Seleção de bolsistas Coletivo ENCONTTRA 2017

 

  1.  SEXTA-FEIRA 07/07, 10:30H (1 bolsa)

Modalidade: Extensão (ver mais detalhes aqui)

Público: estudante oriundo de escolas públicas e que ingressou na UFPR através de cotas sociais.

Projeto: OBSERVATÓRIO DA QUESTÃO AGRÁRIA NO PARANÁ

Carga horária semanal: Bolsista: 12h

Vigência e valor da bolsa: 12 meses – R$ 400,00 / mês

 

  1. SEGUNDA-FEIRA 10/07, 10:30H (5 bolsas e 1 voluntário)

 

Modalidade: Extensão (ver mais detalhes aqui)

Público: estudante matriculado na UFPR de qualquer modalidade

Projetos: CARTOGRAFIAS PARTICIPATIVAS COMO APROXIMAÇÃO A CONFLITOS TERRITORIAIS. 3ª FASE (1 bolsa) e OBSERVATÓRIO DA QUESTÃO AGRÁRIA NO PARANÁ (3 bolsas)

Carga horária semanal: Bolsista: 12h

Vigência e valor das bolsas: 8 meses (maio-dezembro) – R$ 400,00 / mês

 

Modalidade: Iniciação Científica (IC) (1 bolsa) e Iniciação Científica Ações Afirmativas (IC-AF) (1 voluntário) (ver mais detalhes aqui)

Público: IC, estudante matriculado na UFPR de qualquer modalidade; IC-AF, cotista racial e social

Projetos: ATUALIZANDO AS DIMENSÕES DA QUESTÃO AGRÁRIA 2: POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS, GÊNERO E PROCESSOS EDUCATIVOS e TERRITÓRIOS FAXINALENSES EM ÁREAS ESPECIAIS DE USO REGULAMENTADO (ARESUR): UM DEBATE SOBRE POLÍTICA PÚBLICA, SUJEITOS E DESENVOLVIMENTO

Carga horária semanal: 20 h (bolsista remunerado) e 12 h (voluntário cotista).

Vigência e valor das bolsas: a serem definidas pela UFPR

 

 

Local da seleção de todos os processos:

Sala do Coletivo ENCONTTRA

(Centro Politécnico, Ed. JJ Bigarella, Sala 307)

Critérios de seleção:

Será realizada uma entrevista individual com os candidatos (poderá ser feita por Skype, entrar em contato previamente pelo e-mail enconttra@gmail.com).

Protestos em todo o Brasil mostram face agrária da greve geral

Camponesas protagonizaram manifestações no Nordeste; entre caminhadas e bloqueios, ministro da Justiça enxergou “baderna generalizada”

Por Alceu Luís Castilho,28 de abril de 2017


Terá sido a greve de 28 de abril uma mobilização urbana, feita por trabalhadores urbanos? A se julgar pelo que saiu na grande imprensa, ou mesmo em parte da imprensa alternativa, sim. Mas registros feitos pelo Brasil de Fato e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) contam outra história. De Olho nos Ruralistas reuniu algumas dessas imagens que mostram um protagonismo – invisibilizado – dos homens e mulheres do campo.

Sem-terra bloquearam ponte em Alegrete, no RS. (Foto: MST)

Desde a madrugada militantes do MST no Paraná bloqueavam a BR-476, no dois sentidos (confira na foto principal). O motivo político era o mesmo: o impacto das reformas trabalhista e previdenciária para os trabalhadores rurais. Em Alegrete (RS), 100 sem-terra fecharam a ponte de acesso à cidade, na BR-290.

De manhã, às 8 horas, 300 militantes do MST e sindicatos goianos trancaram a rodovia BR-020, no entorno do Distrito Federal. Motivo geográfico, segundo o Brasil de Fato: “A rodovia conecta a região do centro-oeste com o nordeste brasileiro e é central ao escoamento de commodities e defensivos agrícolas das grandes multinacionais”.

PROTAGONISMO FEMININO

No Nordeste, mulheres protagonizaram manifestações em Pernambuco e em Alagoas. Em Serra Talhada (PE), elas carregam cartazes sobre a reforma da previdência, que tem alteração específica para o caso das trabalhadoras. A mobilização de 4 mil camponeses e trabalhadores no município motivou uma audiência pública na Câmara Municipal.

Manifestação em Serra Talhada, em PE. (Foto: Eliane Vieira/ASA Brasil)

Em Alagoas, militantes do MST participaram do bloqueio de rodovia.

Bloqueio de rodovia em Alagoas. (Foto: MST)

No Mato Grosso do Sul, sem-terra e indígenas da etnia Guarani-Kaiowá se uniram em protesto:

SERRAGLIO: “BADERNA GENERALIZADA”

Em Brasília, servidores do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), afetado por cortes do governo Temer, também participaram da greve geral.

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, não identificou uma greve no Brasil neste 28 de abril. Apenas uma “baderna generalizada“.

Em Goiânia, trabalhadores rurais ocuparam a Secretaria de Estado da Agricultura

DO OUTRO LADO

Coube a um site sobre o agronegócio, o Agrosoft, identificar na greve geral uma “resistência ao governo Temer”.

Em entrevista à revista Globo Rural, porém, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, ironizou a mobilização de camponeses e trabalhadores rurais: “Sou produtor rural, não entendo de greve“.

Alceu Castilho

Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP). Pós-graduando em Geografia Humana na USP. Autor do livro “Partido da Terra – como os políticos conquistam o território brasileiro” (Editora Contexto, 2012). Editor e coordenador do De Olho nos Ruralistas, um observatório jornalístico sobre agronegócio no Brasil.

 

NOTA PÚBLICA SOBRE A RETOMADA DE TERRAS NO 5° DISTRITO DE SÃO JOÃO DA BARRA, RIO DE JANEIRO

 

Desde o dia 19 de abril de 2017, agricultores e agricultoras organizados pela ASPRIM, com apoio do MST-RJ, mantém ocupação no 5° distrito de São João da Barra-RJ para exigir a devolução de suas terras. As famílias foram expropriadas por decreto desapropriatório, envolvendo o governo Sergio Cabral e Eike Batista, e passados quase nove anos do decreto, as terras continuam sem uso. A luta por direitos e por dignidade não podem ser discutidas sem a devolução das terras.

Abaixo segue a nota pública sobre a ocupação. As organizações, coletivos, movimentos, redes ou pessoas que apoiam esta luta, podem enviar adesões para os emails

Eduardo Barcelos – eduasb@gmail.com
Ana Costa – costa_ana@id.uff.br

Precisamos fazer crescer esta articulação e apoio a luta pela retomada das terras.

Nenhum direito a menos!

NOTA PÚBLICA SOBRE A RETOMADA DE TERRAS NO
5° DISTRITO DE SÃO JOÃO DA BARRA, RIO DE JANEIRO

Desde a manhã do dia 19 de abril de 2017, cerca de 100 agricultores e agricultoras da região do
Açu, município de São João da Barra-RJ seguem com a luta pela retomada de suas terras,
expropriadas pelo governo Sergio Cabral e pelo Grupo EBX, de Eike Batista. Sob a
responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), as
terras foram tomadas dos/as agricultores/as por ato desapropriatório e entregues a empresa LLX,
que tinha por interesse a implantação de um distrito industrial na área do entorno do Porto do
Açu. Através de um termo precário e de pagamentos irrisórios, a CODIN autorizou a empresa de
Eike a entrar e tomar a posse destas terras.
A ASPRIM (Associação dos Proprietários Rurais e Imóveis de São João da Barra), com o apoio
do MST, exige a devolução e retomada imediata da posse das terras, principalmente pela perda
de finalidade do objeto que motivou o decreto desapropriatório, com o não uso de grande parte
desta área pelo empreendimento portuário. Hoje, após quase 9 anos de publicação do decreto,
mais de 85% das terras desapropriadas não foram usadas e não cumprem sua função social, nem
mesmo as finalidade atribuídas ao decreto. Além disso, as recentes prisões de Eike e Cabral
revelaram a forma fraudulenta e criminosa das negociações e das tratativas envolvendo a
desapropriação, feita a base da compra de decisões e corrupção, o que reforça a caráter ilegal do
decreto. No fundo, trata-se de uma quadrilha criminosa que expropriou a vida, o trabalho e a
dignidade das famílias agricultoras do Açu.
Portanto, o movimento de retomada das terras é um ato de justiça e deve ser aclamado e não pode
recuar. Conclamamos toda a sociedade, sindicatos de trabalhadores, grupos de pesquisa, coletivos
organizados, movimentos sociais, mídias independentes a manifestar apoio e solidariedade à
ocupação (retomada) de terras no 5º distrito de São João da Barra pelos agricultores e agricultoras.
É hora de unir forças, multiplicar a luta e manifestar todo apoio e solidariedade. Nossa luta é por
justiça!
Nenhum direito a menos!
Pela devolução imediata das terras do Açu aos agricultores e agricultoras!
Pela anulação do decreto desapropriatório!
Pela vida, pelos alimentos e pela restinga!
São João da Barra, 23 de abril de 2017Assinam esta nota:
Associação de Proprietários Rurais e Imóveis de São João da Barra -ASPRIM
Carlos Walter Porto Gonçalves – Geógrafo e Professor do Departamento de Geografia da UFF
Comissão Pastoral da Terra – Rio de Janeiro (CPT-RJ)
Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Geografia Agrária – GEOAgrária/UERJ/FFP
Grupo de Trabalho em Assuntos Agrários da AGB (Associações dos Geógrafos Brasileiros),
seções Rio de Janeiro-Niterói
Laboratório de Estudos de Movimentos Sociais e Territorialidades – LEMTO/UFF
Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente a Mineração – MAM
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Núcleo de Estudos sobre Território, Ações Coletivas e Justiça – NETAJ/UFF
Rede de Articulação e Justiça dos Atingidos do Projeto Minas Rio – REAJA

NOTA DA ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS (AGB) SOBRE AS ALTERAÇÕES NO CENSO AGROPECUÁRIO NACIONAL-IBGE

A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), os Grupos e os Laboratórios de Pesquisa em Geografia, Economia e Ciências Humanas e Sociais, ao tomarem conhecimento das alterações propostas pela Diretoria de Pesquisas da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o Censo Agropecuário Nacional, vem a público manifestar o seu repúdio a mais uma ação de precarização e imputação de prejuízos à Ciência Nacional, atingindo sobremaneira a qualidade dos dados produzidos e, consequentemente, a possibilidade de construção de conhecimento sobre o agrário e o agrícola do país, que possa subsidiar devidamente a elaboração de políticas sociais e de desenvolvimento para o campo brasileiro. A Diretoria de Pesquisas do IBGE, sob o repetido discurso de ausência de recursos, promove uma redução na quantidade e na qualidade de informações a serem levantadas pelo Censo Agropecuário da ordem de 60%. Tal redução concorre com:

a) a perda histórica de dados que já vem sendo consumada com o comprometimento da regularidade na periodicidade de 10 anos para a realização do Censo, e que, se concretizada tal redução, perde ainda mais a capacidade de análise espacial e temporal comparativas, bem como dos resultados sociais produzidos pelas inúmeras políticas públicas realizadas pelo Estado brasileiro;

b) a impossibilidade de análise dos processos de desenvolvimento da produção familiar, eliminando as informações relativas ao maior universo social do campo brasileiro, os camponeses (agricultores familiares), considerando que estes sujeitos sociais respondem por mais de 70% da produção nacional de alimentos e mais de 80% do pessoal ocupado no campo brasileiro e foram beneficiários das várias políticas públicas voltadas para a produção, a assistência técnica, a comercialização e a distribuição de alimentos, tais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), entre outras, que consolidaram a rede Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), e que também colherá prejuízos de acompanhamento de seus resultados;

c) o não reconhecimento da importância de dados sobre a produção agroecológica e uso de agrotóxicos, uma vez que a retirada das questões sobre os processos produtivos impossibilitam identificar as mudanças nas práticas de manejo ambientalmente corretas e o reconhecimento do pluralismo social e tecnológico da produção agrícola brasileira, e,

d) a obtusa leitura do espaço rural, no que diz respeito às informações acerca do uso e da disponibilidade dos recursos hídricos que, atualmente, não mais se coloca como um problema isolado das áreas semiáridas do país, mas se revela num problema central deabastecimento e na produção agrícola e agroindustrial em todas as regiões, atingindo drasticamente os grandes centros urbanos e suas áreas limítrofes, concorrendo com a utilização das águas subterrâneas e produzindo quadros generalizados de baixa disponibilidade hídrica. Neste caso, perde-se, inclusive, os resultados das políticas de construção de cisternas e tecnologias sociais de abastecimento público. Considera-se, ainda, que a ausência de tais questões, obscurece à sociedade brasileira o peso que a produção agrícola e agroindustrial de commodities têm sobre o consumo de água, e continua-se a colocar sobre cada cidadão individualmente a responsabilidade sobre a crise hídrica nacional.

Trata-se de uma medida que representa a omissão de informações e a busca de invisibilização social, econômica e produtiva da maior parte dos produtores agrícolas brasileiros. Assim a AGB e as entidades que subscrevem este documento, conclamam seus associados, pesquisadores, entidades científicas e ao qualificado corpo técnico do IBGE, que se oponham a este processo de precarização da Ciência Nacional, impeçam os sérios prejuízos à produção do conhecimento e denunciem o objetivo central dessas alterações: desvanecer a importância da contribuição do trabalho e da produção familiar camponesa à sociedade brasileira.

São Paulo, 28 de março de 2017.

AGB – ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS

DIRETORIA NACIONAL

 

ANPEGE – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia

ABRA – Associação Brasileira de Reforma Agrária

AGRÁRIA – Laboratório de Geografia Agrária – (USP), São Paulo-SP

CEGET – Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (UNESP), P. Prudente-SP

CEAT – Centro de Estudos Agrários e do Trabalho. UEPB – Campinas Grande – PB

CETAS – Centro de Estudos do Trabalho, Ambiente e Saúde (UNESP), P. Prudente-SP

COLETIVO QUEIXADA – Curso de Licenciatura em Geografia (UFPR), Setor Litoral-PR

ENCONTTRA – Coletivo de Estudos sobre Conflitos pelo Território e pela Terra (UFPR), Curitiba-PR

GEA – Grupos de Estudos e Pesquisa em Geografia Agraria, Universidade Regional do Cariri – URCA

Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Geografia Agrária da FFP/UERJ.

GEOLUTAS – Geografia das Lutas no Campo e na Cidade (UNIOESTE), Marechal C. Rondon-PR

GETERR – Grupo de Estudos Territoriais (UNIOESTE), Francisco Beltrão-PR

GPECT/PPGEO – Grupo de Pesquisa Estado, Capital e Trabalho (UFS), São Cristóvão -SE

GRUPO PET GEOGRAFIA – UFAC, Rio Branco, AC

LABERUR – Laboratório de Estudos Rurais e Urbanos (LABERUR/UFS) São Cristóvão – Se

LAB. ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE ESPAÇO AGRÁRIO E CAMPESINATO/UFPE, Recife-PE

LABOTER/TRAPPU – (UFG), Goiânia-GO LAEPP (CEAPLA) – (UNESP), Rio Claro-SP

LAGEA – Laboratório de Geografia Agrária (UEM), Maringá-PR

LAGEA – Laboratório de Geografia Agrária (UFU), Uberlândia – MG

LATEC – Laboratório de Análises Territoriais Campo-Cidade (UEL), Londrina-PR

LATER – Laboratório de Estudos Territoriais, PPGEO-UFS

NAPTERRA – Núcleo de Apoio aos Povos da Terra (UNILA), Foz do Iguaçu-PR

NATRA – (UNESP),Franca-SP

NERA – Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (UNESP), P. Prudente-SP

OBSERVATÓRIO DA QUESTÃO AGRÁRIA DO PARANÁ – UFPR – Curitiba- PR

REDE DATA LUTA – Grupos de Pesquisa sobre a Luta pela Terra, Brasil

TRAMAS – Terra, Trabalho, Memória e Migração (UFSCAR), São Carlos-SP

Carta aberta para que a Universidade continue sendo um espaço de debate de ideias…

Curitiba, 27 de março de 2017

Carta aberta para que a Universidade continue sendo um espaço de debate de
ideias e de ações e contra as agressões nas redes sociais após a Ciranda de
Debates “A reforma do ensino médio na Geografia: enfrentando a
desinformação e o descaso”organizada no Departamento de Geografia. Uma
mensagem de apoio e concordância com a Professora Mônica Ribeiro da Silva


No dia 10 de março de 2017, o Coletivo de Estudos sobre Conflitos pelo Território e
pela Terra (ENCONTTRA), grupo de pesquisa do Departamento de Geografia,
organizou uma Ciranda de Debates com o tema: “A reforma do ensino médio na
Geografia: enfrentando a desinformação e o descaso”. O objetivo desta ciranda era
informar e debater com a comunidade universitária, especificamente com os
educandos do curso de geografia, a reforma do ensino médio e seus possíveis
desdobramentos, diante das escassas informações que circulam na
sociedade,inclusive no âmbito de um curso de licenciatura como o nosso.Da Ciranda
participaram como debatedores a profª. Ângela Massumi Katuta (UFPR/Setor
Litoral),a profª. Mônica Ribeiro da Silva (UFPR/Setor de Planejamento de Educação
Escolar) e o prof. William Simões (UFFS/Chapecó). Todos eles com um enorme
acúmulo de estudos e experiências sobre o tema.
A despeito da ciranda e dos debates terem ocorrido como de praxe na instituição
universitária, com um público de mais de 60 pessoas e com uma circulação da
palavra que respeitou todos os presentes, fomos informados pela profª. Mônica
Ribeiro da Silva que o prof. Luís Lopes Diniz Filho, docente do curso de Geografia,
que estava entre o público presente na ciranda, fez uma postagem no seu blog no
qual fazia ataques pessoais à professora. A postagem ocorreu no dia 14 de março
(ver no endereço do Blog Tomatadas: http://tomatadas.blogspot.com.br/) e foi
publicado em outro blog de forma mais ofensiva ainda no dia 21 do mesmo mês (ver
no endereço do Blog Vista Direita: http://www.vistadireita.com.br/blog/professoradoutrinadora-da-ufpr-e-pega-no-pulo/).
Compreendemos que a instituição universitária pública possui a autonomia e a
obrigação de realizar amplo debate sobre as recentes transformações propostas
pelo Governo Federal que lhe afetam e sobre as quais são feitas diversas pesquisas
e mobilizações. Entendemos também que o papel da instituição em tempos de
ataque ao Estado Democrático de Direito é o de fomentar a constituição de espaços
de debates, nos quais cada profissional tenha a liberdade de se posicionar de
acordo com suas pesquisas, seus referenciais teórico-metodológicos,
epistemológicos, filosóficos e, consequentemente, suas opções societárias e
políticas em torno de temas candentes para a sociedade brasileira como um
todo.Assim, compreendemos que compõe o
ethos da instituição universitária e dos
que nela estudam e trabalham os embates, questionamentos e disputas políticas por
processos civilizadores e projetos os mais diversos de sociedade brasileira.É neste

sentido que entendemos que esse tipo de ações nos ajuda a construir uma
Universidade onde o pensamento crítico e o compromisso social saiam revigorados,
sempre com a premissa do fortalecimento de uma democracia real e do
cumprimento da missão da UFPR que nos é tão cara: “Liberdade na construção e
autonomia na disseminação do conhecimento”.
Nesta perspectiva, em nossa avaliação, as ações realizadas pelo prof. Diniz Filho
não contribuem para o bom, amplo e livre debate e fortalecimento da democracia
institucional. Pelo contrário, prejudica a todos, inclusive a ele mesmo e ao próprio
Departamento e Curso onde trabalha, na medida em que outros profissionais
convidados pela casa podem declinar convites para palestras e debates, pois podem
ter receio de sofrerem ataques pessoais deste tipo. Como o que sofreu a profª.
Mônica, com uma exposição pessoal e unilateral nas redes sociais, onde uma única
versão é colocada a público, após um debate público. Essas opiniões expressas fora
do calor do debate cara a cara, merecem todo o nosso repúdio, sobretudo, nesse
momento tão perigoso de auge da “pós-verdade” e da tirania dos fatos alternativos
de quem grita mais alto nas redes sociais.
Assim, entendemos que é fundamental que debatamos amplamente no nosso Curso
esse tipo de postura antiética para não sermos todos arrastados pela fama inglória
do Departamento concordar com práticas que apenas buscam a polêmica a
qualquer custo. Parafraseando uma célebre citação do jornalismo, poderíamos dizer
que essa postura prima pelo seguinte princípio: “não deixe que a verdade estrague
um bom e polêmico
post”. Somos contra tais atitudes, juntamente com muitos outros
que participam dessa comunidade universitária.
O ENCONTTRA deixa claro que não concorda com esse tipo de manobras que nos
desgastam e nos afastam dos debates centrais: como a reforma do Ensino Médio, a
terceirização, a “escola sem partido” e o pacote de eliminação de direitos que são
aprovados compulsoriamente e que afetam nosso curso, os estudantes e os já
formados? Temos preocupação com estes temas e sempre abertos ao diálogo, por
isso, queremos mostrar nossa mais firme solidariedade com os posicionamentos da
profª. Mônica Ribeiro da Silva, que tem mostrado sua defesa irrestrita da
universidade pública, gratuita e de qualidade, construída com espírito crítico por
meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão. Além da solidariedade também
queremos expressar nosso agradecimento e nossa dívida por compartilhar sua
experiência e seus conhecimentos na Ciranda de Debates de 10 de março e,
tomara, nos desafios que enfrentaremos pela frente.
Obrigado Mônica pelo teu papel na construção de uma universidade efetivamente
democrática que também temos tentado construir!
Coletivo de Estudos sobre Conflitos pelo Território e pela Terra (ENCONTTRA)
Grupo de pesquisa do Departamento de Geografia/UFPR

O Partido do “Escola sem Partido”

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Monica Ribeiro Silva*

http://www.observatoriodoensinomedio.ufpr.br/o-partido-do-escola-sem-partido/


Desde 2004 vem sendo divulgado no Brasil um movimento que se auto intitula “Escola sem
Partido”. A pretexto de defender uma educação fundada em uma pretensa “neutralidade”, o
movimento, em seu Programa, designa qualquer processo educativo que não esteja baseado
nessa premissa como sendo “doutrinação”.
Mas, seria mesmo “sem partido” o “Escola sem Partido”, ou, ao defender o que defende já não
estaria o movimento tomando partido?
Vejamos: a par dos pilares “defesa da neutralidade” e “contra a doutrinação” o “Escola sem
Partido” se organiza em torno de um
modus operandi. Em seu modo de fazer propõe a proibição
de determinados assuntos ou abordagens e a punição de professores que não obedeçam a esses
princípios e determinações.
Dentre os assuntos privilegiados está o que denomina “ideologia de gênero” e dentre as formas
está, em especial, a abordagem das questões sociais, que deveriam ser tratadas de forma neutra
e o “mais objetiva possível”. A ausência de objetividade estaria, sobretudo, ao ser feita qualquer
menção direta ou indireta a umas das vertentes clássicas da Sociologia, o marxismo.
(
http://www.programaescolasempartido.org/).
O programa do “Escola sem Partido” pretende instituir nas escolas um conjunto de medidas,
como por exemplo um cartaz a ser afixado em cada sala de aula dizendo quais assuntos ou
abordagens seriam proibidos e que, em caso do não atendimento, incorreria o/a professor/a em
“abuso da liberdade de ensinar” e deveria ser, por essa razão, punido. Para que este processo

funcione, o modus operandi se instituiria pela delação por parte de estudantes ou responsáveis
aos gestores escolares e/ou dos sistemas de ensino.
E aqui começam os indícios para a resposta à pergunta formulada.
A prática da delação, por si só, é antieducativa, haja vista que incentiva posturas que rompem
com a relação de confiança absolutamente fundante da relação pedagógica entre
professores/as e estudantes (Frigotto, 2016); como resultado imediato da delação está a
institucionalização da perseguição ao/à educador/a que teria infringido a regra; delação e
perseguição trazem consigo um terceiro elemento: a intolerância (como por exemplo a que
deriva do assunto “ideologia de gênero”), e um quarto: a punição.
Pois bem, ao tomar partido por esses princípios e métodos, o “Escola sem Partido” evidencia
que age fazendo aquilo que condena: apregoar “delação”, “perseguição”, “intolerância” e
“punição” nada tem de neutro, pelo contrário, tem um compromisso franco e aberto com um
dos movimentos mais perversos da história da humanidade: o fascismo. Este é o partido do
“Escola sem Partido”.
O partido do “Escola sem Partido” é também o antimarxismo, verdadeira obsessão entre seus
adeptos. Derivado dessa postura está a relativização de assuntos como a pobreza e as
desigualdades econômicas e sociais, por vezes tratadas como “ideologias” que impediriam o
desenvolvimento capitalista. Aqui vale lembrar uma frase atribuída a Max Weber: “neutro é
quem já se decidiu pelo mais forte” (Buschbaum, 2004), neste caso, os grandes proprietários e
corporações. Este é o partido do “Escola sem Partido”, esta a sua parcialidade.
Resta analisar que tipo de educação poderia resultar desses princípios e práticas. A esse
respeito, pela proximidade temática vale recorrer a Theodor W. Adorno, sem dúvida um grande
estudioso das relações entre educação e nazismo, versão alemã do fascismo. Para este filósofo,
a educação, sobretudo a que ocorre “após Auschwitz”, precisa, necessariamente, conduzir à
autonomia intelectual e moral e à autoconsciência dos indivíduos, para que a maior barbárie
dentre todas jamais se repita.
Se avaliarmos o potencial objetivo de sobrevivência do nazismo com a
gravidade que lhe atribuo, então isto significará inclusive uma
limitação da pedagogia do esclarecimento. Quer seja ela psicológica
ou sociológica, na prática só atingirá os que se revelarem abertos a ela,
que são justamente aqueles que se fecham ao fascismo. (Adorno,
2005).
A adesão aos princípios e práticas propalados pelo “Escola sem Partido” contrariam exatamente
o que afirma T. W. Adorno com relação aos fins da educação, a capacidade de crítica às práticas
que contrariam a formação humana, para jamais repeti-las. Dentre elas estariam os princípios
que geraram e sustentaram o nazi-fascismo, tais como a delação, a perseguição, a intolerância,
a punição (com a morte). Por meio da delação, da perseguição, da intolerância e da punição, por
meio da parcialidade com que pretende que se mostre a realidade, os princípios e práticas
propostos pelo “Escola sem Partido” vão exatamente em sentido oposto e produzirão a
interdição da formação para a autonomia intelectual e moral, ou seja, o partido do “Escola sem
Partido” gera uma antieducação.

Referências
ADORNO, Theodor W. O que significa elaborar o passado. In: MAAR, W.
Educação e
emancipação
. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
BUSCHBAUM, P.
Frases Geniais. São Paulo: Ediouro, 2004.
FRIGOTTO, Gaudêncio. “Escola sem Partido”, imposição da mordaça aos educadores.
Revista
Espaço Acadêmico
(on line), 2016.
*Doutora em Educação: História, Política e Ciências Sociais pela PUC SP. Professora na
Universidade Federal do Paraná. Coordenadora e pesquisadora do Observatório do Ensino
Médio.
Fotografia: Giorgia Prates

Um mestre com quem aprender coisas simples fundamentais: John Berger

As notícias, poucas, dizem que John Berger morreu no dia 02/01/2017.

Artesão de todo um pouco, John Berger é o grande mestre do olhar que curiosamente constrói o que vê, um olhar em que reside uma ação essencial “do eu para o nós” (como diz Manuel Rivas). Ninguém assim se vai e pronto, ainda morrendo, fica para nos ensinar sempre…

Como convite ao diálogo ai vai um dos seus escritos. Um convite a lê-lo e dialogar com ele. A aprender coisa simples e fundamentais. Também uma coluna jornalística de afetuoso agradecimento por nos ajudar a pensar diferente.

 

La Jornada, 03/01/2017

Adiós a un crítico del capitalismo

Dónde hallar nuestro hogar

John Berger (2005)

Alguien pregunta: ¿todavía eres marxista? Nunca ha sido tan extensa como hoy la devastación ocasionada por la búsqueda de la ganancia, según la define el capitalismo. Casi todo mundo lo sabe. Cómo entonces es posible no hacerle caso a Marx, quien profetizó y analizó tal devastación. La respuesta sería que la gente, mucha gente, ha perdido sus coordenadas políticas. Sin mapa alguno, no saben adónde se dirigen.

* * *

Todos los días, la gente sigue señales que apuntan a algún sitio que no es su hogar, sino a un destino elegido. Señales carreteras, señales de embarque en algún aeropuerto, avisos en las terminales. Algunos hacen sus viajes por placer, otros por negocios, muchos motivados por la pérdida o la desesperación. Al llegar, terminan por darse cuenta de que no están en el sitio indicado por las señales que siguieron. Donde se encuentran tiene la latitud, la longitud, el tiempo local y la moneda correctos, y no obstante, no tiene la gravedad específica del destino que escogieron.

Se hallan junto al lugar al que escogieron llegar. La distancia que los separa de éste es incalculable. Puede ser únicamente la anchura de un vía pública, puede estar a un mundo de distancia. El sitio ha perdido lo que lo convertía en un destino. Ha perdido su territorio de experiencia.

Algunas veces algunos cuantos de estos viajeros emprenden un viaje privado y hallan el lugar que anhelaban alcanzar, que a veces es más rudo de lo que imaginaban, aunque lo descubren con alivio sin límites. Muchos nunca lo logran. Aceptan los signos que siguieron y es como si no viajaran, como si se quedaran siempre donde ya estaban.

* * *

Voy bajando las escaleras de una estación del Metro para tomar la línea B. Está repleto aquí. ¿Dónde estás tú? ¿De veras? ¿Y cómo está el clima? Ya me tengo que subir al tren, luego te hablo…

De las miles de millones de conversaciones por telefonía móvil que ocurren cada hora en las ciudades y suburbios del mundo, la mayoría, sean privadas o de negocios, comienzan con una declaración del paradero o ubicación aproximada de quien llama. La gente necesita de inmediato identificar con precisión dónde se encuentra. Es como si estuvieran perseguidos por la duda de que tal vez no estén en ninguna parte. Circundados por tantas abstracciones, tienen que inventar y compartir su localización transitoria.

Hace más de 30 años Guy Debord escribió proféticamente: La acumulación de bienes de consumo producidos masivamente para el espacio abstracto del mercado, así como aplastó todas las barreras regionales y legales, y todas las restricciones corporativas de la Edad Media que mantenían la calidad de la producción artesanal, también destruyó la autonomía y la cualidad de los lugares.

El término clave del caos global actual es la dislocación, o la relocalización. Esto no se refiere únicamente a la práctica de mover la producción adonde quiera que la mano de obra sea más barata, y las regulaciones, mínimas.

Contiene también el sueño demente de salirse de margen, propio del nuevo poder en funciones: el sueño de minar el estatus y confianza de todos los lugares fijos previos, de tal manera que el mundo entero sea un solo mercado fluido.

El consumidor es esencialmente alguien que se siente perdido (o a quien se le hace sentir perdido) a menos que consuma. Las marcas y logotipos de las mercancías son el sitio que nombra esa ninguna parte.berger0

Otros signos que anuncian la Libertad y la Democracia, términos robados de periodos históricos previos, se usan también para confundir. En el pasado, fue una táctica común de quienes defendían su tierra natal contra los invasores cambiar las señales camineras para que una que indicaba Zaragoza apuntara en la dirección opuesta hacia Burgos. Hoy no son quienes se defienden, sino los invasores extranjeros los que invierten los signos para confundir a las poblaciones locales, para confundirlas acerca de quién gobierna a quién, acerca de la naturaleza de la felicidad, del alcance del quebranto o de donde ha de hallarse la eternidad. El propósito de estas direcciones falseadas es persuadir a la gente de que ser un cliente es la salvación última.

John Berger en el caracol de Oventic. Foto Víctor Camacho

Sin embargo, a los clientes los define el sitio de su salida y su pago, no dónde viven y mueren.

* * *

A un kilómetro de donde escribo hay un campo donde pastan cuatro burros, dos hembras y dos burritos. Son de una especie particularmente pequeña. Cuando las madres aguzan sus orejas ribeteadas de negro, me llegan a la altura del mentón. Los burritos, de unas cuantas semanas de edad, son del tamaño de unos perros terrier grandes, con la diferencia de que sus cabezas son casi tan grandes como sus costados.

Me brinco la barda y me siento en el campo apoyando la espalda en el tronco de un manzano. Ya tienen sus rutas propias por todo el campo y pasan por debajo de ramas tan bajas que yo tendría que ir a gatas. Me observan. Hay dos áreas donde no hay pasto alguno, sólo tierra rojiza, y es en uno de estos anillos adonde vienen varias veces al día a rodarse sobre su lomo. Primero las madres, luego los burritos. Éstos tienen ya una franja negra en el lomo.

Ahora se aproximan. El olor de los burros y el salvado, no el de los caballos, que es más discreto. Las madres rozan mi cabeza con sus quijadas. Son blancos sus hocicos. Alrededor de sus ojos hay moscas, mucho más agitadas que sus propias miradas interrogantes.

Cuando se quedan a la sombra, en el lindero del bosque, las moscas se marchan y pueden quedarse casi inmóviles por media hora. En la sombra del medio día, el tiempo se alenta. Cuando uno de los burritos mama (la leche de burra es la más semejante a la humana), las orejas de la madre se echan atrás y apuntan a la cola.

Rodeado por los cuatro burros en la luz del día, mi atención se fija en sus patas, dieciséis de ellas. Son esbeltas, contundentes, contienen concentración, seguridad. (Las patas de los caballos parecen histéricas en comparación.). Estas son patas para cruzar montañas que ningún caballo se atrevería, patas para soportar cargas inimaginables si se consideran tan sólo las rodillas, las espinillas, las cernejas, los jarretes, las canillas, los cuartos, las pezuñas. Patas de burro.

Deambulan, con la cabeza baja, pastando, mientras sus orejas no se pierden de nada; los observo, con sus ojos cubiertos de piel. En nuestros intercambios, tal como ocurren, en la compañía de mediodía que nos ofrecemos ellos y yo, hay un sustrato de algo que sólo puedo describir como gratitud. Cuatro burros en un campo, mes de junio, año 2005.

* * *

Sí, entre otras muchas cosas sigo siendo marxista.

 

*Enviado por el autor, traducción: Ramón Vera Herrera para el número 98 (junio de 2005) del suplemento Ojarasca

 

 

La Jornada, 4 de enero de 2017

Nunca fue digerido por el establishment cultural a pesar de su enorme prestigio

Con la muerte de John Berger se va el último gran escritor del siglo XX

Fue todo lo lúcido e incómodo que hiciera falta: su genio residía en la claridad

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Comunista desde su natal Inglaterra, al final de su vida seguía sosteniendo con naturalidad: Sí, entre otras cosas, sigo siendo marxista. La imagen es de su casa en París, en enero de 2016Foto Afp

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Los medios de comunicación poderosos nuevamente se vieron rebasados por las personas, pues frente al silencio que guardaron los consorcios mercantiles en sus periódicos y otros canales, en Twitter y en Facebook no cesan las manifestaciones multitudinarias, en idiomas inclusive poco usuales, celebrando la herencia, el ejemplo y las enseñanzas de John Berger. Los usuarios de esas redes hacen circular con profusión fotografías de sus bibliotecas, de sus libros preferidos de este autor, fotogramas, portadas, citas literarias, en un homenaje espontáneo, conmovido y de agradecimientoFoto tomadas de Twitter y Facebook

 

Hermann Bellinghausen

Con John Berger se va el último gran escritor del siglo XX. Nunca digerido por el establishment cultural a pesar de su enorme prestigio en Europa, la América anglosajona y el ámbito hispánico, logró al final de su vida tener toda su obra en circulación e influir en el pensamiento y las maneras de ver en distintas culturas del mundo. Aun así, llama la atención la relativa indiferencia mediática a la noticia de su muerte. Esa mezquindad confirma que Berger fue todo lo lúcido e incómodo que hiciera falta: su genio residía en la claridad.

De joven educó su mirada en las artes plásticas y luego enseñó a leer, ver y mirar la pintura, la fotografía, las literaturas y la realidad. De manera progresiva, extendió su mirada a los desposeídos y quienes luchan y resisten. Su cátedra conduce a la contemplación consciente y crítica del mundo. Comunista desde su natal Inglaterra, al final de su vida seguía sosteniendo con naturalidad: Sí, entre otras cosas, sigo siendo marxista (2005). No obstante, nunca cedió en estética y gusto a ideologías ni corrales. Su arte literario y crítico nace de la libertad.

Su espectro es muy amplio, y a la vez concentrado: cronista, novelista, poeta, crítico de arte, teórico de la fotografía, dramaturgo, guionista de películas memorables (como La Salamandra, La mitad del mundo y Jonás, que cumplirá los 25 años en el año 2000, de Alain Tanner). Ensayista virtuoso, a la altura de su gran admiradora Susan Sontag, gustaba de acudir a escritores casi secretos pero indiscutibles, como Attila József, Nazim Hikmet, Mahmud Darwish, Andréi Platonov o Juan Gelman. Colaboró toda una vida con el fotógrafo suizo Jean Mohr. Esta suma produciría un género exclusivamente suyo, con la anchura de la prosa y la precisión de la poesía. Unas veces lo llamó fotocopias, otras, comunicados (o despachos); además son cartas, recuerdos, comentarios, reseñas, iluminaciones, dibujos (también estupendo dibujante), recados, aforismos, posicionamientos, denuncias urgentes, lecturas de la esperanza futura. Heredero de Canetti, Benjamin y Kafka, es uno de los grandes prosistas modernos, a la altura de Borges o Calvino.

Nada humano le fue ajeno

Como para pocos, nada humano le fue ajeno.“Homo sum; humani nihil a me alienum puto”, hace decir Terencio a Cremes en El atormentador de sí mismo, para justificar su intromisión dramática. Tal es la máxima favorita de Marx (según reportan sus hijas); asoma de Séneca y Cicerón a Nietzsche, y aflora en la curiosidad de Berger: Admiro y amo su obra. En la literatura contemporánea, me parece incomparable. Desde D. H. Lawrence no ha habido un escritor capaz de ofrecer al mundo tal atención sobre los problemas humanos más disímiles, con una sensualidad que no renuncia a los imperativos de conciencia y responsabilidad, escribió Susan Sontag.

Pertenece a la gama de creadores literarios que desde mitades del siglo XX aprovecharon su condición de célebres para servir de contrapeso ético ante los horrores de la civilización occidental en crisis. Lo suyo, algo más que mera decencia, significa un compromiso efectivo con los pueblos. Usan su influencia para interpelar al mundo. Ya se echa de menos la labor que cumplían al final del siglo XX los Saramago, Sontag, García Márquez, Galeano, Pinter, Fuentes, Gelman, Osvaldo Soriano, Juan Goytisolo, Nadine Gordimer, Günter Grass, Dario Fo y algunos otros, confrontando al firmamento literario conservador y/o comercial que domina academias y mercados. Guardianes de la tribu humana en el terreno de la escritura coincidían con ciertos científicos sociales de excepción (Noam Chomsky, Howard Zinn, Edward Said, Adolfo Gilly, Adolfo Pérez Esquivel, Pablo González Casanova). Ante todo, sus obras y sus fatigas coinciden con las luchas reales, estorban al pensamiento adocenado y al autoritarismo. Increpan al poder atentos a la sal de la Tierra o, como él diría, la puerca Tierra.

El núcleo duro de la obra bergeriana está en sus novelas, todas distintas y únicas, así como sus ensayos narrativos y su profundo escrutinio de la fotografía como agente de la realidad objetiva y subjetiva. Inicia notablemente con Un pintor de nuestro tiempo (1957), valiente ficción en forma de diario de un artista húngaro procedente del antifascismo, que desaparece tras el golpe soviético a Hungría en 1956. Pocos comunistas se permitieron entonces discrepar de la invasión del Ejército Rojo. En King (1999), un perro relata las vicisitudes de lo humano (otro rasgo de Berger fue su empatía con los animales). Cosmopolita curtido, residió por décadas en la Alta Saboya francesa, entre campesinos. En su retablo de tres tomos En sus fatigas (1979-1990) ilustra con detalle y hondura la desaparición del campesinado europeo. Con él pisamos un terreno en el que la ficción absorbe la crónica, otro género del que Berger fue maestro desde Un hombre afortunado (1967) y El séptimo hombre (1975). Su mejor novela, G. (1972), fantasía galante muy europea, sensual y cínica, es refutación implacable del egotismo masculino. En el relato epistolar De A a X (2008) arde una pasión tal que el modelo clásico de las Cartas Portuguesas se transfigura en un amor maduro e incombustible en medio de la resistencia y la cárcel política.

Se opuso a las guerras imperiales y, al igual que otros intelectuales judíos, apoyó la liberación de Palestina con todo su corazón y en voz alta. Para colmo, siguió como Marx los pasos de Spinoza. En 1995, una década antes de visitar el territorio zapatista de Chiapas, John Berger intercambió correspondencia con el subcomandante Marcos en torno al vuelo de las garzas, la vida en el campo, la clandestinidad y las piedras (reproducida en La forma de un bolsillo, Ediciones Era, 2001). Hablaron de las bolsas de resistencia contra el capitalismo. En 2007 llega a los Altos de Chiapas para atestiguar que el silencio que parece haber en las montañas más bien es todos nosotros, escuchando juntos.

Ampliamente editado en España, encontró un atento traductor y editor mexicano en Ramón Vera Herrera, a quien debemos Con la esperanza entre los dientes (La Jornada Ediciones) y De A a X (Ítaca) así como decenas de artículos, ensayos y comunicados aparecidos en La Jornada y Ojarasca desde los años 90. Como sucede con todo gran autor, la literatura de John Berger es una casa con muchas puertas; cualquiera es buena para entrar en ella.

A merda é o ouro dos espertos

Como a “Olimpíada da Superação” é usada para forjar identidade, unidade e consenso no Brasil do impeachment

Eliane Brum

El País, 29 AGO 2016  

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Menino do morro da Mangueira assiste os fogos da cerimônia de encerramento dos Jogos. CARL DE SOUZA AFP

A inversão é fascinante. A Olimpíada foi idealizada, em 2009, para colocar no pódio o Brasil grande. A apoteose do eterno país do futuro que finalmente chegava a um presente grandioso. Em 2016, o “sucesso” da festa busca recolocar o Brasil não apenas como o país que – ainda – tem futuro, mas como o país da “superação”. Não se trata mais, como era em 2009, de lançar a Olimpíada como a imagem que expressa “a verdade final” sobre o país. Em 2016, a Olimpíada é disputada, pelos vários atores, como a imagem capaz de tapar os buracos de um país. E devolver uma unidade, qualquer uma, ou um consenso, qualquer um, a um Brasil partido não em dois, mas em vários pedaços.

Em 2009, a questão era: veja como somos capazes de construir um país. Em 2016, a questão tornou-se: veja como somos capazes de fazer uma festa.

Não dá para tratar essa mudança de paradigma, como tantos têm tratado, como se fosse a mesma coisa. O foco, aqui, são as interpretações simbólicas dessa Olimpíada num momento tão agudo do Brasil. E o papel que exercem sobre a construção da realidade.

Quando dizem orgulhosos que a Baía da Guanabara estava maravilhosa e que o Rio continua lindo, trata-se da festa. A pergunta que trata de um país é: mas a Baía da Guanabara foi despoluída? E a resposta é não. A resposta é: a Baía da Guanabara continua cheia de merda.

Quando dizem eufóricos que nenhum atleta pegou Zika vírus, a pergunta é: mas e a população do Rio? Está salva do Zika e, mais do que do Zika, da dengue? E as mulheres que tiveram e ainda terão crianças com sérios danos cerebrais, têm e terão acesso à proteção e à saúde? Estas são as perguntas que tratam do país – e não da festa.

Quando dizem esfuziantes que o Rio nunca foi tão seguro como nos 17 dias de Olimpíada e que os mais de 80.000 policiais e soldados deveriam continuar nas ruas para defender os cidadãos “de bem”, a pergunta é: e nas comunidades? Morreu gente nas favelas, e não apenas o soldado da Força Nacional Hélio Andrade. Em geral, ele é considerado a única baixa no período dos jogos, já que os demais mortos são aqueles que o país se acostumou a considerar “matáveis”. Pelo menos 31 pessoas morreram e outras 51 ficaram feridas em 95 tiroteios no Rio Olímpico, segundo a Anistia Internacional. Não interessa para a festa? Deveria interessar para o país.

Qual foi o custo financeiro dessa festa (gastos ainda à espera de transparência), para um estado que decretou situação de “calamidade pública” menos de dois meses antes do megaevento, para uma cidade falida e para um país em crise? Quem mede o sucesso ou quem diz o que é sucesso? Ou sucesso para quem? Certamente não para os milhares de “removidos” para a realização das obras.

Diante do país sem rosto, cola-se a cara gasta de sempre

E, importante, sucesso aos olhos de quem? Quando alguém exalta que a Baía da Guanabara estava límpida, o que se entende é que a pessoa comemora o feito de conseguir esconder por duas semanas a merda dos olhos dos “gringos”, a quem interessa mostrar que seguimos bonitos por natureza. E alegres, muito alegres.

A frase no Facebook é cristalina: “Somos um país de pés-rapados, mas arrasamos numa festa”. Diante do país sem rosto, cola-se a cara gasta de sempre, a de que somos muito bons em festa. E na festa somos cordiais, alegres e hospitaleiros. Assim, tenta-se tapar buracos que já não podem ser tapados. Conflitos que já não podem ser encobertos pela “festa da miscigenação”. Mitos em decomposição.

Este é um país em que as cenas de pessoas se espancando por usarem camisetas de cores diferentes se tornaram corriqueiras. Era de se prever que qualquer unidade, onde não há nenhuma, qualquer consenso, onde não há nenhum, seria agarrado por quem disputa a narrativa. É bastante fascinante que a unidade forjada, que o brasileiro único, “O” brasileiro, seja, de novo e mais uma vez, essa pessoa muito boa em festa. É bastante fascinante que os brasileiros, que – ainda bem – já não podem dizer quem são ou o que são, possam ter o conforto de uma identidade fugaz. Ainda que essa identidade seja a de “arrasar na festa”.

A unidade forjada é a do velho clichê do brasileiro bom de festa

O mais fascinante, porém, é que essa narrativa tem se imposto com muito pouca crítica. A Olimpíada se deu com o processo de impeachment em curso. Acabaram os jogos e começou o julgamento da presidente Dilma Rousseff no Senado. Em vez de interpretar os sentidos, disputa-se a autoria do “sucesso”. E, assim, em nome da agenda de ocasião, ou da eleição de 2018, ocultam-se – ou mesmo apagam-se – as contradições. Apresentada – e consensuada pelos vários atores políticos – como um legado de “sucesso”, a quem pertence a Olimpíada é tudo o que passa a interessar. Em vez de disputar o país, disputa-se a festa. É nesse nível o rebaixamento do debate.

É também assim que se invoca, de novo e mais uma vez, o Complexo de Vira-Lata, conceito do cronista Nelson Rodrigues, grande intérprete do futebol e do Brasil do século 20. Obviamente o vira-lata é sempre o outro. A suspeita de que a Olimpíada não iria funcionar – ou “dar certo” – seria fruto da falta de autoestima dos brasileiros, que se sentiriam inferiorizados diante dos gringos. Cogita-se também a possibilidade de que o verdadeiro vira-lata seja aquele que tem como única medida o olhar dos gringos e que necessita da sua aprovação para saber se tem valor. O curioso é que, na tese da viralatização, usa-se a festa como categoria totalizante. Se em alguns casos isso pode ser só um problema cognitivo, em outros soa como má fé.

É aí que entra um conceito essencial para compreender o momento: “superação”. A Olimpíada de 2009 foi sonhada como o coroamento de um país que já se superou. Ou que já se tornou sua própria promessa, com a melhoria da qualidade de vida de dezenas de milhões e a redução das desigualdades. Uma nação que já havia pavimentado seu lugar entre as grandes economias do mundo, um Brasil de “cidadania plena”, um “país de primeira classe”. Na Olimpíada de 2016, é a superação que passa a ser a qualidade de todo um país. A qualidade em si, o moto-contínuo. O looping eterno. O pé-rapado, que continua pé-rapado, mas que arrasa na festa.

É assim que nossos atletas tornam-se sempre “histórias de superação” a serem enaltecidas. Gente como Rafaela Silva e Isaquias Queiroz. Se eles superaram todas as desigualdades e assimetrias do Brasil e tornaram-se atletas capazes de ganhar medalhas no pódio, é um orgulho para eles. Mas é imperativo lembrar que venceram apesar do Brasil. E esse fato deveria ser motivo de vergonha para o país.

Consumido pela máquina de fazer dinheiro que envolve mídia e megaeventos, o que é exceção – vencer contra tudo e contra todos – é convertido em qualidade totalizante. Assim, é o Brasil inteiro que se torna o país “da superação”. É a Olimpíada “da superação”. O que deveria ser vergonha, o fato de o país não garantir a base mínima para suas crianças e jovens desenvolverem suas potencialidades no esporte – e também na matemática e na literatura –, é convertido em orgulho nacional.

A capacidade de superação é mística fartamente distribuída onde a renda é concentrada na mão de poucos e dos mesmos

Essa falsificação serve a muitas coisas. Entre elas, enriquecer muita gente e alimentar o entretenimento disfarçado de jornalismo de algumas redes de TV. Serve ainda a algo bem perverso, com graves consequências na vida concreta do país, que é estimular a crença de que basta ter vontade pessoal para conseguir vencer num país em que a maioria vive em terra arrasada, em escolas arrasadas, em insegurança alimentar, seja por desnutrição ou por obesidade. Assim, se você não vence, é problema seu. O Estado é deresponsabilizado, as distorções históricas são apagadas. E, portanto, não há razão para pensar em redistribuição de renda ou em reforma agrária ou em demarcação de terras tradicionais. O brasileiro, esse unicórnio, se supera. É pé-rapado mas arrasa numa festa.

É o discurso de Galvão Bueno, da Rede Globo, calculadamente lacrimoso: “O esporte é a ferramenta que faz Rafaela Silva, nascida na pobreza da Cidade de Deus, e o supercampeão Bernardinho, filho da classe média carioca, dividirem o mesmo sonho e chegarem ao mesmo lugar”. Qual é a mensagem dessa igualdade forjada em um dos países mais desiguais do mundo? No país da superação, não é preciso tocar nos privilégios, porque tudo depende da força de vontade individual. A capacidade de superação é mística fartamente distribuída onde a renda é concentrada na mão de poucos – e dos mesmos.

Deveria produzir alguma interrogação o fato de que alguém como Galvão Bueno, com tudo o que é e representa, tenha se tornado uma espécie de porta-voz do espírito olímpico. Discursos semelhantes ao dele, de exaltação da Olimpíada, foram repetidos até mesmo por intelectuais que até ontem exibiam pensamento complexo. Não só pela direita, mas também pela esquerda.

Parte da esquerda adere à mesma falsificação da mídia que no restante do tempo acusa de golpista

Para parte da direita, trata-se, entre outras coisas, de garantir que o país tem unidade para seguir após o impeachment, com a agenda conservadora em curso. O Brasil é o que sempre foi, o período Lula-Dilma apenas uma interrupção momentânea. Para uma parcela da esquerda, o ponto é garantir a Olimpíada como um legado usurpado de Lula, caso ele chegue às eleições de 2018. Em nome dos projetos de poder, sacrifica-se a complexidade e forja-se o consenso oportunista. O que não cabe na versão é relegado a questões de menor importância.

Mais uma vez, em nome da agenda de ocasião, parte da esquerda se cala diante das tantas falsificações da Olimpíada da Superação. E reedita uma espécie de conciliação imagética, uma espécie de trégua olímpica, com a mesma mídia que no restante do tempo acusam de golpista. Disputa-se a assinatura do espetáculo, o sucesso já foi pactuado.

Na mística da superação, quando aqueles que deveriam se superar sofrem uma derrota, são punidos como se traíssem todo um país. É neste momento que os conflitos aparecem, e o racismo, a homofobia e o machismo do povo alegre que arrasa numa festa explodem. Como tão bem compreendeu Rafaela Silva, que ao ser derrotada na Olimpíada de Londres, em 2012, foi chamada de “macaca” nas redes sociais, em tal volume e virulência que quase desistiu do judô. Em 2016, ao ganhar o ouro na sua categoria, virou heroína nacional. Ninguém dúvida que, se perdesse, seria de novo “macaca”.

A nadadora Joanna Maranhão conheceu bem a “cordialidade” do povo brasileiro ao ficar fora da semifinal dos 200m borboleta. Joanna, que anos atrás teve a coragem de denunciar que foi abusada por seu técnico quando menina, ouviu nas redes sociais que, por ter perdido, “deveria ser estuprada novamente”. O Brasil é homofóbico, machista, racista e xenófobo, denunciou Joanna, desafiando o país alegre e hospitaleiro – ou “o povo que se comportou muito bem nesta Olimpíada”. Joanna e Rafaela exibiram maturidade ao não se deixarem engolir pela máquina de entretenimento. Ao contrário, arriscaram-se a expor os conflitos quando ninguém queria saber deles.

O país não fracassa quando um atleta perde numa Olimpíada. Brasileiras como a judoca Rafaela Silva são vitoriosas apenas por chegarem vivas à idade adulta. Alcançar uma Olimpíada, ganhando ou não, é uma enormidade. O Brasil fracassa porque no mesmo período da Olimpíada em que Rafaela subiu ao pódio, jovens como ela foram executados a tiros bem perto dali.

O “sucesso” – ou a “superação” – do Brasil olímpico parece ser o de ter conseguido esconder dos olhos dos gringos a merda toda por duas semanas. E não apenas a da Baía da Guanabara. É verdade que um país pode ser medido não pelo seu sucesso, mas pela régua com que mede seu sucesso.

A Olimpíada, como conceito fechado, é grandiosa. Os atletas se dedicam duramente para fazer desse momento um espetáculo, para criar beleza. Fizeram espetáculo mesmo na Olimpíada de Berlim, em 1936, na Alemanha nazista. Uso esse exemplo radical porque ele ajuda a deixar mais claro que uma Olimpíada não pertence apenas aos atletas nem serve apenas à celebração dos povos. Parece óbvio, mas não é o que temos visto em tantas justificativas. Os usos de uma Olimpíada, assim como as narrativas sobre ela, são políticos, no sentido amplo (e seguidamente também no rasteiro). E a forma como cada um dela participa também é política.

A reedição do Complexo de Vira-Lata pode revelar a impossibilidade de criar conceitos originais num momento tão desafiador

É neste campo que chamo a atenção para “o Brasil provou que sabe fazer uma Olimpíada”. Há que se ter muito cuidado com quem coloca algo tão complexo na perspectiva do pessimismo/otimismo. Há que se ter considerável delicadeza mesmo com o conceito do Complexo de Vira-Lata. Não se sabe se ele foi revivido porque de fato faz eco, ou pela incapacidade de criar conceitos originais para um momento tão desafiador do Brasil. Tendo a apostar mais nesta segunda hipótese – e sigo defendendo que nossa crise é também de palavra. De linguagem e de estética.

Há uma diferença entre ser capaz de fazer uma festa, a medalha de ouro de 2016. E ser capaz de construir um país, a medalha de ouro de 2009. É preciso marcar essa diferença para não perder a Olimpíada do dia seguinte.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

ENCONTTRA_SELEÇÃO DE ESTUDANTES PARA BOLSA EM DOIS PROJETOS DE EXTENSÃO

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AVISO

Neste semestre, a UFPR distribuirá apenas 2 meses de bolsa de extensão. Esta situação precariza de fato a extensão na nossa universidade, precarizando a situação dos alunos que optam por participar da extensão nesse tripé supostamente fundamental nos princípios universitários, mas hoje manco: ensino-pesquisa-extensão.

Paralelamente, a Fundação Araucária (FA) mantem seu programa de apoio a cotistas solicitando selecionar dois bolsistas para bolsas de 12 meses. A FA tem dado bastantes problemas para manter o calendário de início das bolsas e para pagar em dia em alguns meses. Das duas indicações temos a possibilidade de ganhar duas bolsas ou uma só.

Essa é a situação em que acontece essa seleção. Não é, nem muito menos, uma situação confortável, mas é nosso ponto de partida e é bom que fique esclarecido. Ainda assim, separando o lado institucional do processo, a extensão que acontece acreditamos que permite uma vivência generosa da relação entre sociedade e universidade, permitindo-nos construir espaços de diálogo de saberes que merecem todo nosso respeito e dedicação.

 

Projetos de extensão:

1. CARTOGRAFIAS PARTICIPATIVAS COMO APROXIMAÇÃO A CONFLITOS TERRITORIAIS. 3ª FASE

Coordenador/Grupo de pesquisa:

Jorge Montenegro / Coletivo ENCONTTRA (Geografia/UFPR)

5 bolsas: 3 gerais (2 meses), 2 indicações para cotistas (12 meses)

Carga horária semanal: 12 h

2. OBSERVATÓRIO DA QUESTÃO AGRÁRIA NO PARANÁ

Coordenadores/Grupo de pesquisa:

Jorge Montenegro e Ângela M. Katuta/ Coletivo ENCONTTRA (Geografia/UFPR)

1 voluntário (12 meses)

Carga horária semanal: 6 h

 

Vigência e valor das bolsas:

2 meses – R$ 400,00 / mês (Bolsa UFPR)

12 meses – R$ 400,00 / mês (Bolsa FA)

 

Síntese das atividades a serem realizadas pelo bolsista:

CARTOGRAFIAS PARTICIPATIVAS COMO APROXIMAÇÃO A CONFLITOS TERRITORIAIS. 3ª FASE

Levantamento de informações sobre conflitos territoriais envolvendo povos e comunidades tradicionais e outros movimentos de luta pela terra e o território; levantamento bibliográfico e documental sobre cartografias participativas, povos e comunidades tradicionais, movimentos sociais, etc.; participação junto ao Coletivo ENCONTTRA de estudos sobre as temáticas relacionadas ao projeto; participação em oficinas de cartografias participativas (nos locais das comunidades); formatação das cartografias a serem realizadas durante o projeto

OBSERVATÓRIO DA QUESTÃO AGRÁRIA NO PARANÁ

Buscar, propor e elaborar notícias relacionadas com a Questão Agrária no Paraná. Alimentar a base de dados de trabalhos acadêmicos sobre o tema. Analisar, elaborar e publicar dados e cartografias que permitam entender a dinâmica espacial da Questão Agrária no Estado. Organizar e participar dos eventos, trabalhos de campo, oficinas, cursos, materiais didáticos, etc. que são os produtos do projeto. Participar de eventos de extensão e de pesquisa sobre os temas trabalhados

 

Seleção:

Dia 11/08, às 15:30 h

Local:

Sala do Coletivo ENCONTTRA

(Centro Politécnico, Sala 307, Ed. JJ Bigarella)

 

Critérios de seleção:

Será realizada uma entrevista individual com os candidatos.

Requisitos para ser candidato a bolsista de extensão:

  1. Cotista

Consultar edital

(http://www.proec.ufpr.br/download/extensao/bolsas/Auaucaria/2016-EDITAL%20PIBIS%20FA%202016-2017.doc)

  1. Geral

Consultar edital

(http://www.proec.ufpr.br/download/extensao/bolsas/2016/Edital%20PROEC%20BolsaExtensao%202%20meses.doc)

Cinco professores e um jornalista morrem após forte repressão em Oaxaca, no México

Forças policiais atacam manifestantes, em greve desde o último dia 15 de maio, contra reformas propostas por Peña Nieto

De Brasil de Fato

São Paulo , 20 de Junho de 2016 às 11:38
Durante manifestações deste domingo (19), redes sociais circularam vídeos e imagens da forte repressão policial  - Créditos: Resumen Latinoamericano
Durante manifestações deste domingo (19), redes sociais circularam vídeos e imagens da forte repressão policial / Resumen Latinoamericano

Trabalhadores que integram a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) do Mexico iniciaram, no último dia 15 de maio, após três anos de luta, uma greve geral para dizer não a reforma educacional proposta pelo governo do presidente Enrique Peña Nieto, que prevê cortes nos direitos trabalhistas. Segundo Graciela Rangel Santiago, responsável de relações exteriores da CNTE, a luta dos docentes é contra uma reforma que “não tem nada de educativa”. Em contato com o Brasil de Fato, Graciela explicou que a CNTE resistirá incansavelmente contra essa proposta, que pretende atacar os direitos conquistados.

A greve dos professores atinge 28 dos 32 estado mexicanos, mas se concentra nos estados do sul, em Chiapas, Oaxaca e Michoacan. No domingo (19), forças da polícia estadual de Oaxaca e a polícia federal mexicana se dirigiram à Asunción Nochixtlán, município próximo a capital oaxaqueña, para despejar os professores que bloqueavam a estrada Oaxaca-México como forma de protesto.

De acordo com o jornal La Jornada, a operação repressiva começou por volta das 10:30h e se estendeu até o inicio da noite, deixando como saldo 6 mortos, mais de 90 feridos e 21 detidos. A ação policial, que contou com armas de fogo, bombas de gás lacrimogênio, helicópteros e centenas de agentes, fez da estrada um campo de batalha. Os manifestantes resistiram, com o apoio de pais, alunos e pessoas contrárias à reforma, que ajudaram a construir barricadas para evitar a aproximação dos policiais.

A CNTE informou que cinco dos mortos eram professores (Andrés Aguilar, de 29 anos; Yalid Jiménez, de 22; Óscar Santiago, de 22; Jesús Cadena, de 19 e Anselmo Cruz, sem idade divulgada). O outro morto durante o ataque foi o repórter local Elpidio Ramos, que fazia a cobertura do confronto para o jornal regional El Sur.

Por volta da meia noite, a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) emitiu um comunicado informando que serão tomadas medidas cautelares para garantir a adequada atenção médica dos feridos, assim como garantir que a lei seja respeitada “conforme os protocolos e os padrões internacionais, privilegiando a todo momento o diálogo”. A Comissão enviará peritos e pessoal de apoio à Oaxaca para vigiar a legalidade do operações.