

Cronologia aponta massacre de trabalhadores rurais em Quedas do Iguaçu: Polícia Militar emboscou e atirou para matar

25/04/16, Terra de Direitos

araupel

 

O ataque promovido pela Polícia Militar a trabalhadores rurais sem terra, no último dia 7, em Quedas do Iguaçu/PR, é  contado em cronologia construída a partir da coleta de depoimentos das vítimas. As falas revelam que trabalhadores sem terra foram vítimas de massacre – em emboscada, Polícia Militar atirou para matar. Dois trabalhadores foram mortos e outros dois ficaram gravemente feridos.

A cronologia dos fatos aponta para irregularidades na investigação da Polícia Militar e vai contra a versão apresentada pela polícia. Esse é o terceiro caso de assassinato de trabalhadores rurais sem terra com a participação da Polícia Militar do Paraná. Até o momento, mentores e executores dos crimes anteriores não foram punidos.

Ver cronologia

Trabalhadores Sem Terra foram vítimas de massacre no Paraná

Polícia Militar emboscou e atirou para matar

Em 7 de abril de 2016, a dez dias do vigésimo aniversário do massacre de Eldorado dos Carajás, a Polícia Militar do Estado do Paraná assassinou a tiros de pistola e fuzil os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Vilmar Bordim, 44 anos, casado, pai de três filhos e Leonir Orback, 25 anos, que deixou dois filhos e a esposa grávida aos nove meses. A Polícia Militar também feriu a tiros, gravemente, outros dois integrantes do MST, Pedro Francelino e Henrique Gustavo Souza Pratti.

No mesmo dia, a Polícia Militar tratou de apresentar uma versão para os fatos, indicando que os responsáveis pela ação seriam os integrantes do MST. Na versão contada pela PM, os trabalhadores teriam “atirado para o alto”, como se tal fato justificasse a ação truculenta e desmedida da Polícia Militar do Estado do Paraná, no que se configura uma verdadeiro massacre.

A versão montada pela Policia Militar foi veiculada amplamente durante o Jornal Nacional. A divulgação serviria para referendar uma versão inverídica dos fatos, de modo a culpar o MST e inocentar os policiais assassinos.

Contudo, o avanço de investigações imparciais conduzidas pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desmontam a versão apresentada pela Polícia Militar, e indicam que os trabalhadores sem terra foram vítimas de agressões injustificáveis. Não houve qualquer situação que autorizasse a Polícia Militar a atacar a tiros, de forma extremamente violenta, os integrantes do MST.

 

Emboscada armada: sem terras são vítimas.

Desde seis de julho de 2015 cerca de 1.200 famílias de trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra ocupam uma área de cerca de 10.780 hectares, localizada no município de Quedas do Iguaçu.  A área ocupada pertence à União, uma vez que está inserida dentro do perímetro da faixa de fronteira. Entretanto, a empresa Araupel ocupa irregularmente a área, e os supostos títulos de propriedade da Araupel já foram declarados nulos na Justiça Federal, em dezembro de 2015. A ocupação do MST denuncia a grilagem de terras na região, ao tempo em que tem o objetivo de pressionar para que as terras públicas se tornem assentamentos da Reforma Agrária.

Já no início da ocupação, em julho de 2015, os integrantes do MST bloquearam, com terra e pedaços de madeira, uma estrada de terra, dentro da área, que liga os fundos do acampamento à rodovia PR 484. A obstrução dessa estrada de terra foi realizada para evitar a entrada de caçadores, madeireiros ilegais e outras pessoas que pudessem vir a ameaçar os acampados e acampadas.

Na tarde de quinta-feira (07), os integrantes do Acampamento Dom Tomás Balduíno tomaram ciência de que o bloqueio da estrada de terra havia sido retirado por alguém, estando à estrada desimpedida, possibilitando a entrada de quaisquer pessoas pelos fundos do acampamento. Diante de tal situação um grupo de integrantes do acampamento se reuniu para verificar a informação de que a estrada teria sido aberta para, se necessário, fechá-la novamente.

Munidos de garrafas de água, enxadas, foices e facões – suas ferramentas de trabalho – aproximadamente 40 pessoas, entre homens e mulheres, se dirigiram ao local. O grupo era transportado por três motos, à frente, seguidas por uma caminhonete e um ônibus onde estava um grupo maior, de aproximadamente 15 pessoas.

A estrada por onde seguiam é rodeada por monocultura de Pinus, e apresenta em suas margens, e mesmo na via, mato crescido, uma vez que essa estrada não é utilizada com regularidade. Um dos motoqueiros do comboio de trabalhadores se distanciou do restante do grupo cerca de cem metros e, em uma curva da estrada, foi abordado, de forma repentina, por um grupo de aproximadamente dez Policiais Militares. Os Policiais mandaram o trabalhador descer da moto e caminhar até eles de costas, com as mãos na cabeça, ordem à qual obedeceu prontamente.

Os policiais revistaram o trabalhador e encontraram apenas sua carteira e um telefone celular. Em seguida, os Policiais Militares ouviram o som dos motores dos outros veículos, momento em que puxaram o rapaz para o canto da estrada e se embrenharam no mato. Os Policiais Militares, armados de pistolas e fuzis, bem com munidos de escudos balísticos, se entocaiaram no mato, à beira da estrada, de modo a esperar e surpreender os integrantes do MST que vinham em direção a eles.

Quando os outros dois motoqueiros chegaram à curva da estrada em que a polícia os esperava de tocaia, os Militares, fortemente armados, saltaram do mato e gritaram, de modo a obrigar os integrantes do MST que estavam nas motos a deitar no chão. Nesse mesmo momento uma caminhonete com integrantes do MST se aproximou do local e parou bruscamente, uma vez que o motorista da caminhonete viu, há cerca de 60 metros, que os integrantes do MST que estavam nas motos haviam descido delas.

disparos

Assim que a caminhonete parou os integrantes do movimento que estavam dentro dela, na caçamba e na cabine, desceram do veículo. No momento em que os trabalhadores desciam da caminhonete, praticamente no mesmo instante que os outros dois trabalhadores desciam de suas motos, a Polícia Militar começou a disparar em direção à caminhonete. Segundo a própria Polícia Militar realizaram-se cerca de 130 disparos de armas de fogo, entre rajadas de fuzil e tiros de pistola ponto 40.

Iniciado o ataque pela Polícia Militar, aqueles e aquelas que estavam na parte de cima da caminhonete conseguem descer, e imediatamente correm na direção oposta à dos tiros, avisando os demais companheiros que se tratava de uma emboscada. As pessoas que estavam no interior da cabine têm mais dificuldade para fugir.Vilmar Bordim, que estava dirigindo a caminhonete, é atingido fatalmente com um tiro nas costas logo ao sair do veículo. Leonir Orback, que estava sentado atrás do motorista, ao tentar fugir também recebe um tiro pelas costas.

Henrique Gustavo Souza Pratti estava em cima da caminhonete, e ao tentar fugir para se esconder recebeu um tiro que o atingiu por trás, na perna, derrubando-o imediatamente no chão. Henrique conta que quando estava caído viu um de seus companheiros ser atingido pelas costas.

“Eu caí, e ai vinha um pessoal correndo que conseguiu passar por trás do ônibus e ir embora, e o rapaz que estava correndo levou um tiro e caiu ali do lado, que foi um dos que morreram”, conta.

As pessoas que estavam no ônibus, ao ouvirem os tiros, também correram para o mato –  algumas pularam a janela para conseguir se salvar. Duas pessoas não conseguiram sair do ônibus e ficaram ali se escondendo dos disparos.

Segundo Pratti, a polícia avançou, a tiros, até o local onde eles estavam caídos. Assim que os Policiais Militares chegaram ao local em que se encontravam as pessoas vítimas dos disparos, um grupo de policiais ficou na área e outro foi chamar reforços. A polícia não socorreu as vítimas imediatamente, e estas ficaram no local por cerca de uma hora e vinte minutos, até chegar a ambulância para socorrê-los.

Pedro Francelino, que foi atingido na nádega e no braço ao tentar fugir, também caiu em meio ao mato, e não consegui se levantar pelos ferimentos das balas. “O rapaz que estava machucado que caiu no mato, eles falavam ‘vem para a estrada’, mas ele dizia que não podia, pois estava machucado, baleado. Ele se agarrou em alguma árvore e veio, aí eles o revistaram para ver se não havia nem uma arma”, diz Prati quanto à situação vivida por Pedro.

 

Momentos de tensão: polícia e ameaças

Segundo Pratti, os momentos que passaram no local esperando pelo SAMU foram tensos, pois as ameaças eram constantes – sem contar que ele e o outro rapaz ferido perderam bastante sangue durante a espera.

“Foi uma pressão psicológica que eu nunca tinha visto na minha vida, que eu nunca tinha sofrido. Ameaça de morte o tempo inteiro, que se o pessoal voltasse de lá eles iam passar fogo em mim, nos dois que estavam no ônibus e no outro rapaz que estava machucado”.

Até a chegada do socorro os policiais militares mexeram na cena do crime, tiraram o ônibus e a camionete do lugar, e retiraram os dois corpos, de Vilmar Bordin e Leonir Orback, das posições em que estavam.

Na sexta-feira (8), um dia após o acontecido, a Polícia Civil levou a caminhonete para a perícia. O ônibus e as motos, porém, não foram levados.

 

Vítimas foram presas. Policiais assassinos foram soltos.

As duas pessoas que não conseguiram sair a tempo do ônibus foram levadas à delegacia, prestaram depoimento e foram soltas na mesma noite. Henrique Gustavo Souza Pratti e Pedro Francelino, devido à gravidade dos ferimentos, foram levados a hospitais do município de Cascavel, PR.

Os dois feridos foram autuados em flagrante pela Delegada de Policia Civil, Ana Karine Turbay Palodetto, por suposta tentativa de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo. O Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, pedido ao qual atendeu prontamente a juíza responsável, sob a alegação de constituírem, Pedro e Henrique, ainda que gravemente feridos, perigo à ordem pública.

Destaca-se que a Polícia Militar, autora do massacre, diz que foram supostamente encontradas duas armas de fogo no local, e que estas estavam com Vilmar Bordin e Leonir Orback. Segundo laudo da própria policia, as duas armas se encontram com os cartuchos intactos, ou seja, não foram disparadas. Não foram encontradas outras armas de fogo.

Com isso, não há indícios de que Henrique e Pedro estivessem portando qualquer arma de fogo. Se até os Policiais Militares que participaram do massacre não acusaram os dois trabalhadores de disparar ou mesmo de estar com alguma arma, por que as vítimas, hospitalizadas, foram presas?

No período em que Pedro e Henrique estiveram presos no hospital, seus advogados foram impedidos, por seis dias, de terem com eles conversas reservadas, o que constitui grave violação à lei n° 8.906/94.

E as ilegalidades não param por aí. De forma completamente arbitrária, Pedro Francelino foi ouvido pela Delegada Ane Karine sem a presença de seus advogados, logo após haver sido submetido a uma cirurgia e uma transfusão de sangue, quando ainda estava sob efeito de sedativos e psicologicamente abalado com o ocorrido. Como se não bastasse, o áudio desse depoimento colhido ilegalmente vazou, e uma parte recortada da gravação foi reproduzida no Jornal Nacional.

Henrique teve alta na terça-feira, dia 12, e foi levado para a 15° Subdivisão Policial de Cascavel, que não possui condições estruturais mínimas para o atendimento das recomendações médicas necessárias para sua recuperação, conforme alegou o próprio delegado de Polícia Mario Chofifi, em ofício encaminhado ao Juízo de Quedas do Iguaçu. No dia seguinte, os advogados, apoiados por parecer do Ministério Público, apresentam pedido de conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar, atendido de pronto pela juíza responsável.

Pedro Francelino recebeu alta na quinta-feira (14), um dia após realizar uma última cirurgia no braço, sendo que também foi encaminhado para a 15ª SDP de Cascavel. Avaliando que, da mesma forma que Henrique, as condições de saúde de Pedro também não o permitiam permanecer na cadeia, os advogados de defesa entraram com um pedido de prisão domiciliar que foi atendido na segunda-feira (18).

Tanto Henrique quanto Pedro estão presos por homicídio qualificado e porte ilegal de arma. Para os advogados, não existe fundamento legal para as prisões, pois os integrantes do MST foram vítimas de um ataque.

Ainda na quinta-feira (14), nove pessoas ligadas ao movimento, que estavam presentes na hora do ataque, foram ouvidas pela Polícia Federal e Ministério Público, no município de Cascavel. Os depoimentos foram acompanhados pelos advogados da Terra de Direitos.

A Polícia Civil finalizou o Inquérito Policial no dia 15 de abril. A delegada Ane Karine, que presidiu o Inquérito, afirmou não haver provas suficientes para concluir quem iniciou os disparos. O Inquérito foi encaminhado para o Ministério Público, que deve devolvê-lo à Polícia Civil concedendo mais prazo para realizar as investigações. Outras duas investigações foram abertas no âmbito do GAECO e da Polícia Federal.

 

O passado condena a Polícia Militar do Estado do Paraná: violência e impunidade contra o MST

Nos últimos anos foram assassinados, a tiros e em conflitos coletivos pela posse da terra rural, dezessete integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Estado do Paraná.[1] Apenas nos casos dos assassinatos de Sebastião Camargo (1998) e Eduardo Anghinoni (1999) houve responsabilização penal com trânsito em julgado, sem que, contudo, fosse possível responsabilizar mandantes.

Quanto aos casos de assassinatos de integrantes do MST, cumpre relembrar que Diniz Bento da Silva (1993) e Antônio Tavares Pereira (2000) foram assassinados a tiros pela Polícia Militar do Estado do Paraná, e até o momento não foi possível identificar e responsabilizar criminalmente executores e mandantes dos crimes.

Nesse contexto de impunidade o Estado brasileiro foi condenado na Corte Interamericana e Direitos Humanos por ausência de investigação eficaz e responsabilização criminal pelo homicídio do trabalhador rural sem terra Sétimo Garibaldi (1998), tendo a referida Corte sentenciado que “uma das formas mais relevantes para combater a situação de impunidade em casos como o presente é investigar a atuação dos agentes estatais envolvidos”, bem como que a ausência de combate à violência “propicia a repetição crônica”.

Ademais no ano de 2009 o Estado brasileiro foi condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos por ter a Polícia Militar do Estado do Paraná, com anuência do Poder Judiciário, realizado escutas telefônicas ilegais contra membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Nesse mesmo contexto de impunidade a Comissão Interamericana de Direitos Humanos recomendou ao Estado brasileiro, nos casos dos assassinatos de Diniz Bento da Silva (1993) e Sebastião Camargo (1998), dando conta da situação de impunidade relativas aos crimes cometidos contra integrante do MST no estado do Paraná, a realização de investigações efetivas, as quais nunca se materializaram efetivamente.

Espera-se que o massacre de Quedas do Iguaçu não tenha o mesmo desfecho de impunidade. A atuação da Polícia Federal e do Gaeco tem o potencial de apresentar a verdade sobre os fatos ocorridos, restabelecendo a verdade sobre os fatos e possibilitando a punição dos Policiais Militares.

cronologia

[1] Desde 1993 foram assassinados no estado do Paraná: 1-Diniz Bento da Silva (1993); 2-Vanderlei das Neves (1997); 3-José Alves dos Santos (1997) 4-Sebastião Camargo (1998); 5-Sétimo Garibaldi (1998); 6-Eduardo Anghinoni (1999); 7-Sebastião da Maia (2000) 8-Antônio Tavares (2000); 9-Paulo Sérgio Brasil (2003), 10-Anarolino Vial (2003); 11-Dogival José Viana (2003); 12-Elias de Meura (2004);  13-Eduardo Moreira da Silva (2004); 14- Valmir Mota de Oliveira (2007); 15- Eli Dallenol (2008) 16-Vilmar Bordim(2016) e 17-Leomar Bhorbak (2016)

CARTA À PREFEITURA DE MANDIRITUBA DIANTE DOS GRAVES FATOS OCORRIDOS NO FAXINAL ESPIGÃO DAS ANTAS (MANDIRITUBA-PARANÁ)

DSC_0170Nos dias 28 e 29 de março a Prefeitura de Mandirituba arrancou mata-burros no faxinal Espigão das Antas sem consultar a comunidade. O mata-burro serve para evitar que os animais criados à solta dentro do faxinal saiam para as lavouras, o que cria enormes prejuízos e risco de acidentes nas estradas próximas. O mata-burro faz parte do faxinal, território tradicionalmente ocupado pelos faxinalenses, e mantém seus limites e seus costumes. Nesse sentido, o ato da Prefeitura de Mandirituba arrancando os mata-burros significa ferir os direitos dos faxinalenses das comunidades de Espigão das Antas, Meleiro e Pedra Preta (três comunidades, mas um só criadouro comunitário) que se autodefiniram como comunidade tradicional em 2010, atestada em declaração emitida pelo Instituto de Terras, Cartografia e Geodésia do Paraná (ITCG).

São direitos reconhecidos internacionalmente, através da Convenção 169 da Organização Mundial do Trabalho sobre povos indígenas e tribais, nacionalmente, por meio do Decreto 6.040 que institui a Política Nacional de Povos e Comunidades ou estadualmente, mediante a Lei Estadual 15.673 que reconhece os faxinais e sua territorialidade (como amplamente apontado na carta em anexo onde os faxinalenses denunciam o ato da Prefeitura de Mandirituba).

Diante de tão graves fatos, solicitamos que a Prefeitura de Mandirituba se reúna com urgência com as comunidades faxinalenses para evitar que os prejuízos às mesmas continuem e exista uma real intenção de respeitar seu território e sua forma de vida, como o conjunto de leis mencionado exige.

Mas não se trata apenas de respeitar a lei, os faxinalenses têm sido sujeitos fundamentais para a preservação da natureza, mantendo a diversidade de fauna e flora do Estado do Paraná, são reconhecidos pela sua luta em manter tradições, modos de vida e em conseguir que o mal chamado desenvolvimento não desmate e contamine para benefício de poucos, por todos esses motivos demandamos que a Prefeitura de Mandirituba acabe com as continuas retaliações às comunidades faxinalenses de seu município e veja nelas a parceria necessária para promover formas de viver com mais qualidade e menos impactos.

Apoiam:

  1. Coletivo ENCONTTRA, Departamento de Geografia, Universidade Federal do Paraná
  2. Centro de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (CEPEDIS), Pontifícia Universidade Católica
  3. Laboratório de Análises Territoriais Campo-Cidade (LATEC), Departamento de Geografia, Universidade Estadual de Londrina
  4. Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT), Universidade Estadual de São Paulo
  5. Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Local de Marechal Cândido Rondon (AGB-MCR)
  6. GEOLUTAS/Laboratório e Grupo de Pesquisa de Geografia das Lutas no Campo e na Cidade, Curso de Geografia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná
  7. Laboratório GeoRedes, Departamento de Geografia, Universidade de Brasília
  8. Mestrado em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais – MESPT, Centro de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília
  9. Grupo de Estudos Territoriais, Departamento de Geografia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná
  10. Observatório da Questão Agrária do Paraná
  11. Curso de Tecnologia em Orientação Comunitária, Setor Litoral-Universidade Federal do Paraná
  12. Movimento de Assessoria Jurídica Universitária Popular “Isabel da Silva”, Universidade Federal do Paraná
  13. CEFURIA – Centro de formação Urbano-Rural Irmão Araújo
  14. Equipe da FEIRA AGROECOLÓGICA, Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná /Irati
  15. Grupo de Estudios sobre Ecologia Politica, Comunidades y Derechos, Catedra de Fundamentos de Ecologia Politica, Instituto de Investigaciones Gino Germani – Universidad de Buenos Aires (Argentina)
  16. Grupo de Estudios Rurales y Grupo de Estudios sobre Movimientos Sociales de América Latina Instituto de Investigaciones Gino Germani – Universidad de Buenos Aires (Argentina)
  17. Doctorado en Estudios Sociales Agrarios. Centro de Estudios Avanzados / Facultad de Ciencias Agropecuarias – Universidad Nacional de Córdoba
  18. Programa de Estudios Conflictividad territorial, Crítica al Desarrollo y alternativas Societales. Centro de Investigaciones y Estudios sobre la Cultura y la Sociedad. CONICET – Universidad Nacional de Córdoba
  19. AGB / Curitiba – Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Local Curitiba
  20. Coletivo ENCONTTRA, Departamento de Geografia, Universidade Federal do Paraná
  21. Centro de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (CEPEDIS), Pontifícia Universidade Católica
  22. Laboratório de Análises Territoriais Campo-Cidade (LATEC), Departamento de Geografia, Universidade Estadual de Londrina
  23. Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT), Universidade Estadual de São Paulo
  24. Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Local de Marechal Cândido Rondon (AGB-MCR)
  25. GEOLUTAS/Laboratório e Grupo de Pesquisa de Geografia das Lutas no Campo e na Cidade, Curso de Geografia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná
  26. Laboratório GeoRedes, Departamento de Geografia, Universidade de Brasília
  27. Mestrado em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais – MESPT, Centro de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília
  28. Grupo de Estudos Territoriais, Departamento de Geografia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná
  29. Observatório da Questão Agrária do Paraná
  30. Curso de Tecnologia em Orientação Comunitária, Setor Litoral-Universidade Federal do Paraná
  31. Movimento de Assessoria Jurídica Universitária Popular “Isabel da Silva”, Universidade Federal do Paraná
  32. CEFURIA – Centro de formação Urbano-Rural Irmão Araújo
  33. Equipe da FEIRA AGROECOLÓGICA, Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná /Irati
  34. Grupo de Estudios sobre Ecologia Politica, Comunidades y Derechos, Catedra de Fundamentos de Ecologia Politica, Instituto de Investigaciones Gino Germani – Universidad de Buenos Aires (Argentina)
  35. Grupo de Estudios Rurales y Grupo de Estudios sobre Movimientos Sociales de América Latina Instituto de Investigaciones Gino Germani – Universidad de Buenos Aires (Argentina)
  36. Doctorado en Estudios Sociales Agrarios. Centro de Estudios Avanzados / Facultad de Ciencias Agropecuarias – Universidad Nacional de Córdoba
  37. Programa de Estudios Conflictividad territorial, Crítica al Desarrollo y alternativas Societales. Centro de Investigaciones y Estudios sobre la Cultura y la Sociedad. CONICET – Universidad Nacional de Córdoba
  38. AGB / Curitiba – Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Local Curitiba
  39. Projeto Nova Cartografia Social da Amazonia
  40. Francisco Luciano Concheiro Bórquez, Pós-graduação em Desenvolvimento Rural, Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco (México)
  41. Willian Simões, Departamento de Geografia, Universidade Federal da Fronteira Sul/Chapecó-SC
  42. Carlos Walter Porto-Gonçalves – Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense. Coordenador do Lemto – Laboratório de Estudos de Movimentos Sociais e Territorialidades
  43. Adelita Staniski – Universidade Estadual de Ponte Grossa
  44. Almir Nabozny – Universidade Estadual de Ponte Grossa
  45. Nícolas Floriani – Universidade Estadual de Ponte Grossa
  46. Ben-Hur Demeneck – jornalista
  47. Rodrigo Rossi – Secretaria de Estado de Educação-Paraná
  48. Cecilia Hauresko – Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná/Guarapuava
  49. Dimas Floriani – Prof. Titular Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento/Universidade federal do Paraná
  50. Andrea Tedesco – professora Universidade Estadual de Ponte Grossa
  51. Gustavo Olesko – pesquisador Universidade de São Paulo
  52. André de Souza Fedel – Geógrafo, Educador Popular – CEFURIA
  53. Fernanda Keiko Ikuta, Departamento de Geografia, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Campus de Irati
  54. Anne Geraldi Pimentel – Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Campus de Irati

 

 

PERIFERIAS CONTRA O GOLPE

PERIFERIAS CONTRA

MANIFESTO

“Periferias, vielas, cortiços… Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso”

Nós, moradoras e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui pra mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente!

Nós, que não defendemos e continuamos apontando as contradições do governo petista, que atendeu poucas das nossas demandas reais enquanto se aliou com quem nos explora. Nós, que também nos negamos a caminhar lado a lado de quem representa a Casa Grande.

Nós, periféricas e periféricos, que estamos na luta não é de hoje. Nós, que somos descendentes de Dandara e Zumbi, sobreviventes do massacre de nossos antepassados negros e indígenas, filhas e filhos do Nordeste, das mãos que construíram as grandes metrópoles e criaram os filhos dos senhores.

Nós, que estamos à margem da margem dos direitos sociais: educação, moradia, cultura, saúde.

Nós, que integramos movimentos sociais antes mesmo do nascimento de qualquer partido político na luta pelo básico: luz instalada, água encanada, rua asfaltada e criança matriculada na escola.

Nós, que enchemos laje em mutirão pra garantir nosso teto e conquistar um pedaço de chão, sem acesso à terra tomada por latifundiários e especuladores, que impedem nosso direito à moradia e destroem o meio ambiente e recursos naturais com objetivo de lucro.

Nós, que sacolejamos por três, quatro horas por dia, espremidos no vagão, busão, lotação, enfrentando grandes distâncias entre nossas casas aos centros econômicos, aos centros de lazer, aos centros do mundo.

Nós, que resistimos a cada dia com a arte da gambiarra – criatividade e solidariedade. Nós, que fazemos teatro na represa, cinema na garagem e poesia no ponto de ônibus.

Nós, que adoecemos e padecemos nos prontos-socorros e hospitais sem maca, médico, nem remédio.

Nós, que fortalecemos nossa fé em dias melhores com os irmãos na missa, no culto, no terreiro, com ou sem deus no coração, coerentes na nossa caminhança.

Nós, domésticas, agora com carteira assinada. Nós, camelôs e marreteiros, que trabalhamos sol a sol para tirar nosso sustento. Nós, trabalhadoras e trabalhadores, que continuamos com os mais baixos salários e sentimos na pele a crise econômica, o desemprego e a inflação.

Nós, que entramos nas universidades nos últimos anos, com pé na porta, cabeça erguida, orgulho no peito e perspectivas no horizonte.

Nós, que ocupamos nossas escolas sem merenda nem estrutura para ensinar e aprender. Nós, professoras e professores, que acreditamos na educação pública e não nos calamos e falamos sim de gênero, sexualidade, história africana e história indígena – ainda que tentem nos impedir.

Nós, que somos apontados como problema da sociedade, presas e presos aos 18, 16, 12 anos, como querem os deputados.

Nós, cujos direitos continuam sendo violados pelo Estado, levamos tapa do bandeirante fardado, condenados sem ser julgados, encarcerados, esquecidos, quando não assassinados – e ainda dizem: “menos um bandido”.

Nós, mulheres pretas da mais barata carne do mercado, que sofremos a violência doméstica, trabalhista, obstétrica e judicial, e choramos por filhos e filhas tombados pelo agente do Estado.

Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, homens e mulheres trans, que enfrentamos a a violência e invisibilidade, e não aceitamos que nos coloquem de volta no armário.

Nós, que não aceitamos nossa história contada por uma mídia que não nos representa e lutamos pelo direito à comunicação. Nós, que estamos construindo, com nossa voz, as próprias narrativas: poesia falada, cantada, escrita.

Nós, que sempre estivemos nas ruas, nas redes, nas Câmaras, na cola dos politiqueiros de plantão e que agora somos taxados de terroristas por causa de nossas lutas. Nós, que aprendemos a fazer até leis para continuar lutando por nossos direitos. Nós, que garantimos a duras penas o mínimo de escuta em espaços de poder, não aceitamos dar nem um passo atrás.

Nós, que somos de várias periferias, nos manifestamos contra o golpe contra o atual governo federal promovido por políticos conservadores, empresários sem compromisso com o povo e uma mídia manipuladora.

Não compactuamos com quem vai às ruas de camisa amarela com um discurso de ódio, fascista, argumentando o justo “combate à corrupção” mas motivado por interesses privados. Não compactuamos com quem defende a quebra da legalidade para beneficiar a parcela abonada da população, em troca do enfraquecimento do Estado Democrático de Direito pelo qual nós dos movimentos sociais periféricos lutamos ontem, hoje e continuaremos lutando amanhã.

Nós, que sabemos que a democracia real será efetiva apenas com a ampliação de direitos e conquistas de nosso povo preto, periférico e pobre, a partir da esquerda e de baixo pra cima.

Nós, que conquistamos só uma parte do que sonhamos e temos direito, não admitimos retrocesso. Reivindicar o respeito à soberania das urnas e a manutenção do Estado Democrático de Direito. Reivindicamos as ruas enquanto espaço de diálogo, debate e fazer político, mas nunca como território do ódio. Reivindicamos nossa liberdade de expressão, seja ela ideológica, política ou religiosa. Reivindicamos a desmilitarização das polícias, da política e da vida social. Reivindicamos o avanço das políticas públicas, dos direitos civis e sociais.

Não vai ter golpe. Não vai ter luto. Haverá luta!
:::: Até a manhã de 29/03/2016, mais de 450 coletivos, movimentos, redes e organizações da sociedade civil haviam assinado o manifesto:

#VILAMARUMBICONTRAOGOLPE
A Melhor da Cidade Cia Teatral
A.L.M.A. Associação de Luta por Moradia de Americanopolis
Abayomi Ateliê
Ação Educativa
África Plus Size Brasil
Afro Hooligans
AfroeducAÇÃO
Agencia Popular Solano Trindade
Agenda Preta
AGENDES Agencia de Desenvolvimento Social
Ago Lona
Aláfia
Algodão de Fogo
Aliança de Responsabilidades por Sociedades Sustentáveis
Aliança Negra Posse
AllaCoci
Amigos da Terra Brasil
Anomia Coletivo
APSP – coletivo de gênero
Arebeldia – BH – MG
Arquitetos Sem Fronteiras Brasil
Artesãos de bteailia
Articulação Brasileira de Gays
As 10 Graças de Palhaçaria
Assoc. Moradores Vale dos Canudos
Associação A BANCA
Associação amigos do basquete do Riviera
Associação Beneficente Camargo Novo e Adjacências
Associação Coletivo Cinemateus
Associação Comunitária de Ação Social do Bairro Tupi ASCOMASBT
Associação Cultural CONPOEMA
Associação Cultural Fábrica de Cinema
Associação cultural História em Construção
Associação Cultural José Marti da Baixada Santista
Associação Cultural Literatura no Brasil
Associação de Arte e Cultura Periferia Invisível
Associação de povos e comunidades Tradicionais de matrizes africanas e Afro brasileira Katina da Silva
Associação dos Moradores do Caranguejo
Associação dos Moradores do Jardim Casa Branca e Adjascências
Associação dos Pacientes Renais de Presidente Epitácio e Região
Associação Esportiva Araguaia
Associação Franciscana DDFP
Associação H² M.O.R Hip Hop Movimento Organizado de Rua
Associação Participe de Comunicação Social
Associação Prosa na Serra
Associação Ritmo Urbano e Arte – ARUA
Associação Sou Andreense
Ateliê aberto Sagrado Interior
Ateliê Azu
atelier mata adentro
Audácia – Q.I. Alforria
Azulmata #SouPeriferia
Baciada das Mulheres do Juquery
Banco Comunitário União Sampaio
Baobá Arte e Educação
BIBLIOTECA CAROLINA MARIA DE JESUS
Bloco do Beco
Bloco do Padreco
Bloco Saci da Bixiga
Blog Combate Racismo Ambiental
Blog do Ivanovitch 2
Blog Inspiração Sustentável
Blog NegroBelchior
Blog Sarau Para Todos
Blogueiras Negras
Bocada Forte
Brava Companhia
Brechoteca Biblioteca Popular
Brigadas Populares
Cagebê
Cais – Cultura, Arte e interação Social
Candaces Organização de Mulheres Negras e Conhecimento de Juiz de Fora -MG
Capulanas Cia de Arte Negra
Casa da Imaginação
Casa das Crioulas
Casa de Cultura do Campo Limpo
Casa Dharma
Casa do Hip Hop de Bauru
Casa do Hip Hop Sanca e Movimento Hip Hop de São Carlos
Casa do Menor Trabalhador-RJ
Casa Frida – Casa Popular de Cultura de Rua Frida Kahlo
Casa Popular de Cultura de M’Boi Mirim
Casadalapa
CCB – Centro Cezar Baiano de Cultura e Educação Popular
Cedeca Interlagos
Centro comunitario do taquaril
Centro Cultural Marcelo Breunig
Centro Cultural Monte Azul
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Colinas
Centro de Educação e Assessoria Popular-CEAP
Chorinho no Monte
Cia Brasílica
CÍA DOS PRAZERES
Cia Enchendo Laje & Soltando Pipa
Cia Humbalada de Teatro
Cia Janela do Coletivo
Cia Sansacroma
Cia Teatral Língua de Trapo – Ponto de Cultura
Cia Treme Terra e Ponto de Cultura Afrobase
Cia. Ópera Brasília
Cia. Teatral Aos Quatro Ventos
CicloZN
Cidade Hip Hop
Cine Campinho
Cine da quebrada
Cine grilo
CineBecos
Cinequanon Cultural/ Projeto Nêga Rosa / Coletivo Juventude Sem Fronteirass
Círculo Palmarino
Claudias,Eu?Negra!
CNLB – CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL
Cojira/SP: Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial
Coleta Filmes
Coletiva Estamira de Mulheres Psicólogas
Coletive Friccional
Coletive Zoooom
Coletivo ABAYOMI ABA
Coletivo Advogados para a Democracia (www.coade.net.br)
Coletivo ArteFato
Coletivo Brincantes Urbanos
Coletivo Cafuzas
Coletivo Canal Motoboy
Coletivo Candeia
COLETIVO CRONOTOPO
Coletivo Cultural Estado de Poesia
Coletivo Cultural Marginaliaria
Coletivo Cultural Pic Favela
Coletivo Cultural Sankofa
Coletivo Cutucar
Coletivo de Comunicação Desenrola E Não Me Enrola
Coletivo de fotógrafos Lente Quente/Jornalismo UEPG
Coletivo de Galochas
Coletivo de Negras e Negros EACH
Coletivo Dente de Leão
Coletivo Eletro Tintas
Coletivo em Silêncio, Reage Artista
Coletivo Encontro de Utopias
Coletivo Estudantes de Luta
Coletivo FABCINE
Coletivo Feminista Baré
Coletivo Fezozine
Coletivo Fora de Frequência
Coletivo Garrafas Térmicas
Coletivo Juventude Ativa
Coletivo Laço Clã
Coletivo Levante Mulher
Coletivo LGBTTs Santo Ângelo – RS
Coletivo literario Sarau Elo da Corrente
Coletivo Livros ao Vento
Coletivo Maloqueria Fortaleza
Coletivo Malungo
Coletivo Merlino
Coletivo Mjiba
Coletivo Modtrip
Coletivo MOJUBÁ -Minha Ancestralidade te incomoda?
Coletivo Muros que Gritam…
Coletivo novos poetas da vila nhocune
Coletivo Pé na Massa
Coletivo Perifatividade
Coletivo Periferia Resiste
Coletivo Pretas Peri
Coletivo R.U.A.
Coletivo R5
Coletivo Religare
Coletivo Sasso
Coletivo Sistema Negro
Coletivo sócio-educativo Quilombo do Morro
Coletivo Tenda Literária
Coletivo Transformar
Coletivo Verde América
Coletivo VOZ
Coletivo Voz Ativa
Coletivo Voz da Leste
Coletivo-Movimento de Moradia- Sapopemba
ColetivoFilhas da Luta
comitê de mulheres do territórios da borborema pb
Comitê Juventude e Resistência Z/S – SP
Comitê Popular de Santos pela Verdade, Memória e Justiça
Companhia dos Atores do Rei
Companhia Teatral Sama Elyon
Companhiadanaoficcao
Compostela (Galiza)
Comunidade Cidadã
Comunidade Cultural Quilombaque
Conjunto Coisa da Antiga
CONSELHO TUTELAR DE ÁGUAS CLARAS
Contadores de Incompletudes
Cooperifa
COOPERSOL
Correspondência Poética
Cursinho Popular TRANSformação
DCE Novo Mané – Diretório Central dos Estudante da UTFPR – Campus Londrina
Debate Progressista
Descompan(h)ia demo_lições artísticas iLTDAs
DiCampana
DRE Campo Limpo
Duplalêlê – Contação de historias
ECLA – Espaço Cultural Latino Americano
Editora Essencial
EITA AÇÃO CULTURAL
EITA! Sarau
Equipe EJA/MOVA Osasco
ERRO Grupo (Florianópolis/SC)
Espaço Comunidade
Espaço Gnu Lab
Estudantes Pela Legalidade
Eu Amo Baile Funk
Expo Comunidade
Favela, uma foto por dia
FECEB RN
Federacao das Associações de Moradores do Estado de Minas Gerais _ FAMEMG
Fiandeiras Real Parque
Fome Noise
Forro da Quebrada
Fórum de Cultura São Mateus
Fórum Direito à Verdade à Memória e à Justiça
Fórum Municipal de Trabalhadores do SUAS – Belo Horizonte
Fragmento Urbano Dança
Frente Antifascista de Pernambuco
Frente de Resistência Samba do Congo
Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop
Fuck City Crew
GEDS grupo de estudos drogas e sociedade
Gelateca
GeoGrafit
GOMA – Casa de Comunicação e Arte
Grêmio kami Thanatos Y Hypnos
GREMIO RECREATIVO CULTURAL E BENEFICENTE ESCOLA DE SAMBA EM CIMA DA HORA PAULISTANA
Grupo 011
Grupo candearte
Grupo Clarianas
Grupo Clariô de Teatro
Grupo de Coco Semente Crioula
Grupo de Pesquisas Ufológicas Ufo-Gênesis
Grupo doBalaio
Grupo Livre Ameaça
Grupo noroeste
Grupo Pandora de Teatro
Grupo Parthos
Grupo Pés Esquerdos de Teatro Feminista
Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo
Grupo Transformar
Guardiões Griô
Guerra Urbana banda punk
Haphirma Coletivo cultural – Trepe Origens
Hip Hop Mulher (Assoc. A Mulher e o Movimento Hip Hop)
Hip Hop No Monte
Homems de Saia – Coletivo Bicho Solto
IACOREQ – Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombos RS
IAJUM
Illumina Imagens e Memória
Ilú Obá de Min
Imaginaria Cultural
Imargem
Instituto Amazônico de Comunicação e Educação Popular – IACEP Amazônia
Instituto Bela Flor de Lis
Instituto Bem Estar Brasil
Instituto GG5 de Desenvolvimento Comunitário
Instituto Kairós
Instituto Palmas
Instituto Pombas Urbanas
IPAC – Instituto de Pesquisas e Ação Comunitária
IPDM – Igreja Povo de Deus em Movimento
Jardim Miriam Arte Clube – JAMAC
Jazz da Comunidade
Jequitibá Cultural
Jongo da Serrinha
Jornada pela Democracia
Jornal Vozes da Vila Prudente
jornalistas livres
Juventude Libre Cotia
Juventude Politizada Parelheiros
Juventude Revolução
K-Tchal Produções
Kalandis
Kilombagem
La Plataformance
Lab Fantasma (Evandro Fióti e Emicida)
labExperimental.org
Lado (B)lack
Laia Periférica
Leão de Judah
Leela Grupo Teatral
Lentes Periféricas
Levante Popular da Juventude
Levante Popular da Juventude maranhao
Liga dos Invasores
Liga Panelladexpressão
LiteraRUA
MAP (Movimento Aliança da Praça)
Maracatumba – RJ
Marcha Mundial das Mulheres
MASSAPEARTS
MDM Movimento pelo direito a Moradia
Me Parió Revolução – Selo Editorial Feminino/Periférico
Medicos pela democracia
menor slam do mundo
Mesoperiferia
Mídia Lunar
Midia Periferica
Mixtura
Movimento #semprenaluta! Manaus
Movimento Cultural Ermelino Matarazzo
Movimento Cultural Grajau
Movimento de mulheres negras
MOVIMENTO FORA DA ORDEM
Movimento Hip-Hop Organizado (MH2O)
Movimento Independente Mães de Maio
Movimento Mudança
Movimento Ocuparte
MOVIMENTOS EM REDE
MQG
MSU Movimento dos Sem Universidades
MTD – Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos
MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
MUDA SP/ Boraplantar/ Zona da Mata
Mudança de Cena
Mulheres de Pedra – RJ
Mundicoisa
Na Função Produções Artísticas
Nação Hip-Hop Brasil
NaMargem – Núcleo de Pesquisas Urbanas
NEPAIDS-USP – Nucleo de Estudos para a Prevenção da Aids da Universidade de São Paulo
Ninguém Lê
Nós, Madalenas
Núcleo Bartolomeu de Depiimentos
Núcleo de Consciência Negra da USP
Núcleo de Direitos Humanos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo (NESOL-USP)
Núcleo de ensino, pesquisa e extensão Conexões de Saberes na UFMG
Núcleo Mulheres Negras
Núcleo Negro Unifesp Guarulhos
Núcleo Poder e Revolução
Núcleo Reflexos de Palmares – UNIFESP Baixada Santista
Núcleo Teatral Filhos da Dita
Nuraaj – núcleo de referência em atenção à adolescência e à juventude – Instituto Sedes Sapientiae
O Estopim – Coletivo Nacional de Juventude
O SONO SOLO
Observatório da Juventude – Zona Norte
Observatório da Juventude da UFMG
Observatório Popular de Direitos
Oca Materna Arte educação e Sustentabilidade
OCUPE-SE: A LUTA ENTRE O LÁPIS E A BORRACHA
ONG DEFESA DE DIREITOS
Oriashé Org.Mulheres Negras- Cohab Cidade Tiradentes/SP
Os Joncas -Piaui
Panaméricas Diásporas
Parceiros em Luta
Pastoral da Juventude do Meio Popular
Pastoral operaria diocese de campina grande pb
Periaferia Ativa
Periferia Cultura e Resgate
Periferia em Movimento
Phábrika de Arthes
Piratas Urbanos
PJMP
Pode Pá Perus: Hiphopnaação
Poesia Coletiva
Poesia Maloqueirista
Poetas Ambulantes
Poetas do Tietê
Portal Flores no Ar
Portal Mulheres no Hip Hop
Praçarau
Programa Empoderadas
Projeto 100 Histórias Negras
Projeto Comunidade Samba do Monte
Projeto Espremedor
Projeto Tipo Ubuntu
Protesto Materno
Quebrada de Coco
Quilombação
Radicais Livres S/A
Rádio Cirandeira
Raiz criola
Reciclados Artisticos
Rede Liberdade
Rede Pipa
Rede Popular de Cultura Mboi Campo Limpo
Rede popular solidaria
Rede Sem Fronteiras de Teatro da/o Oprimida/o
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
rede vencer juntos
Refundação Comunista
Revista FaveLê
RNP Núcleo RN
Rodas de leitura
Role de Bike
Rua de Fazer
Rumos Consultoria em Desenvolvimento Sustentável
SAJU UFSC (Serviço de Assessoria Jurídica Universitária Popular)
SAMBAQUI
Sanatório Produções
São Mateus em Movimento
Sarau Comungar
Sarau D’Quilo
Sarau do Binho
sarau do burro
Sarau do Grajaú
Sarau do Pira
Sarau Itinerante
Sarau na Quebrada
Sarau O que dizem os Umbigos?!
Sarau Preto
SARAU QUINTA EM MOVIMENTO
Sarau Sem Poetas
Sarau Sobrenome Liberdade
Sarau Suburbano
Sarau Verso em Versos
Sarauzim Mesquiteiros
selo do burro
Sessão de Fatos
Setenta vezes sete
Shabazz Empire
Sindicato de Engenheiros/RJ
Sindicato dos Economistas de Minas Gerais
Sinttel
Slam da Guilhermina
Slam da Ponta
Slam do Grito
Slums
Só Com Vinil
SOU DANDARA
Soul Rueiro
SóZine
SP Invisível
SUATITUDE (Sindicato Urbano de Atitude)
Teatro da Vertigem
Teatro Girandolá
Toca do Lobo Produções – Complexo do Alemão
TRÓPIS iniciativas socioculturais
Trupe na RUA
Turma D’ Raiz – Essência Velha Escola
Turnê SaraÔnica
UNAS Heliópolis
Uneafro Brasil
União Brasileira de Mulheres
UNIÃO DA JUVENTUDE BRASILEIRA
Uniao de mulheres de SP
União Nacional por Moradia Popular
Unidade Produtiva TERRA ZINE
Unisol Brasil
Universidade da Correria
Vila 57 – Feira da Mata-Ba
Visão Soluções Sociais
Zumaluma
Zumbiblioteca

Também assinam o manifesto individualmente mais de 2.100 artistas, ativistas, educadoras e educadores, cidadãos em geral, que moram ou atuam nas periferias. Confira a relação completa em: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1690mdt16LZbO_N6Pzrr6YSUNuBkmj3lbBrH0NrDK7mI/edit?usp=sharing

Favelas: Más allá de la pobreza y el miedo

Raúl Zibechi
La favela es un mundo complejo en el que conviven la pobreza y la violencia policial y del narcotráfico. En una primera mirada parece el espacio más difícil para construir alternativas desde abajo y desde la izquierda. Sin embargo, cientos de activistas la eligieron como un lugar donde crear lo nuevo.

16- AFP YASUYOSHI CHIBA

Otra de las favelas brasileñas donde se busca alternativas sociales para la juventud / Foto: AFP, Yasuyoshi Chiba

El coche pasa casi rozando entre dos gruesas moles de cemento de un metro de alto. Un pequeño error de cálculo y la chapa terminaría estropeada. “Por aquí no pasa el caveirão, dice alguien, en referencia al vehículo blindado construido especialmente para que la Policía Militar entre en las favelas. “Tampoco pasan los patrulleros”, festeja un tercero. La entrada a la Comunidad Chico Mendes en el Morro de Chapadão, zona norte de Rio de Janeiro, está restringida para los cuerpos represivos.

Subimos ladera arriba por calles estrechas y bien pavimentadas, entre viviendas sencillas pero cuidadas. En minutos llegamos al local del Movimiento de Comunidades Populares (Mcp), una enorme puerta de hierro al lado de un pequeño y prolijo almacén que vende alimentos y productos de limpieza. “No vendemos cigarrillos”, dice una voz de mujer. Con serenidad y firmeza agrega: “Son malos para la salud”.

El portón se abre sobre un amplio patio techado con oficinas y salas de reuniones al fondo y un segundo piso con más salones. Un enorme cartel advierte contra el consumo de alcohol y en otro costado del patio otro cartel más grande detalla las diez “columnas del movimiento”: economía, religión liberadora, familia, salud, vivienda, escuela, deporte, arte, ocio e infraestructura. Les dicen columnas porque son los pilares de la organización, identificadas de acuerdo a las “necesidades de los sectores populares”.

Un hombre bajo y fornido de unos 60 años ofrece agua fresca para paliar el tremendo calor carioca, e invita a recorrer los espacios. Todo sucede como en cámara lenta, con mucha calma, quizá para contrarrestar el calor. Aparece la mujer del almacén, Janduir, que nos dice que ambos fueron los primeros militantes del Mcp en llegar a la favela, cuando las casas eran de madera, precarias y pequeñas, hace más de veinte años.

UNA COMUNIDAD DIFERENTE.

La principal diferencia entre la Comunidad Chico Mendes y otras favelas es que se instaló como consecuencia de una toma o invasión, no de la agregación de familias y personas a modo de goteo. Aquí las personas ya estaban organizadas antes de la ocupación del morro, llegaron todas juntas y comenzaron a construir las viviendas y el barrio. Eran militantes de izquierda que decidieron ponerle al asentamiento el nombre del más emblemático organizador de los recolectores de caucho, asesinado por hacendados en 1988.

Ahora la comunidad tiene alrededor de 25 mil habitantes, pero Gelson recuerda que cuando llegaron tuvieron que hacer mutirão (trabajo colectivo) para conectar decenas de caños a una fuente de agua a 300 metros. Salía apenas un hilo de agua y había que hacer una fila de hasta cuatro horas para llenar una lata. “La gente fue luchando y consiguió tener agua, luz, saneamiento y también obras para asfaltar las calles”, explica Gelson. Las dificultades ahora son otras: “Las cosas están lejos, los precios son altos, entrar y salir de la comunidad es muy difícil por la violencia del tráfico”.

Recuerdan que la primera camada de militantes que formaron la comunidad hoy ya no está; algunos fueron asesinados por los traficantes y otros desaparecieron, se cree que secuestrados. Esa generación se enfrentó duro al tráfico para impedir que se asentara en la comunidad. Ahora trabajan de otro modo, menos ideologizado, evitando la confrontación con enemigos superiores, como la policía y el narcotráfico, y sobre todo “construyendo poder popular”.

Los primeros pasos en la Chico Mendes los dieron organizando campeonatos de fútbol con equipos de varones y de mujeres. Fue el modo de hacerse apreciar por los vecinos, de ganar su confianza, de conseguir un lugar. A Gelson le gusta mucho el fútbol y lo practica.

Hace casi 20 años crearon el grupo de apoyo escolar, que recibe a 70 niños y niñas de 2 a 14 años en dos turnos con cuatro maestras y dos ayudantes. Formaron una red de apoyo a esta escuela para financiar el sueldo de las maestras. Hace seis años armaron una guardería para las madres de la comunidad, que ya tiene 20 alumnos en dos turnos, con tres cuidadoras.

Los dos grupos de educación son apoyados por los padres, que aportan dinero y realizan actividades para recaudar fondos. Una vez al mes hacen una asamblea para debatir sobre la marcha de las escuelas y tratar de resolver los problemas de forma colectiva. El jardín funciona en un espacio, frente al salón central y el apoyo escolar, en el patio del principal edificio del movimiento.

El área o columna de economía es la más importante. Hay un Grupo de Ventas Colectivas con siete personas que tienen a su cargo el almacén de productos de alimentación, donde se abastecen unos 150 vecinos. Este grupo abrió hace poco tiempo, a partir de un préstamo del Grupo de Inversión Colectiva (Gic), una barraca de materiales de construcción atendida por dos personas del movimiento. Diez familias se organizan en torno al Grupo de Compras Colectivas, que les permite comprar en grandes cantidades consiguiendo precios más bajos que los del mercado.

Luego formaron el Grupo de Producción Colectiva, en el cual cinco familias producen jabones, detergentes, desinfectantes y suavizantes a partir de aceite vegetal usado. Comenzó como parte de una campaña en defensa del ambiente y ahora vende sus productos a una cooperativa del gobierno de Rio de Janeiro.

El grupo más importante del área de economía es el Gic. Cuenta con 400 inversores que reciben un 2 por ciento de interés, es administrado por voluntarios y realiza préstamos a personas del barrio. Gelson asegura que más de 30 casas del lugar fueron adquiridas con dinero del Gic, además de que facilitó la compra de camionetas a vecinos que trabajan con ellas trasladando personas desde el metro hasta el morro.

“El Gic resuelve muchos problemas de la gente, y la incentiva a ahorrar, porque en los sectores populares no se ahorra”, dice Gelson. Es muy común que a una familia se le termine el gas y no pueda reponerlo simplemente porque no tiene dinero. Ahora acude al Gic y resuelve el problema sin necesidad de acudir a la banca.

UN VIEJO-NUEVO MOVIMIENTO.

Lo que hoy es el Mcp comenzó hace 40 años a partir de un grupo de personas, como Gelson, que integraban la Juventud Agraria Católica. Realizaron un seminario bajo la dictadura militar en el que decidieron “construir un movimiento que no sólo trabajara por reformas y mejoras, sino con una propuesta anticapitalista”. Y crearon el Movimiento de Evangelización Rural, que en los hechos dejó de ser un grupo dependiente de la Iglesia.

Gelson recuerda la pobreza del campo. Su madre tuvo 12 hijos, seis varones y seis mujeres, en un pueblo de Paraíba. “Compraba un litro de leche para todos y como no alcanzaba le echaba mucha agua.” Trabajaba la tierra, y una noche, con 11 años, abrió las porteras para que salieran las vacas y los novillos. Fue su primera rebeldía.

Con los años el movimiento se modificó a medida que la sociedad fue cambiando. En los ochenta se produjo una gran migración hacia la ciudad, entre otras razones por la mecanización del campo y la concentración de la tierra en latifundios. Entonces comenzaron a trabajar en las ciudades y crearon la Corriente de Trabajadores Independientes. Pero en los noventa percibieron la precarización laboral y tomaron una decisión importante: trabajar con los sectores más sufridos del pueblo, “desempleados, peones, habitantes de las periferias, campesinos pobres”, según puede leerse en uno de los primeros números del periódico Voz das Comunidades.

“Fue el momento más duro –asegura Gelson–. Los militantes tenían una cultura de clase media, tenían sus familias, no aguantaron ir a la favela y decidieron adherir a partidos como el PT y a las centrales sindicales.” En esa instancia decisiva perdieron más de un tercio de los militantes. En paralelo decidieron no integrarse al PT, porque consideraban que dividiría a los sectores populares al separar a los dirigentes de las bases.

Su actividad en las periferias de las ciudades transformó al movimiento y sus integrantes. Comenzaron a trabajar de acuerdo a las diez columnas y a crear comunidades populares. Hoy son más de 60 comunidades, la mitad en áreas urbanas. En 2006 editaron Voz das Comunidades, para cohesionar al movimiento, que ya tiene presencia en 12 estados. En 2011 decidieron ponerse el nombre actual: Mcp.

El movimiento se propone tres objetivos. A corto plazo, movilizar a la gente para que resuelva sus problemas sociales y necesidades culturales más sentidas. A mediano plazo, organizar a la población en comunidades populares. Y a largo plazo, “conquistar un gobierno popular de abajo hacia arriba para construir una sociedad comunitaria basada en el buen vivir indígena, en los quilombos de los esclavos, en las comunidades campesinas igualitarias, como la de Canudos,1 y en el socialismo obrero y popular”, como acordaron en el segundo encuentro del movimiento, en 2012. Para ellos gobernar de abajo hacia arriba es “controlar, a partir de la base, los servicios públicos y comunitarios a través de la democracia participativa”, creando las condiciones para que la gente participe.

Janduir y Gelson explican que el movimiento se inspira en luchas históricas como las de los guaraníes, los quilombos de los esclavos que fugaban de las plantaciones, la experiencia de Canudos y las luchas obreras del siglo XX. Tiene como principios la independencia de los partidos y la autonomía política pero también económica de los emprendimientos.

EL MUNDO NUEVO EN LAS PERIFERIAS.

El Gic de Chico Mendes tiene 400 inversores y moviliza 700 mil reales (unos 170 mil dólares), que son administrados en reuniones masivas de 60 a 70 personas. En sólo 12 años consiguieron ser una fuente de financiación para las familias del barrio, sin deudores, porque cada persona que toma un préstamo lo tiene como aval. Cero deudas, control comunitario de las cuentas. Janduir muestra un cuaderno donde anota todo a mano. “Me gusta más hacerlo así que usar la computadora”, dice sonriendo.

Entre todas las comunidades tienen 30 Gic, que son administrados por más de cien personas y benefician a varios miles. Los Mcp cuentan con 100 grupos de producción, ventas y servicios colectivos, con más de 1.500 integrantes. Producen ropa, bolsas, artículos de limpieza, crían animales y cultivan la tierra. Los de ventas tienen mercados colectivos, venden gas y cereales. Los de servicios cuentan con lavanderías, recolección de residuos, construcción civil y han comprado camiones para la comunidad.

Han instalado diez escuelas, cuentan con grupos de salud que hacen campañas contra el consumo de alcohol y dan cursos de salud bucal y reproductiva, y comenzaron con un equipo de terapia comunitaria. “Se trata siempre de las cosas que necesita el pueblo”, aseguran Gelson y Jundair.

“Imagina que un día la gente construya millones de grupos de este tipo en Brasil”, reflexiona Gelson. “Es muy distinto si quisieras reclutar gente para la revolución, tomar el poder, ¿qué hacemos después?” Es un camino diferente para procesar los cambios. “En este proceso de construcción vamos aprendiendo a gobernar un Gic, una microempresa, y ahí vamos aprendiendo a gobernar una escuela, un municipio, de forma colectiva y solidaria, sin corrupción, con transparencia”, sigue Gelson.

Todos los trabajos que realizan, desde el deporte hasta las escuelas y los grupos de inversión, o sea, todo lo que es construcción de comunidad, tiene como norte la creación de poder popular. Con una doble vertiente: que sean iniciativas por fuera del mercado y del Estado (no reciben nada de los gobiernos) y que las gestionen los mismos miembros del movimiento de forma colectiva. A todo eso le llaman poder popular.

“La economía popular es la economía que ya está ahí, es la economía del pueblo, como la venta ambulante y los mercados populares. Pero lo que necesitamos es una economía popular organizada, con conciencia de gestión colectiva.” No inventan nada, organizan y sistematizan lo que ya está, a través de la formación y la organización colectivas. La autogestión puede entenderse como la sistematización de lo que hacen los sectores populares de forma embrionaria y espontánea.

En la asamblea nacional anual realizada en agosto de 2014 los militantes del Mcp llegaron a la conclusión de que no están caminando con los dos pies, como ellos desean. “Continuamos realizando más actividades comunitarias (economía solidaria, actividades culturales y acciones colectivas) que luchas reivindicativas por políticas públicas y en defensa de derechos”, se lee en el último ejemplar del periódico. Ese desbalance se debe, según el Mcp, a que durante diez años se focalizaron en la construcción de comunidades y que en ese período los líderes de los movimientos fueron cooptados por el gobierno.

Este es un debate presente en todos los movimientos de nuevo tipo en América Latina: cuánta energía dedicar a construir lo propio y cuánta a disputar con las instituciones estatales. El debate en torno a las políticas públicas (participar en la gestión de instituciones públicas a escala local) contiene dos posiciones: el temor a la cooptación por el Estado y el temor al aislamiento. Es la necesidad de escoger entre crear poder popular comunitario sin gobernar, o gobernar sin tener poder.

“La contradicción entre ambas es permanente”, razonan los militantes del Mcp. Por eso Gelson, cuando se le pregunta por las dificultades del movimiento, las coloca dentro, no fuera. “Lo más difícil es la formación de los jóvenes”, dice sin dudar un segundo. Cuando era joven, en la década de 1960, en plena dictadura, era la realidad la que formaba la conciencia, la que mostraba los caminos a seguir. Hoy las cosas son más complejas. El consumismo, las redes sociales, son fuente de confusión, piensa. El trabajo de hormiga de todos los días puede parecer poco, pero saben que no hay otro camino.

  1. Movimiento popular en el nordeste en torno a la figura de Antonio Conselheiro, en la comunidad de Canudos (norte de Bahía), que fue derrotado por el ejército. Inspiró películas y relatos periodísticos, como Los sertones, de Euclides da Cunha (testigo de la última expedición militar contra la comunidad), y novelas como La guerra del fin del mundo, de Mario Vargas Llosa.

Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=208458

Desde abajo, por la izquierda y con la Tierra

Arturo Escobar
escobar
Las contribuciones teórico-políticas para repensar la región reverberan a lo largo y ancho del continente, en los encuentros de los pueblos, en las mingas de pensamiento, en los debates de movimientos y colectivos, en las asambleas de comunidades en resistencia, en las movilizaciones de jóvenes, mujeres, campesinos y ambientalistas, y sin duda también en algunos de aquellos sectores que tradicionalmente se han considerado los espacios del pensamiento crítico por excelencia, tales como las universidades, la academia y las artes.Un listado de las tendencias más notables del pensamiento crítico latinoamericano tendría que incluir, entre otras, las críticas a la modernidad y a la teoría decolonial; los feminismos autónomos, decoloniales, y comunitarios; la diversa gama de debates ecológicos y de economías alternativas, incluyendo la ecología política, la economía social y solidaria (ESS), las economías comunales; las posiciones autonómicas; otras y nuevas espiritualidades; y las diferentes propuesta de transiciones civilizatorias, el posdesarrollo, el Buen Vivir, y el post-extractivismo. Más importante aún, toda genealogía y catálogo del pensamiento latinoamericano debe incluir las categorías, saberes, y conocimientos de las comunidades mismas y sus organizaciones como uno de las expresiones más potentes del pensamiento crítico. Esta última proposición constituye el mayor desafío para el pensamiento crítico latinoamericano dado que la estructura epistémica de la modernidad (ya sea liberal, de derecha o de izquierda) se ha erigido sobre el borramiento efectivo de este nivel crucial del pensamiento, y es precisamente este nivel el que emerge, hoy en día, con mayor claridad y contundencia.

Un análisis de la coyuntura regional y planetaria y de cómo esta se refleja en los debates teórico-políticos del continente nos lleva a postular las siguientes hipótesis. Primero, que el pensamiento crítico latinoamericano no está en crisis, sino en efervescencia. Segundo, que los conocimientos de los pueblos en movimiento, de las comunidades en resistencia y de muchos movimientos sociales están en la avanzada del pensamiento para las transiciones, y cobran una relevancia inusitada para la reconstitución de mundos ante las graves crisis ecológicas y sociales que enfrentamos, más aun que los conocimientos de expertos, las instituciones y la academia. (Aclaro que esto no quiere decir que estos últimos sean inútiles, sino que ya son claramente insuficientes para generar las preguntas y pautas para enfrentar las crisis).

Para verlo de esta manera, sin embargo, es necesario ampliar el espacio epistémico y social de lo que tradicionalmente se ha considerado el pensamiento crítico latinoamericano para incluir, junto al pensamiento de la izquierda, al menos dos grandes vertientes que desde las últimas dos décadas han estado emergiendo como grandes fuentes de producción crítica: aquella vertiente que surge de las luchas y pensamientos ‘desde abajo’, y aquellas que están sintonizadas con las dinámicas de la Tierra. A estas vertientes las llamaremos ‘pensamiento autonómico’ y ‘pensamiento de la Tierra’, respectivamente. Mencionemos por lo pronto que el primero se refiere al pensamiento, cada vez más articulado y discutido, que emerge de los procesos autonómicos que cristalizan con el Zapatismo pero que incluyen una gran variedad de experiencias y propuestas a lo largo y ancho del continente, desde el sur de México al suroccidente de Colombia, y desde allí al resto del continente. Todos estos movimientos enfatizan la reconstitución de lo comunal como el pilar de la autonomía. Autonomía, comunalidad y territorialidad son los tres conceptos claves de esta corriente. Con pensamiento de la Tierra, por otro lado, nos referimos no tanto al movimiento ambientalista y a la ecología sino a aquella dimensión que toda comunidad que habita un territorio sabe que es vital para su existencia: su conexión indisoluble con la Tierra y con todos los seres vivos. Más que en conocimientos teóricos, esta dimensión se encuentra elocuentemente expresada en el arte (tejidos), los mitos, las prácticas económicas y culturales del lugar, y en las luchas territoriales y por la defensa de la Pacha Mama. Esto no la hace menos importante, sino quizás más, para la crucial tarea de todo pensamiento crítico en la coyuntura actual, a la cual nos referiremos como ‘la reconstitución de mundos’.

Así, quisiera definir el pensamiento crítico latinoamericano como el entramado de tres grandes vertientes: el pensamiento de la izquierda, el pensamiento autonómico y el pensamiento de la Tierra. Estas no son esferas separadas y preconstituidas sino que se traslapan, a veces alimentándose mutuamente, otras en abierto conflicto. Mi argumento es que hoy en día tenemos que cultivar las tres vertientes, manteniéndolas en tensión y en diálogo continuo, abandonando toda pretensión universalizante y de poseer la verdad. Dicho de otra manera, a la formula zapatista de luchar “desde abajo y por la izquierda”, hay que agregar una tercera base fundamental, “con la Tierra” (hasta cierto punto implícita en el zapatismo).

El pensamiento de la izquierda y la izquierda del pensamiento

Qué tantas cosas es la izquierda: teoría, estrategia, práctica, historia de luchas, humanismo, íconos, emociones, canción, arte, tristezas, victorias y derrotas, revoluciones, momentos bellos y de horror, y muchas otras cosas. Cómo no seguir inspirándonos en los momento más hermosos de las luchas revolucionarias socialistas y comunistas a través de su potente historia; al menos para mi generación, cómo no seguir conmoviéndose por la carismática figura del Che, o de un Camilo Torres esperando la muerte con un fusil en la mano que nunca disparó, figuras estas que continúan engalanando las paredes de las universidades públicas de Colombia y el continente y que aún nos hacen sonreír al verlas. Cómo no pensar en el bello e intenso rojo de las banderas de las movilizaciones campesinas y proletarias de otrora, de campesinos aprendiendo a leer con los ubicuos libritos rojos, esperando marchar por el derecho a la tierra. Cómo no incorporar en toda lucha y en toda teoría los principios de justicia social, los imaginarios de igualdad de clase, y los ideales de libertad y emancipación de la izquierda revolucionaria.

A nivel teórico, es imperante reconocer las múltiples contribuciones del materialismo dialéctico y el materialismo histórico, su renovación en el encuentro con el desarrollismo (dependencia), el ambientalismo (marxismo ecológico), el feminismo, la teología de la liberación, el postestructuralismo (Laclau y Mouffe), la cultura (Stuart Hall) y lo poscolonial. Sin embargo, aunque esta amplia gama de teorías sigue siendo claramente relevante, hoy en día, reconocemos con facilidad los inevitables apegos modernistas del materialismo histórico (como su aspiración a la universalidad, la totalidad, la teleología y la verdad que se le cuelan aun a través del agudo lente analítico de la dialéctica). Más aún, no se puede desconocer que vamos aprendiendo nuevas formas de pensar la materialidad, de la mano de la ecología económica, las teorías de la complejidad, la emergencia, la autopoiesis y la auto-organización y de las nuevas formas de pensar la contribución de todo aquello que quedó por fuera en la explicación modernista de lo real, desde los objetos y las ‘cosas’ con su ‘materialidad vibrante’ hasta todo el rango de lo no-humano (microrganismos, animales, múltiples especies, minerales), que tanto como las relaciones sociales de producción son determinantes de las configuraciones de lo real. En estas nuevas ‘ontologías materialistas’ hasta las emociones, los sentimientos, y lo espiritual tienen cabida como fuerzas activas que producen la realidad.

Quisiera recalcar dos nociones de este breve recuento. Por un lado, la ruptura de los nuevos materialismos con el antropocentrismo de los materialismos de la modernidad. Del otro, y como corolario, el ‘desclasamiento epistémico’ a que se ven abocadas aquellas vertientes que usualmente consideramos de izquierda. Por desclasamiento epistémico me refiero a la necesidad de abandonar toda pretensión de universalidad y de verdad, y una apertura activa a aquellas otras formas de pensar, de luchar y de existir que van surgiendo, a veces con claridad y contundencia, a veces confusas y titubeantes, pero siempre afirmativas y apuntando a otros modelos de vida, en tantos lugares de un continente que pareciera estar cercano a la ebullición. Este desclasamiento convoca a los pensadores de izquierda a pensar más allá del episteme de la modernidad, a atreverse a abandonar de una vez por todas sus categorías más preciadas, incluyendo el desarrollo, el crecimiento económico y el mismo concepto de ‘hombre’. Los conmina a sentipensar con la Tierra y con las comunidades en resistencia para rearticular y enriquecer su pensamiento.

El pensamiento desde abajo

Un fantasma recorre el continente: el fantasma del autonomismo.

El autonomismo, es una fuerza teórico-política que comienza a recorrer Abya Yala/Afro/Latino-América de forma sostenida, contra viento y marea y a pesar de sus altibajos. Surge de la activación política de la existencia colectiva y relacional de una gran variedad de grupos subalternos –indígenas y afrodescendientes, campesinos, pobladores de los territorios urbanos populares, jóvenes, mujeres solidarias. Es la ola creada por los condenados de la tierra en defensa de sus territorios ante la avalancha del capital global neoliberal y la modernidad individualista y consumista. Se le ve en acción en tantas movilizaciones de las últimas dos décadas, en encuentros inter-epistémicos, en mingas de pensamiento, cumbres de los pueblos, y en convergencias de todo tipo donde los protagonistas centrales son los conocimientos de las comunidades y los pueblos que resisten desde las lógicas de vida de sus propios mundos. Involucra a todos aquellos que se defienden del desarrollo extractivista porque saben muy bien que “para que el desarrollo entre, tiene que salir la gente”. Son los que luchan, como sostienen los zapatistas, por un mundo donde quepan muchos mundos. Aquellos “que ya se cansaron de no ser y están abriendo el camino” (M. Rozental), de los sujetos de la digna rabia, de todas y todos los que luchan por un lugar digno para los pueblos del color de la Tierra.

A nivel teórico, el autonomismo se relaciona con una gran variedad de tendencias, desde el pensamiento decolonial y los estudios subalternos y postcoloniales hasta las epistemologías del sur y la ecología política, entre otros. Tiene un parentesco claro con nociones tales como la descolonización del saber, la justicia cognitiva y la inter-culturalidad. Pero su peso teórico–político gravita en torno a tres grandes conceptos: autonomía, comunalidad y territorialidad, solo el primero de los cuales tiene alguna genealogía en las izquierdas, especialmente en el anarquismo. El autonomismo tiene su razón de ser en la profundización de la ocupación ontológica de los territorios y los mundos-vida de los pueblos-territorio por los extractivismos de todo tipo y por la globalización neoliberal. Esta ocupación es realizada por un mundo hecho de un mundo (capitalista, secular, liberal, moderno, patriarcal), que se arroga para si el derecho de ser ‘el Mundo’, y que rehúsa relacionarse con todos esos otros mundos que se movilizan cada vez con mayor claridad conceptual y fuerza política en defensa de sus modelos de vida diferentes. El autonomismo nos habla de sociedades en movimiento, más que de movimientos sociales (R. Zibechi, refiriéndose a la ola de insurrecciones indígeno-populares que llevaran al poder a Evo Morales), y podríamos hablar con mayor pertinencia aun demundos en movimiento, porque aquello que emerge son verdaderos mundos relacionales, donde prima lo comunal sobre lo individual, la conexión con la Tierra sobre la separación entre humanos y no-humanos, y el buen vivir sobre la economía.

En el lenguaje de la ‘ontología política’, podemos decir que muchas luchas étnico-territoriales pueden ser vistas como luchas ontológicas – por la defensa de otros modelos de vida. Interrumpen el proyecto globalizador de crear un mundo hecho de un solo mundo. Dichas luchas son cruciales para las transiciones ecológicas y culturales hacia un mundo en el que quepan muchos mundos (el pluriverso). Constituyen la avanzada de la búsqueda de modelos alternativos de vida, economía, y sociedad. Son luchas que enfrentan ‘entramados comunitarios’ y ‘coaliciones de corporaciones transnacionales’ (Raquel Gutiérrez A.), buscando la reorganización de la sociedad sobre la base de autonomías locales y regionales; la autogestión de la economía bajo principios comunales, aun si articuladas con el mercado; y una relación con el Estado pero solamente para neutralizar en lo posible la racionalidad del estado. En resumen, son luchas que buscan organizarse como los poderes de una sociedad otra, no-liberal, no-estatal y no-capitalista.

La autonomía es de esta forma una práctica teórico-política de los movimientos étnico-territoriales – pensarse de adentro hacia afuera, como dicen algunas líderes afrodescendientes en Colombia, o cambiando las tradiciones tradicionalmente y cambiando la forma de cambiar, como dicen en Oaxaca. “La clave de la autonomía es que un sistema vivo encuentra su camino hacia el momento siguiente actuando adecuadamente a partir de sus propios recursos”, nos dice el biólogo Francisco Varela, definición que aplica a las comunidades. Implica la defensa de algunas prácticas así como la transformación e invención de otras. Podemos decir que en su mejor acepción la autonomía es una teoría y práctica de la inter-existencia, una herramienta de diseño para el pluriverso.

El objetivo de la autonomía es la realización de lo comunal, entendida como la creación de las condiciones para la autocreación continua de las comunidades (su autopoiesis) y para su acoplamiento estructural exitoso con sus entornos cada vez más globalizados. Las nociones de comunidad están reapareciendo en diversos espacios epistémico-políticos, incluyendo las movilizaciones de indígenas, afrodescendientes y campesinos, sobre todo en México, Bolivia, Colombia, Ecuador y Perú. Cuando se habla de comunidad se usa en varios sentidos: comunalidad, lo comunal, lo popular-comunal, las luchas por los comunes, comunitismo (activismo comunitario). La comunalidad (la condición de ser comunal) constituye el horizonte de inteligibilidad de las culturas de la América profunda e igualmente de luchas nuevas, aun en contextos urbanos; es una categoría central en la vida de muchos pueblos, y continua siendo su vivencia o experiencia más fundamental. Todo concepto de comunidad en este sentido se entiende de forma no esencialista, comprendiendo ‘la comunidad’ en toda su heterogeneidad e historicidad, siempre surtiéndose de la ancestralidad (el tejido relacional de la existencia comunal), pero abierta hacia el futuro en su autonomía.

Como dicen los comuneros indígenas misak del Norte del Cauca de Colombia, hay que “recuperar la tierra para recuperarlo todo … por eso tenemos que pensar con nuestra propia cabeza, hablando nuestro propio idioma estudiando nuestra historia, analizando y transmitiendo nuestras propias experiencias así como la de otros pueblos” (Cabildo Indígena de Guambia, 1980, citado en Quijano 2012: 257). O como lo expresan los nasa en su movilización, la minga social y comunitaria, “la palabra sin acción es vacía. La acción sin la palabra es ciega. La acción y palabra sin el espíritu de la comunidad son la muerte”. Autonomía, comunalidad, territorio, y relacionalidad aparecen aquí íntimamente ligados, constituyendo todo un marco teórico-político original dentro de esta segunda vertiente del pensamiento crítico de Abya Yala/Afro/Latino-América.

El pensamiento de la TierraLa relacionalidad – la forma relacional de ser, conocer y hacer – es el gran correlato de la autonomía y la comunalidad. Así puede verse en muchas cosmovisiones de los pueblos, tales como la filosofía africana del Muntu o concepciones de la Madre Tierra como la Pachamama, Ñuke mapu, o Mama Kiwe, entre muchas otras. También está implícita en el concepto de crisis civilizatoria, siempre y cuando se asume que la crisis actual es causada por un modelo particular de mundo (una ontología), la civilización moderna de la separación y la desconexión, donde humanos y no humanos, mente y cuerpo, individuo y comunidad, razón y emoción, etc. se ven como entidades separadas y autoconstituidas.

Las ontologías o mundos relacionales se fundamentan en la noción de que todo ser vivo es una expresión de la fuerza creadora de la tierra, de su auto-organización y constante emergencia. Nada existe sin que exista todo lo demás (“soy porque eres”, porque todo lo demás existe, dicta el principio del Ubuntusurafricano). En las palabras del ecólogo y teólogo norteamericano Thomas Berry, “la Tierra es una comunión de sujetos, no una colección de objetos”. El Mandato de la Tierra del que hablan muchos activistas nos conmina por consecuencia a ‘vivir de tal forma que todos puedan vivir’. Este mandato es atendido con mayor facilidad por los pueblos-territorio: “Somos la continuidad de la tierra, miremos desde el corazón de la tierra” (Marcus Yule, gobernador nasa). No en vano es la relación con la Tierra central a las luchas indígenas, afro, y campesinas en el contexto actual.

Desde esta perspectiva, el gran desafío para la izquierda y al autonomismo es aprender a sentipensar con la Tierra. Escuchar profundamente tanto el grito de los pobres como el grito de la Tierra (L. Boff, Laudato Si). Es refrescante pensar que de las tres vertientes mencionadas la más antigua es esta tercera. Viene desde siempre, desde que los pueblos aprendieron que eran Tierra y relación, expresiones de la fuerza creadora del universo, que todo ser es ser-Tierra. Podemos decir, sin caer en anacronismo alguno, que las ‘cosmogonías’ de muchas culturas del mundo son el pensamiento primigenio de la Tierra. Es el pensamiento cosmocéntrico de los tejidos y entramados que conforman la vida, aquel que sabe, porque siente, que todo en el universo está vivo, que la conciencia no es prerrogativa de los humanos sino una propiedad distribuida en todo el espectro de la vida. Es el pensamiento de aquellos que defienden la montaña contra la minería porque ella es un ser vivo (M. de la Cadena), o los páramos y nacimientos de agua porque son el origen de la vida, con frecuencia lugares sagrados donde lo humano, lo natural, y lo espiritual se funden en un complejo entramado vital.

El pensamiento de la tierra subyace las concepciones de territorio. “Tierra puede tener cualquiera, pero territorio es otra cosa”, dicen algunos mayores afrodescendientes en el Pacífico colombiano, gran territorio negro. El territorio es el espacio para la enacción de mundos relacionales. El territorio es el lugar de aquellos que cuidan la tierra, como lucidamente lo expresaran las mujeres de la pequeña comunidad negra de La Toma en el Norte del Cauca, movilizadas contra la minería ilegal de oro: “A las mujeres que cuidan de sus territorios. A las cuidadoras y los cuidadores de la Vida Digna, Sencilla y Solidaria. Todo esto que hemos vivido ha sido por el amor que hemos conocido en nuestros territorios. Nuestra tierra es nuestro lugar para soñar con dignidad nuestro futuro. Tal vez por eso nos persiguen, porque queremos una vida de autonomía y no de dependencia, una vida donde no nos toque mendigar, ni ser víctimas” (Carta abierta de Francia Márquez, líder de La Toma, abril 24 del 2015). Marchando y defendiendo sus derechos, las mujeres de La Toma afirman que “el territorio es la vida y la vida no se vende, se ama y se defiende”.

También encontramos el pensamiento de la Tierra en la cosmoacción de muchos pueblos indignas. El Plan de Vida del pueblo misak, por ejemplo, se explica como una propuesta de “construcción y reconstrucción de un espacio vital para nacer, crecer, permanecer y fluir. El plan es una narrativa de vida y sobrevivencia, es la construcción de un camino que facilita el tránsito por la vida, y no la simple construcción de un esquema metodológico de planeación” (en: Quijano 2012: 263). Por esto, muchos pueblos describen su lucha política como ‘la liberación de la Madre Tierra”. La pregunta clave para estos movimiento es: ¿cómo mantener las condiciones para la existencia y la re-existencia frente al embate desarrollista, extractivista y modernizador?Esta pregunta y el concepto de liberación de la Madre Tierra, son potentes conceptos para toda práctica política en el presente: para la izquierda y los procesos autonómicos tanto como para las luchas ambientales y por otros modelos de vida. Vinculan justicia ambiental, justicia cognitiva, autonomía, y la defensa de mundos (J. Martínez-Alier, V. Toledo).

Para nosotros, los urbano-modernos, que vivimos en los espacios más marcados por el modelo liberal de vida (la ontología del individuo, la propiedad privada, la racionalidad instrumental y el mercado), la relacionalidad constituye un gran desafío, dado que se requiere un profundo trabajo interior personal y colectivo para desaprender la civilización de la desconexión, del economismo, la ciencia y el individuo. Quizás implica abandonar la idea individual que tenemos de práctica política radical. ¿Cómo tomamos en serio la inspiración de la relacionalidad? ¿Cómo re-aprendemos a inter-existir con todos los humanos y no-humanos? ¿Debemos recuperar cierta intimidad con la Tierra para re-aprender el arte de sentipensar con ella? ¿Como hacerlo en contextos urbanos y descomunalizados?

¿Salir de la modernidad?

El desclasamiento epistémico de la izquierda implica atreverse a cuestionar el desarrollo y la modernidad. Solo de esta forma podrá el pensamiento de izquierda participar en pensar y construir las transiciones civilizatorias que se adumbran desde el pensamiento autonómico y de la Tierra. Como es bien sabido, el progresismo de las últimas dos décadas ha sido profundamente modernizador, y su modelo económico está basado en el núcleo duro de premisas de la modernidad, incluyendo el crecimiento económico y el extractivismo.

Tanto en el Norte Global como en el Sur Global, el pensamiento de las transiciones tiene muy claro que las transiciones deben ir más allá del modelo de vida que se ha impuesto en casi todos los rincones del mundo con cierta visión dominante de la modernidad. Salir de la modernidad solo se logrará caminando apoyados en las tres vertientes mencionadas. Sanar la vida humana y la Tierra requieren de una verdadera transición “del período cuando los humanos eran una fuerza destructiva sobre el planeta Tierra, al período cuando los humanos establecen una nueva presencia en el planeta de forma mutuamente enriquecedora” (T. Berry). Significa caminar decididamente hacia una nueva era, que algunos denominan como ‘Ecozoica’ (la casa de la vida; T. Berry/L. Boff). El cambio climático es solamente una de las manifestaciones más patentes de la devastación sistemática de la vida por la modernidad capitalista.

La liberación de la madre Tierra, concebida desde el cosmocentrismo y la cosmoacción de muchos pueblos-territorio, nos invitan a ‘disoñar’ el diseño de mundos. Este acto de disoñacion y de diseño tiene como objetivo reconstituir el tejido de la vida, de los territorios, y de las economías comunalizadas. Como lo dice un joven misak, se trata de convertir el dolor de la opresión de siglos en espereza y está en la base de la autonomía. Para los activistas afrocolombianos del Pacífico, tan impactado por las locomotoras desarrollistas, esta región es un Territorio de Vida, Alegría, Esperanza, y Libertad. Hay un sabio principio para la práctica política de todas las izquierdas en la noción de tejer la vida en libertad.

Las tres vertientes presentadas no constituyen un modelo aditivo sino de múltiples articulaciones. No son paradigmas que se reemplazan nítidamente unos a otros. Queda claro, sin embargo, la necesidad de que la izquierda y el autonomismo (y el humano) devengan Tierra. El humano ‘post-humano’ – aquel ‘humano’ que emerja del final del antropocentrismo – habrá de aprender de nuevo a existir como ser vivo en comunidades de humanos y no-humanos, en el único mundo que verdaderamente compartimos que es el planeta. La re-comunalización de la vida y la re-localización de las economías y la producción de los alimentos en la medida de lo posible – principios claves de los activismos y diseños para la transición – se convierten en principios apropiados para la práctica teórico-política del presente. En esto yace la esperanza; al fin y al cabo, “la esperanza no es la certeza de que algo pasará, sino de que algo tiene sentido, pase lo que pase” (G. Esteva).

Aquellos que aun insistan en la vía del desarrollo y la modernidad son suicidas, o al menos ecocidas, y sin duda históricamente anacrónicos. Por el contrario, no son románticos ni ‘infantiles’ aquellos que defienden el lugar, el territorio, y la Tierra; constituyen la avanzada el pensamiento pues están en sintonía con la Tierra y entienden la problemática central de nuestra coyuntura histórica, las transiciones hacia otros modelos de vida, hacia un pluriverso de mundos. No podemos imaginar y construir el postcapitalismo (y el postconflicto) con las categorías y experiencias que crearon el conflicto (particularmente el desarrollo y el crecimiento económico). Saltar al Buen Vivir sin completar la fase de industrialización y modernización es menos romántico que completarla, ya sea por la vía de la izquierda o de la derecha. No podemos construir lo nuestro con lo mismo … lo posible ya se hizo, ahora vamos por lo imposible (Activistas indígenas, campesinos y Afrodescendientes, Tramas y Mingas por el Buen Vivir, Popayán, 2014).

Podremos atrevernos a afirmar que Abya Yala/Afro/Latino-América hoy presenta al mundo, en la complejidad de su pensamiento crítico en las tres vertientes tan esquemáticamente resumidas, un modelo diferente de pensar, de mundo, y de vida. En esto – y a pesar de todas las tensiones y contradicciones entre las vertientes y al interior de cada una de ellas – radicaría ‘la diferencia latinoamericana’ para la primera mitad del Siglo XXI. Algo que si podemos decir con certeza, con la gran Mercedes Sosa, es que pueblos, colectivos, movimientos, artistas e intelectuales caminan la palabra ‘por la cintura cósmica del sur’ en ‘la región más vegetal del tiempo y de la luz’ que es el hermoso continente que habitamos. Gracias a la vida, que nos ha dado tanto…


Arturo Escobar es profesor de antropología en la Universidad de Carolina del Norte en Chapel Hill e Investigador Asociado del Grupo Cultura/Memoria/Nación de la Universidad del Valle en Cali. Ha sido profesor visitante de universidades en Ecuador, Argentina, España, Finlandia, Mali, Holanda, e Inglaterra. Sus intereses principales son: la ecología política, el diseño ontológico, la antropología del desarrollo, los movimientos sociales y la tecnociencia. Durante los últimos veinte años ha colaborado con organizaciones y movimientos sociales afro-colombianos en la región del Pacífico colombiano, particularmente el Proceso de Comunidades Negras (PCN). Su libro más conocido es La invención del desarrollo (1996, 2ª. Ed. 2012). Sus libros más reciente son Territorios de Diferencia: lugar, movimiento, vida, redes (2010); Una minga para el postdesarrollo(2013); y Sentipensar con la Tierra. Nuevas lecturas sobre desarrollo, territorio y diferencia (2014). Algunos de sus textos pueden ser consultados en http://aescobar.web.unc.edu/

DOCUMENTAL Y COMUNICADO SOBRE EL EJIDO TILA

Les enviamos nuestro comunicado de parte del Ejido Tila y las autoridades ejidales para enviarles agradecimientos y presentarles nuestro documental donde les pedimos su difusion y para que lo conoscan en diferentes lugares.
Imágenes integradas 1
COMUNICADO DEL EJIDO TILA A 29 DE DICIEMBRE DEL 2015
AL CONGRESO NACIONAL INDIGENA  (CNI)
A LA COMISION SEXTA DEL EZLN
A LOS ADHERENTES DE LA SEXTA NACIONAL E INTERNACIONAL
A TODAS LAS ORGANIZACIONES SOCIALES NO GUBERNAMENTALES
ALOS DEFENSORES DE DERECHOS HUMANOS NO GUBERNAMENTALES NACIONALES E INTERNASIONALES
A LOS COMPAÑEROS Y COMPAÑERAS LES ENVIAMOS UN CORDIAL SALUDO Y FELIZ NAVIDAD Y PROSPERO AÑO NUEVO 2016 QUE LA PAZ LLEGUE EN CADA UNO DE SUS HOGARES Y MUCHO ANIMO EN LAS LUCHAS PORQUE JUNTOS Y ORGANIZADOS TENEMOS QUE SEGUIR CONSTRUYENDO NUESTRO CAMINO POR LA JUSTICIA, TIERRA Y LIBERTAD PARA NUESTROS PUEBLOS.
QUEREMOS MANIFESTAR COMO HERMANOS Y COMPAÑEROS QUE LES AGRADECEMOS DE TODO CORAZON POR EL GRAN APOYO QUE NOS BRINDARON CUANDO REALMENTE NOS ENCONTRAMOS EN MOMENTOS DIFICILES CUANDO ESTABAMOS  BUSCANDO LA SOLUCION DE NUESTRA PROBLEMÁTICA, SITUACION QUE ESTABAMOS VIVIENDO CONTRA LOS  TRES NIVELES DE GOBIERNO, CON LAS GRANDES INJUSTICIAS DEL MAL GOBIERNO. DE PARTE DE LAS MILES DE FAMILIAS QUE COMPONEN EL EJIDO TILA EN SUS BARRIOS DEL POBLADO Y SUS COMUNIDADES LES ESTAMOS AGRADECIDOS DE CORAZON POR SU APOYO Y POR MANTENERSE ATENTOS Y DIFUNDIR SOBRE EL ACUERDO DE NUESTRO PUEBLO DE RECUPERAR SU LIBRE DETERMINACION, DE RECONOCER NUESTRA PROPIAS AUTORIDADES Y AUTOGOBIERNO DONDE HOMBRES Y MUJERES TUVIMOS QUE RETOMAR EL ARTICULO 2 FRACCION 2 Y EL CONVENIO 169 DE LA OIT Y, ASI RESOLVER NUESTRA PROPIA VIDA INTERNA Y NOS FUNDAMENTAMOS CON EL ARTICULO 39 DE LA CONSTITUCION SOBRE LA INEALIENABLE DERECHO DE ALTERAR Y MODIFICAR EN TODO EL TIEMPO LA FORMA DE GOBIERNO.
COMO PARTE DE LOS TRABAJOS PARA LA DEFENSA DE LA TIERRA Y TERRITORIO LES QUEREMOS PRESENTAR ESTE VIDEO DOCUMENTAL DE NUESTRO EJIDO TILA QUE SE LLAMA MI LAK TYEÑ KOTYAÑ LAK ÑA LUM, EJIDO TILA, CHIAPAS QUE SIGNIFICA JUNTOS DEFENDEMOS NUESTRA MADRE TIERRA EN NUESTRO IDIOMA CHOL PARA MOSTRARLES SOBRE NUESTRA LUCHA EN DEFENSA DE NUESTRA TIERRA Y TERRITORIO. CON ESTE TRABAJO QUISIMOS QUE LO MIREN Y CONOZCAN NUESTRO PUEBLO DE TILA DONDE HABITAMOS MILES DE FAMILIAS Y QUE LA DEFENDEMOS Y LES PEDIMOS SU LIBRE DIFUSION PARA QUE MAS GENTE CONOZCA.
TAMBIEN APROVECHAMOS DE DARLES EN SU CONOCIMIENTO QUE EL COMPAÑERO QUE FUE HERIDO POR EL DIRECTOR DE LA POLICIA MUNICIPAL, MANDO UNICO; LO CUAL DESCONOCEMOS EL ORIGEN DEL AGRESOR CONTRATADO POR EL PRESIDENTE: EDGAR LEOPOLDO GOMEZ GUTIERREZ, QUIEN ESTA APOYADO POR EL GOBIERNO ESTATAL Y LAS FUERZAS FEDERALES. PERO EL COMPAÑERO EJIDATARIO ESTA FUERA DE PELIGRO Y ESTA RECIBIENDO ATENCION INDEPENDIENTE Y CUENTA CON EL APOYO TOTAL DE PARTE DE NUESTRO PUEBLO INDIGENA CHOL, ASI FUE ACORDADO CON SU FAMILIA, AGRADESIENDO TODO SU APOYO POR LA DIFUSION DE LA DENUNCIA DE ESTOS HECHOS QUE SE CONOZCA SUS ACTOS CRIMINALES DEL GOBIERNO.
Y LES QUEREMOS INFORMAR QUE HASTA HOY EN DIA SE HA HECHO LOS TRABAJOS DE LIMPIEZA Y SEGURIDAD SIN  PROBLEMAS Y ASI VAMOS EJERCIENDO NUESTRO COMPROMISO TANTO HOMBRES Y MUJERES EN NUESTRO NUCLEO DE POBLACION EJIDAL DE FORMA PACIFICA PARA ACABAR CONTRA LA CORRUPCION Y LAS CONSTANTES AMENAZAS DE INTIMIDACIONES DEL MAL GOBIERNO EN SUS TRES NIVELES, SIN CAER EN LAS MENTIRAS QUE HAN VENIDO DICIENDO PARA CONFUNDIR A LA POBLACION AJENA AL EJIDO QUE HOY EN DIA ESTAN MAS CONVENCIDOS QUE JUNTO CON NOSOTROS VAMOS A CAMINAR POR EL BIEN DE TODO NUESTRO PUEBLO.  DESDE ESTE RINCON DE LA ZONA NORTE A TODAS Y TODOS  LES DECIMOS QUE TENGAN ANIMO PARA SEGUIR LUCHANDO POR UNA JUSTICIA DIGNA Y SIN REPRESION.
NOS HAN QUERIDO SACAR ORDENES DE APREHENSION POR EJERCER NUESTRO DERECHO EN NUESTRAS PROPIAS TIERRAS PERO NO ESTAMOS FUERA DE LA LEY COMO LO HA ESTADO EL AYUNTAMIENTO MUNICIPAL Y GOBIERNO DEL ESTADO QUE DURANTE TANTO TIEMPO HA VIOLADO NUESTROS DERECHOS, NOSOTROS SIMPLEMENTE QUISIMOS SACAR LA BASURA QUE NOS ESTORBABA EN LA CASA, A CASO SACAR LA BASURA ES UN DELITO O HAY QUE PEDIRLE PERMISO A ALGUIEN.
POR CUALQUIER COSA QUE NOS LLEGA A SUCEDER CULPAMOS DIRECTAMENTE AL C. PROFR. EDGAR LEOPOLDO GOMEZ GUTIERREZ, PRESIDENTE ACTUAL Y SUS LIDERES PARAMILITARES QUE YA SON BIEN CONOCIDOS EN NUESTRO EJIDO Y QUE SE ESTAN ORGANIZANDO;  ASI COMO, EL GOBIERNO DEL ESTADO Y FEDERAL QUE LOS ESTA DIRIJIENDO Y LOS PROTEJE DESDE HACE MUCHOS AÑOS.
LES ENVIAMOS NUEVAMENTE NUESTROS AGRADECIMIENTOS POR TODO EL APOYO QUE HEMOS RESIBIDO Y PORQUE TAMBIEN MUCHOS GRUPOS Y COMUNIDADES SE HAN ACERCADO PARA TRAER APOYOS Y PLATICAR DONDE TODOS MANIFIESTA QUE DE POR SI YA ESTAMOS CANSADOS Y QUE TENEMOS QUE LUCHAR POR NUESTRA AUTODETERMINACION Y NUESTRO DERECHO A GOBERNARNOS COLECTIVAMENTE. MUCHAS GRACIAS; QUE VIVA LA AUTONOMIA EN LOS PUEBLOS Y LA LUCHA SIGUE.
ATENTAMENTE
TIERRA Y LIBERTAD
ORGANOS DE REPRESENTACION EJIDAL
(Sellado por Presidente del Comisariado y Consejo de Vigilancia)
NUNCA MAS UN MEXICO SIN NOSOTROS
AYOTZINAPA SOMOS TODOS

Atentamente

Tierra y Libertad

Ejido Ch’ol Tila, Chiapas. Adherentes a La Sexta Declaracion
laotraejidotila.blogspot.mx

 

Intentan despojar de sus tierras a indígenas de Tila

México, DF.

La Jornada, 22 de diciembre de 2015

Por el respeto a la autonomía del ejido ch’ol de Tila, Chiapas, que legítima y legalmente acordó el traslado de las instalaciones del ayuntamiento que se encuentra de manera ilegal dentro de su territorio. Además de su historia de lucha campesina, les ampara el régimen de propiedad social sobre la tierra, hoy en las miras del gran capital. Conocemos la larga defensa de su tierra y territorio frente a instancias gubernamentales chiapanecas, que intentan despojarlas para su privatización ilegal y control político. Lo que hoy sucede en Tila es una respuesta a la historia de injusticias hacia el pueblo ch’ol, como a otros pueblos indígenas campesinos que son ejemplo de dignidad y semilleros de esperanza por tierra y libertad.

Saludamos la lucha de los ch’oles, repudiamos agresiones y actos de provocación que buscan justificar la represión y llamamos a la solidaridad con este digno pueblo.

Luciano Concheiro, Alejandro Encinas, Ilán Semo, Antonio Turrent, Elvira Concheiro, Guillermo Almeyra, Mauricio González, Cedica, 16a generación de egresados de la maestría y 8a generación del doctorado en desarrollo rural (UAM-X), Enrique Semo, Héctor Díaz-Polanco, Consuelo Sánchez, Ma. Luisa Albores, Álvaro Aguilar, Leonardo Durán, Aldegundo González, Aurelio Fernández, Jana Meza, León Ávila, Adelita San Vicente, César Navarro, Beatriz Stolowicz, Gerardo González, Yolanda Massieu, Mario Rivera, Massimo Modonesi, Gisela Espinosa, Guiomar Rovira, Jesús Ramírez, Juan Loza, Guadalupe Espinoza, Silvia Jurado, Elba Pérez, Catalina Eibenschutz, Jorge Meléndez, Violeta Núñez, Saúl López, Ernesto Scheinvar y Alberto López Limón

O Acordo de Paris: agenda do clima e as novas equações de dependência

paris

 

11 de dezembro de 2015

Camila Moreno, Grupo Carta de Belém

Ontem à noite (10/12, quinta-feira) na véspera do prazo final para o término da conferência das partes que deverá aprovar o novo acordo climático global, a presidência da COP21 divulgou uma proposta de texto, segundo eles mais ‘limpo’, pois com menos colchetes (brackets), que representam os pontos onde não há acordo. O texto foi bastante criticado por vários países, pois reitera formulações problemáticas sobre a diferenciação entre os países – uma questão central a toda a discussão e aos princípios da Convenção do Clima – e que é visto por muitos como a reiteração da tentativa constante de forjar, através de um novo acordo, também novas regras e interpretações da própria Convenção. Além disso, o novo texto inclui pontos e linguagem que não constavam nas versões anteriores. O término da COP, previsto originalmente para o final do dia de hoje, sexta-feira 11/12, já foi adiado para amanhã, pelo menos. E a presidência francesa anunciou um novo texto que deve ser circulado somente na manhã de sábado…

Estas dinâmicas e reviravoltas ‘textuais’ não são novas. Desde o Acordo de Copenhague em 2009, as COPs vêm sendo estendidas sobre os dias do final de semana (a última, em Lima, terminou as 03:00 da madrugada de domingo) além do prazo previsto e são marcadas por reviravoltas e textos facilitados ou propostos pelos chairs ou pela presidência e que vão além (ou ficam aquém) do que foi negociado pelas partes. Apesar das longas ‘Indabas’ (reuniões plenárias, participativas e que pretendem mostrar a ‘transparência’), o processo que avança, e se traduz nos textos cada vez mais aprimorados na linguagem capciosa, vai claramente sendo costurado em espaços onde poucos participam e que parece ser paralelo à dinâmica exaustiva de intermináveis sessões, todas em inglês, sem tradução, somadas às longas horas e noites de negociação que impõem esgotamento físico e mental aos negociadores, todos sob a crescente pressão política para produzir um acordo…

Apesar do espaço nivelador e conduzido pelas partes (países) do âmbito multilateral, nestas condições, a metodologia que caracteriza o modo de trabalho é a do tipo ‘rolo compressor’, com delegações de países com capacidades absolutamente díspares de seguir e fazer sentido de tudo o que vai sendo negociado e amarrado, e que acontece em múltiplas reuniões e conversas paralelas, na corrida contra o tempo. Pense por exemplo no tamanho e capacidade da delegação negociadora da União Européia em comparação com a da Bolívia ou Burundi, por exemplo.

Para quem segue de longe o que está acontecendo em Paris, parece que os debates aqui se reduzem a saber se o acordo irá buscar o limite de aumento da temperatura média do planeta em 1.5 ou 2 C, se a referência à ‘transição justa’ para os trabalhadores, aos ‘direitos humanos’ ou aos ‘povos indígenas’ (mesmo que de forma apenas retórica) aparece ou não no texto e a grande questão: quem pagará a conta. Enquanto isso, questões de suma importância como o explícito lobby nuclear – considerado pelo IPCC como energia carbono-neutro – vem ganhando espaço no pacote das tecnologias que deverão ser ‘transferidas’ aos países. As empresas de tecnologia como Google, Microsoft e Facebook reivindicam protagonismo (e oportunidades de negócios) dentro do arcabouço de contabilidade e verificação do carbono – a ‘moeda’ do clima. Da mesma forma, o agronegócio tenta implacar o pacote de agricultura climaticamente inteligente, que se traduz no objetivo de integração e subjugação dos camponeses e pequenos agricultores do mundo em desenvolvimento às cadeias globais de valor controladas por empresas como Unilever, Danone, Cargill, Nestlé. Em nome de proteger populações ‘vulneráveis’ contra as mudanças climáticas, a integração às empresas (e aos seguros agrícolas embutidos no financiamento do pacote tecnológico) é propagandeado como forma de promover e aumentar a capacidade de ‘resiliência’.

A cada nova versão do texto, e de fato, no decorrer dos últimos anos, a linguagem sobre o clima se aprimora e o conteúdo está cada vez mais codificado, tornando o já incompreensível jargão do ‘climatês’ (lembrando, sempre acrônimos para expressões em inglês) e da lógica carbonocêntrica e reducionista sobre ‘o clima’ um discurso inconciliável com o modo como no mundo real nós falamos e nos comunicamos sobre a crise ambiental. Aqui nesta COP como nas anteriores, o ‘urso polar’ é o grande ícone da ‘natureza ameaçada’, as imagens da população mais ‘vulnerável’ é sempre a de ‘nativos’ (todos de países tropicais, na maioria negros e indígenas e mulheres) representados nos cartazes, banners, publicações e vídeos em meio ao seu ambiente ‘natural’ (a selva ou paisagens agrícolas) e em visível condição de ‘pobreza’, tal como esta foi definida no imaginário do mundo ocidental. É gritante a forma como o racismo e o olhar colonial são constitutivos e estruturantes desta narrativa hipócrita que reduz todos os problemas do mundo – e as contradições intrínsecas à reprodução do capitalismo – a uma entidade chamada ‘clima’, que se traduz e materializa no mundo em ‘unidades de carbono’. Aliás, ‘unidades’ que deverão ser ‘internacionalmente transferíveis’: forma eufemística para se referir ao comércio dos ‘resultados de mitigação’.

Independente de qual seja a versão final do texto que será aprovado aqui e sua força legal, este irá se apoiar nesta premissa fundamental e dará mais um passo no caminho de incorporar a abstração global ‘carbono’ como unidade de medida para a economia internacional. A ‘visão de longo prazo’ de atores como Banco Mundial e FMI, grandes corporações e governos (como os do G7) é a ‘descarbonização’ e a transição para uma ‘economia de baixo carbono’. A introdução desta terminologia no acordo é rechaçada por muitos países que enxergam estes termos como vagos e perigosos. Em uma economia globalizada, e uma civilização historicamente e essencialmente dependente de petróleo, carvão e gás para existir enquanto tal, ‘transição’ significa a necessidade econômica de ampliar a cesta de opções energéticas, com a promoção de tecnologias mais custo-eficientes (e suas respectivas patentes), assim como construir novas infraestruturas energéticas para manter o mesmo modelo de sociedade funcionando. Sem com isso questionar o quão ideológico é o discurso do ‘desenvolvimento’ (uns já são, outros ainda não, como se houvesse um modelo pré-definido e inexorável de evolução da organização das sociedades). Além disso, o paradigma do crescimento econômico – que determina a necessidade de geração de aumento da oferta de energia – mesmo que vestido de ‘verde’, segue como um dogma inquestionável.

Estes são pontos centrais, por mais ‘vazia’ que possa parecer a versão final do acordo. Mesmo que muitos façam a crítica de que este será um acordo frágil, apontando para prazos mas empurrando decisões e definições mais para frente, Paris é mais um passo importante na cristalização de um horizonte comum. Tal como expresso nas INDCs submetidas por dezenas de países, e que vêm, através da ‘ação climática’, integrando –  e promovendo o ajuste estrutural – de políticas domésticas em seus mais variados âmbitos.

Fixar o carbono como uma métrica internacional, colocar preço ao carbono e conectar os preços do mercado internacional de energia (de base primariamente fóssil) com as políticas regulatórias do clima, é a principal equação está sendo cristalizada aqui. Um próximo passo será alinhar isso às regras de comércio internacional, que deverão ser informadas também pelo carbono (intensidade ou ‘pegada’ de carbono dos produtos).

Em função disso, a bandeira de ‘combate às mudanças climáticas’ está cada vez mais evidentemente desconectada do que são as questões ambientais concretas nos territórios e de agendas como, por exemplo, o contexto de franco retrocesso de direitos sociais e territoriais duramente conquistados ao longo das últimas décadas; a contaminação escandalosa por transgênicos e agrotóxicos que se reflete como talvez a maior agenda de saúde pública no Brasil; a exclusão e violência policial e urbana que dizima a juventude negra nas periferias brasileiras; ou a questão de fundo das (ilegítimas) dívidas externas dos países, cujo pagamento justifica e respalda a adoção de medidas de ajuste fiscal, austeridade e, não raro, privatização.

Sob esta perspectiva, a agenda ‘do clima’ que vem sendo forjada para pautar a agenda de cooperação, desenvolvimento e – muito importante – o financiamento internacional nas próximas décadas, parece que vem servindo muito mais para opacionar outras agendas e para assegurar a reprodução dos atores e do modelo hegemônico, sem questionar em nada o pano de fundo ideológico.

Neste cenário, onde se esvazia diariamente a perspectiva histórica, da dívida ecológica e de uma ordem mundial construída nos últimos séculos sob o colonialismo, é triste ver os países do sul disputando entre si, com ‘o pires na mão’, os possíveis recursos ‘para ação climática’, se submetendo à imposição da lógica de ‘pagamentos baseados em resultados’, pacotes tecnológicos e novas equações de dependência. Um desafio para o Pós Paris poderia ser a reflexão e o diálogo sobre o desafio de reconstruir narrativas que, fora das armadilhas do discurso do carbono, tragam para a linha de frente as agendas concretas que mobilizam na base e nos territórios a necessária convergência de lutas e construção de movimentos.

Disponível em:

http://www.cartadebelem.org.br/site/o-acordo-de-paris-agenda-do-clima-e-as-novas-equacoes-de-dependencia/