PRECISAMOS CONTINUAR DIALOGANDO SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE EM UMA SOCIEDADE QUE TEM A VIOLÊNCIA COMO RESPOSTA

Sensatez, informação, confiança e diálogo são palavras importantes para nosso convívio social, para pensar como queremos ser como sociedade, porém, está difícil encontrá-las juntas nesses tempos em que se confunde, “ser direto” ou “não ter papas na língua”, com a ofensa, a ameaça e a degradação de quem pensa diferente.

No Coletivo de Estudos sobre Conflitos pelo Território e pela Terra (ENCONTTRA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acreditamos firmemente que juntar essas quatro palavras sempre é a melhor opção para enfrentar o que não conhecemos, o que nos dá medo ou aquilo com o que não concordamos. Por isso, queremos mostrar todo nosso apoio às nossas amigas e colegas do Coletivo ENCONTTRA, Mailane Junkes Raizer da Cruz (Professora no Instituto Federal Catarinense – Campus Avançado Abelardo Luz) e Adriane Andrade (Mestranda do Programa de Pòs-Graduação em Geografia-UFPR) que viram como seu intento de divulgar informações sobre gênero e sexualidade através de um trabalho no 1º Congresso Nacional de Educação de Abelardo Luz foi criticado e divulgado como um ato condenável, chamando à mobilização em contra de toda a cidade, no passado dia 24/09/18. Nesse trabalho, as autoras mostram conhecimentos que nos ajudam a entender a sociedade em que vivemos, uma sociedade que muda, uma sociedade em que os que sofrem com discriminação e violência por seu gênero ou por sua orientação sexual já não se calam mais. No entanto, a partir da divulgação do conteúdo do trabalho nas redes sociais, sem o consentimento das autoras, houve uma reação contrária que desvia a atenção sobre onde, porque e quem sofre de violência cotidianamente.

Os dados são duros, mas nos alertam para o tamanho do problema e da violência que a sociedade brasileira sofre, ou uma parte dela. Segundo o Atlas da Violência de 2018, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no Brasil, a cada dia, são 606 casos de violência doméstica contra mulheres, 12 assassinatos e 164 estupros. Isso mesmo, por dia. E o grande problema é que as pessoas não contam, não vão na delegacia. Estima-se que apenas 10% dos casos dos estupros sejam notificados à polícia.

Santa Catarina é o segundo estado, depois de Mato Grosso do Sul, onde se registram mais violações no país. Nesse ano de 2018, só de janeiro a maio, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do estado, 18 pessoas morreram por serem mulheres, 317 foram estupradas, 5.455 sofreram lesões corporais e 10.236 sofreram ameaças. Dados sempre muito menores dos reais pelo medo de falar, de se expor, do julgamento social.

No caso das lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis (LGBT) a situação é ainda pior: a cada 19 horas uma pessoa desse grupo morre no Brasil, o país que mais mata travestis e trans em todo o mundo, segundo o Grupo Gay da Bahia, entidade mais citada nos meios de comunicação que levanta dados de violência no grupo LGBT há 38 anos. O despreparo dos órgão de segurança e o descaso com as pessoas LGBT faz com que seja difícil encontrar dados confiáveis em Santa Catarina, mas a Polícia Civil admite que nos últimos três anos foram 495 pessoas que denunciaram ser vitimas de homofobia. Muita violência e muito silêncio ao redor.

A solução não é reduzir os espaços de debate, de informação, de construção de conhecimento, de fortalecimento de direitos. Ao contrário, precisamos cada vez mais que as pessoas saibam que não têm que calar porque são mulheres ou porque têm uma orientação sexual livremente escolhida. Se a escola não faz seu papel de informar sobre diferenças e direitos, a sociedade perde, ignora um problema e aumenta o medo. O resultado de esconder as agressões não pode ser outro que mais violência diante da impunidade, de não “meter a colher”, de não fazer nada quando alguém é espancado ou estuprado.

Apenas mais um dado estarrecedor do Atlas da Violência 2018: em casos de estupro de crianças com menos de 13 anos, os responsáveis pelos crimes são conhecidos e amigos da família em um 30% dos crimes. Pais e padrastos, com 12% cada, são os seguintes da lista.

Apoiamos totalmente a coragem das nossas colegas Mailane e Adriane de querer oferecer conhecimentos que combatam essa violência que está arraigada nos lares e na sociedade em geral, de fazer com que possamos conversar sobre gênero e sexualidade como características que nos formam a todas e a todos, que nos permitem um lugar e um papel na sociedade que não têm porque ser inferiores ou com maior risco de sofrer com agressões. Precisamos de muita sensatez, informação, confiança e diálogo para erradicar essa violência que mantém com medo uma parte importante da sociedade. As escolas têm um papel importante, as famílias têm um papel importante, os meios de comunicação têm um papel importante… não podemos perder a oportunidade de fazer também a nossa parte, porque se omitir e querer esconder as informações é ser cúmplice desse estado de violência.

COLETIVO ENCONTTRA (Geografia/UFPR)

XIX Jornada do Trabalho -Chapecó-SC.

Entre os dias 05 e 08 de setembro de 2018 aconteceu a XIX Jornada do Trabalho em Chapecó/SC, intitulada:

    “QUE CRISE É ESSA? CONTRARREFORMAS, RESISTÊNCIAS E UTOPIAS”

A Jornada ocorreu na Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus de Chapecó e foi coordenada por membros do Colegiado do Curso de Graduação em Geografia-Licenciatura da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) com vínculos à Rede de pesquisadores ligados ao “Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGET)”, do Departamento de Geografia da UNESP de Presidente Prudente-SP.

O Evento resulta de uma ação articulada entre professores da UFFS e da Rede CEGET de Pesquisadores como o foco de potencializar o diálogo científico acerca da dimensão espacial da crise estrutural do capital e seus impactos no tecido social contemporâneo (que é multiescalar, multidimensional, material e imaterial ao mesmo tempo), em particular, acerca dos efeitos da atual reforma trabalhista brasileira (políticas públicas, fragmentação do trabalho, degradação da natureza e do trabalho, desemprego e informalidade,), assim como sobre formas de resistência da classe trabalhadora (conflitos territoriais) e de construção de alternativas em defesa da vida no campo e na cidade (auto-organização, saúde coletiva, atuação sindical e dos movimentos sociais, cooperativismo e economia solidária, entre outras).

No primeiro dia do evento foram ministradas três oficinas. A primeira intitulada: Os meandros da reforma trabalhista e seus desdobramentos no movimento socioespacial da classe trabalhadora”, tinha como objetivo discutir as principais mudanças ocorridas em atuais reformas ou propostas de reformas que atingem a classe trabalhadora do atual governo federal brasileiro (Trabalhista, Terceirização e da Previdência) e a dimensão espacial de seus impactos (desemprego, ampliação do subemprego e da uberização do trabalho, entre outros). A segunda oficina “Porque mapear o feminino? Organizado pelo nosso coletivo, tinha como principal objetivo problematizar as questões de gênero em diferentes escalas, trabalhar os efeitos de mapeamentos coletivos (alguns relatos); as escalas geográficas desde a corporeidade; mapeando o feminino desde deliberações coletivas; o que culminou num mapa com as principais violências de gênero que foi apresentado na mesa de abertura do evento através de uma intervenção do grupo que participou da oficina.

Foto: Avani Torres

                                                                            Foto: Avani Torres

A terceira oficina como o tema “Práticas e saberes em agroecologia-projetos para enfrentar a  sociedade capitalista e o agronegócio” teve como principal objetivo troca de experiências de pesquisa, extensão e militância em Agroecologia desenvolvidos em diferentes lugares. Dialogar sobre as práticas e os saberes construídos pelos sujeitos e entidades. Levantar as expectativas e construir propostas e encaminhamentos conjuntos.

                                                                        Foto: Lucas Silva

A noite foi realizada a conferência de abertura do evento intitulada: “ O Brasil no contexto da crise do capitalismo contemporâneo”, realizada pelo Prof. Dr. Armando Boito Júnior.

No segundo dia do evento foram realizados três trabalhos de campo para locais diferentes onde o grupo de pesquisadores se dividiu para conhecerem diferentes realidades. O primeiro campo foi para a cidade de Itá-SC, “a cidade submersa”, onde o grupo pode visitar as instalações da barragem de Itá e entender visões diversas sobre a instalação da barragem na cidade (conversa com os gestores da usina, dos poderes públicos e dos atingidos por barragens).

Foto: Avani Torres

O segundo campo foi para o assentamento 25 de maio, como o objetivo de mostrar a luta pela terra e a  educação no oeste catarinense, com visita a algumas escolas da região, à família de camponeses do MST e a rádio comunitária. O terceiro campo foi para a linha rural de Chapecó, onde o grupo pode conversar com produtores agroecológicos da região e uma visita a SITRACARNE para um cine debate com sindicalistas sobre a suposta crise da carne.

                                                                       Foto: Ana Terra

No terceiro dia foi realizado uma discussão à cerca dos trabalhos de campo na parte da manhã, na parte da tarde a reunião em cinco grupos de trabalho (GTs): Agro-Hidro-Territórios, Degradação da natureza e do trabalho; Conflitos territoriais e fragmentação do trabalho: a expropriação capitalista no campo e no trabalho; Ideologia, educação e discurso; Multidimensionalidade e desenvolvimento de/no território; Crise estrutural, desemprego e informalidade. Os GTs constituem espaços de reflexão e troca de experiências entre os participantes com o propósito de debate e aprofundamento de questões relevantes ao campo da discussão. A noite foi realizada uma mesa redonda intitulada “Territórios da degradação do trabalho: a relação entre o processo de trabalho nos frigoríficos e os agravos à saúde do trabalhador” com o Prof. Dr. Fernando Heck (IFSP, Ceget, Geografia), Profa. Dra. Márcia Luíza Pit Dal Magro (UNOCHAPECÓ) – SITRACARNES.

                                                                               Foto: Lucas Silva

                                                                              Foto: Lucas Silva

No quarto dia foi dado continuidade na parte da manhã das discussões dos GTs, a tarde reunião da Rede CEGET de pesquisadores, e a noite o encerramento com a mesa intitulada: Mobilizações sociais e alternativas para a crise. Com a Prof. Dra. Paula Karina Klachko (UNPAZUNDAV/Buenos Aires) – Antônio Thomaz Júnior (UNESP/Presidente Prudente/Ceget) – Frente Brasil Popular.

Nesses quatro dias de encontro, por meio da realização de Grupos de Trabalho, Simpósio, Mesas Redondas e Trabalhos de Campo, ocorreu a integração de pesquisadores de áreas diversas (Geografia, Sociologia, Antropologia, Direito, Serviço Social, Pedagogia, Saúde, entre outros) em diversos estágios formativos (iniciação científica, especialistas, mestres e doutores) com integrantes de movimentos sociais, associações e sindicatos, no intuito de encontrar eixos de discussão e ações possíveis que nos levem, ao mesmo tempo, a análises mais acuradas da realidade que vivemos e a delinear estratégias conjuntas que permitam construir projetos visando uma sociedade justa.

                                                                  Foto: Lucas Silva

Preguntas alrededor de una hoguera: los diálogos del Encuentro Virtual “Mujeres y luchas territoriales: nos territorializamos privilegiando la vida”

Las preguntas nos mueven, nos inquietan y nos conectan a otrxs que también se preguntan. Y más que respuestas, que también se agradecen, lo que nos alimenta es la posibilidad de compartir la próxima duda, de no dejar secar la curiosidad.

Afiche del encuentro virtual creado por Constanza Cuetia.

El sábado 25/08/18 nos juntamos en un encuentro virtual gentes de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Ecuador, Canadá, México y Uruguay para dialogar sobre “Mujeres y luchas territoriales” y nos hicimos algunas preguntas:

– ¿Cuáles son esas experiencias de enfrentamiento y re-existencia que las mujeres estamos proponiendo en los territorios?

– ¿Qué aportamos de diferente en esas experiencias construidas por muchxs?

– ¿Cómo juntamos la resistencia y la re-existencia? ¿La lucha social y el cotidiano? ¿La denuncia contundente y el cuidado?

– ¿Cuáles son sus fortalezas, perspectivas, desafíos y contradicciones?

– ¿Cuáles son las reacciones en curso o en ciernes desde los regímenes y el capital para controlarlas y capturarlas?

Preguntas fuertes para contextos llenos de incertidumbres y de desasosiego. Preguntas que nos permitieron compartir varias experiencias de lucha y r-existencia, como las de Adriana Sigcha del Sistema de Investigación sobre la Problemática Agraria del Ecuador (SIPAE), que trabaja con el Movimiento Cantonal de Mujeres de Cayambe, en la provincia de Pichincha, en Ecuador o de Yunuen Torres, del Consejo de Jóvenes de Cherán, estado de Michoacán, México. Ellas dos iniciaron las provocaciones para reconocer cómo las “mujeres luchamos y re-existimos desde todos y por todos los territorios: nuestros cuerpos, la tierra y la Madre Tierra”, como iniciaba la convocatoria al encuentro virtual, disponible en <https://pueblosencamino.org/?p=6299> y enfrentaron esas preguntas fuertes desde sus lugares de vida.

Encuentro de mujeres indígenas Kayambi y afroecuatorianas de Imbabura y Carchi – enviada por Adriana Sigcha.

Adriana nos contó sobre el movimiento de mujeres de Cayambe que, al mismo tiempo que construye una experiencia de reconocimiento territorial más amplia del pueblo Kayambi (parte de la nacionalidad Kichwa de la Sierra) frente al estado ecuatoriano, también se propone enfrentar la doble discriminación por ser mujeres e indígenas, el machismo interno y la lucha contra la invasión de la agroindustria de flores en su territorio. Como muchas experiencias en los momentos de retroceso y acoso que se sufren actualmente por todos los lados, se preguntan ¿a dónde queremos ir? Y la respuesta es tan fácil como difícil, “queremos trabajar por nuestra vida y estar juntas, pero no sabemos bien para dónde tomar”. Preguntas compartidas para caminar juntas las respuestas y las veredas.

Yunuen nos llevó de la mano de sus palabras hasta Cherán, con la comunidad purépecha que frente a las talas ilegales del bosque alrededor de 2007 y 2008 deciden dar un paso y defender la vida de la comunidad. Así que el 15 de abril del 2011, un grupo de mujeres, hartas de extorsiones, secuestros, amenazas y desapariciones forzados, comienzan un auto-sitio en la comunidad para impedir el paso de “los malos” que cortaban el bosque y habían traído el miedo y la violencia. Compartiendo el fuego, la parangua, en las barricadas, la comunidad se junta, cierra los caminos y comienza a pensar otras formas de auto-organizarse, recordando las formas comunitarias de siempre. Y pasito a pasito, plática a plática, decidieron correr a la policía y a los partidos políticos y decidieron que “por la seguridad, justicia y reconstitución de nuestro territorio” podían hacerse cargo del cuidado de la comunidad: de la tranquilidad para vivir, de sus bosques de siempre y de decidir en asambleas, sin representantes partidarios que no los representaban. Las mujeres dando un paso por la comunidad y la comunidad se reconociendo juntos alrededor del fuego.

 
Mural en Cherán K’eri (Cherán grande) – Isabel Redies

Adriana y Yunuen no fueron las únicas, también Vilma y Constanza nos abrieron una ventana sobre el Norte del Cauca en Colombia, y Lucy sobre las mapuches que viven en suelo hoy chileno, y Priscila sobre las mujeres del Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) en el estado del Paraná, Brasil. Durante casi tres horas de rodar la palabra como alrededor de una hoguera, fuimos (re)conociéndonos en nuestras dudas: ¿cómo nos relacionamos con un Estado tan patriarcal como piradimal que a veces necesitamos y muchas otras apenas nos atropella o nos secuestra en su institucionalidad vacía? ¿Cómo enfrentamos las contradicciones internas que nos ponen frente al espejo de repetir los machismos y las jerarquías que condenamos? ¿qué nos mueve y nos articula con otras luchas que en el fondo son las mismas? Y juntxs fuimos reconociendo que no es lo mismo relacionarse con el Estado individualmente que hacerlo de manera colectiva, que recuperar usos y costumbres comunitarias nos permite levantar la cabeza y caminar de otras formas. Que el cuidado con la tierra y los alimentos que producimos (agroecología) y el cuidado con nosotros mismos (prácticas tradicionales de cura) son fundamentales para sentirnos territorio. Que pensar el papel de las mujeres, los jóvenes, las tecnologías de la información, la comunicación popular y muchos otros nuevos desafíos no dejan que la curiosidad se seque, no permiten que esconder y evitar abordar las contradicciones nos vuelvan lo que no queremos ser.

Hablar de las luchas por el territorio desde la voz y la experiencia de las mujeres nos dejó con la certeza de que la vida es lo que arraiga las luchas a los territorios… y que las dudas que van apareciendo se vuelvan curiosidad para continuar luchando.

Colectivo Encuentros Virtuales del Grupo de Trabajo de Clacso “Territorialidades en Disputa y R-existencias en América Latina”

Pd: Todo el intercambio ha sido transcrito y está en el proceso de revisión por parte de quienes participamos y de edición final. Pronto estaremos publicándolo y difundiéndolo, incluyendo los audios porque esta palabra tejida no nos pertenece. Es invitación, evocación y búsqueda.

NENHUMA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!

Frente aos crescentes casos de denúncias sobre abusos e agressões machistas, nós do Coletivo Enconttra repudiamos a violência contra a mulher em todas as suas configurações. Rejeitamos qualquer forma de coação que vulnere a dignidade das mulheres e suas escolhas.

Falamos desde a universidade, espaço onde ainda as relações de gênero são desiguais e contribuem para a reprodução de atos machistas normalizados na sociedade heteropatriarcal em que vivemos.

Convidamos todas as mulheres a expressar sua posição no mundo, seus medos e seus sonhos, sem medo de serem violentadas , desprezadas ou invisibilizadas. Muitas vozes em muitos lugares derrubam a ignorância do machismo!!!

Para mais informações sobre a luta das mulheres e meios de superar as violências machistas, sugerimos alguns materiais:

http://www.mundolibertario.org/archivos/documentos/VVAA_Tijerasparatodasviolenciamachistaenmovimientossociales.pdf

https://aula.fundaciondeloscomunes.net/violencias-machistas-en-los-movimientos-sociales

http://sites.usp.br/uspmulheres/wp-content/uploads/sites/145/2017/05/cartilha-violencia-de-genero-na-universidade-para-ler-no-computador.pdf

https://www.traficantes.net/sites/default/files/pdfs/Nociones%20comunes-TdS.pdf

Forjado en el diálogo: hacia una investigación activista críticamente comprometida.

Impressões e discussões sobre textos de referência para as práticas enconttreiras. Leitura realizada no dia 13 de agosto de 2018.

Gustavo Steinmetz Soares

Curitiba, 24 de agosto de 2018

Buenas, esse post é uma primeira tentativa de tentar compartilhar a discussão que o coletivo realiza todas, ou quase todas, as segundas-feiras. A princípio nos reunimos na sala do coletivo localizada no terceiro andar do prédio Bigarella, no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná, já faz quase duas semanas desde a leitura do texto desse post então, salvem alguma irregularidade. 🙂

É da autora Shannon Speed, Antropóloga e estudiosa dos Nativos Americanos, é professora associada na University of California e trabalhou durante duas décadas no México, em parte com comunidades indígenas.

Faz parte do capítulo 26 do Tomo II do livro Conocimientos y Práticas Políticas: Reflexiones desde Nuestras Práticas de Conocimiento Situado, que trás nos seus trêd tomos discussões conceituais e experiências práticas realizadas nos últimos anos que tem como base pensamentos e metodologias horizontas, feministas, decoloniais e/ou pós-coloniais.

Es un libro de nuestro tiempo, en lo que nuestro tiempo ofrece de más genuina esperanza a los pueblos oprimidos, de más articulada visión de los retos de la liberación, de más consistente diseño de los caminos sentipensantes de la lucha. En resumen, es un libro de nuestro tiempo en lo que éste tiene de tiempo emergente. (Boa Ventura de Souza Santos, Prólogo – Tomo I, pág. 6) 

Faz uma discussão existente dentro da Antropologia, o qual pode ser aplicado na Geografia, sobre os limites de uma pesquisa ativista. Qual é a postura que alguém que se propõe a estudar e compreender as dinâmicas e processos existente em comunidades subalternizadas, contextualizadas em conflitos, lutas e reivindicações por direitos, negados por processos hegemônicos?

A Antropologia nos Estados Unidos passou por uma crise de representação frente às lutas descolonizadoras, na questão da relação entre investigadores e sujeitos. Até certo momento assumia uma perspectiva de objetividade científica (“sem envolbimento com a causa”), mas a crise questionou isso e mostrou uma nova postura, ativa e politicamente engajada, que a autora chama de “investigación activista”

Por investigación activista me refiero a un compromiso franco para involucrarnos con nuestros sujetos de estudio de manera que compartamos metas políticas. (página 276)

É uma discussão que surge do confronto entre duas abordagens, uma que se propõe mais científica, mais literária, e outra mais aplicada, com projetos co-participativos. É parecida, guardada as especifidades, o confronto que a Educação Popular faz com a Educação Convencional, podemos chamar de investigação-ação participativa. A autora fala que não há uma necessariamente uma separação a investigação tem que ser ativista mas criticamente comprometida, ou seja, termos o engajamento político mas com uma postura crítica em relação ao próprio trabalho.

Al renunciar a la colaboración, se pierde ese diálogo, potencialmente complicado, pero también potencialmente fructífero, que deja así de alimentar el análisis. (página 276)

A autora traz como exemplo o trabalho que fez com uma comunidade indígena chamada Nicolas Ruiz, no processo de reconhimento como tal frente a OIT. Localizada em Chiapas, no México, num contexto de conflitos por terra. A comunidade havia perdia o costume da língua, um dos principais elementos de identificação indígena no México, 90% das terras é coletiva, as decisões da comunidade eram feitas em assembléias onde o consenso era a base do sistema de governo. A comunidade se assossiava a partidos políticos diferentes de acordo com o contexto, o que gerou alguns conflitos internos (incentivados pelo governo), se declarando em um momento como comunidade indígena e outro como camponesa, com base zapatista.

En concreto, nosotros, y yo en lo personal, teníamos un vínculo particular con la comunidad y el conflicto basado en múltiples factores sobrepuestos: políticos, personales y organizativos. (página 281)

Como antropóloga ativista a autora possuia motivaçõers compartilhadas com a comunidade, mas percebia que ocupava um lugar de fala de especialista o que procava uma desigualdade de poder. Por isso questiona a autoridade do especialista e assume o compromisso de retorno para a comunidade. Mas mesmo assumindo essa postura a autora coloca que em determinado momento estava presa a alguns preconceitos da academia, a “fluidez cultural y esencialismo estratégico”, tentando em um primeiro momento encaixar a comunidade sob esses olhares. Porém no diálogo com a comunidade percebeu que estava deixando de notar os efeitos reais de identidade ao focar nas transformações diárias, fluidez, da cultura em Nicolas Ruiz. Assim, nenhuma perspectiva ou conceito que venha da academia pode sobrepôr a autonomia dos sujeitos da comunidade.

Esta descolonización involucra el reconocimiento de que los pueblos indígenas –de que todos los pueblos, de hecho– realizan sus propios análisis de sus procesos sociales, a pesar de que con frecuencia lo hagan desde premisas distintas a las del antropólogo. Para crear relaciones de investigación descolonizadas es indispensable lograr que ese conocimiento dialogue con el conocimiento antropológico. P.285


O texto nos fez perguntar se a investigação ativista seria uma metodologia de pesquisa ou uma postura política, pois muitas vezes em nossos trabalhos nos deparamos com o tópico “Metodologia” no qual temos que ter defini antes de começá-los de fato. Mas pensamos que talvez pensar no método e na metodologia antes não seria preciso, esses vão se definindo na medida que o trabalho avança, na medida que vamos conhecendo outros trabalhos e autorxs. Podemos pensar em:

  • procedimentos metodológicos: técnias de pesquisas;
  • método: forma de olhar, corpo teórico, o que dá sentido à metodologia, é algo que se consstrói, não é pronto, vem da sua experiência de vida;
  • metodologia: Ordem na qual ocorre os procedimentos;
  • postura investigativa: Como você se situa na sua pesquisa.

Quando pensamos em metodologias horizontais, que sejam engajadas e participativas nos deparamos com outro dilema que é o: Engajamento participativo X Produtividade acadêmica. Pois o que acontece é que no trabalho junto às comunidades muitas vezes não tem querer, tem demanda, de muita ação e trabalho, para auxiliar nos processos de luta e reivinidicação. Porém muito dos resultados obtidos no dia-a-dia não são aqueles esperados na Universidade, que também têm suas demandas, por isso gerenciar o tempo entre escrever um artigo ou projeto, na qualidade e quantidade que as instituições exigem, e atuar na comunidade se torna complexo, mas não é impossível.

Um aspecto importante do momento atual é que podemos contar mais com publicações, como os livros desse texto, que fundamentem pesquisas ativistas e assim mostrarmos ao mundo da universidade que existem outras pessoas trabalhando e publicando da mesma maneita, além de nos mostrar discussões que estão aliadas a prática, que descolonizam a investigação.

Os tomos I e II podem ser encontrados nos seguintes links: Tomo I e Tomo II.

 

JORNADA DE PESQUISA DA QUESTÃO AGRÁRIA NO PARANÁ: PLANEJAR E REINVENTAR

Reunião do Observatório da Questão Agrária que aconteceu em Francisco Beltrão, contou com a presença professores, estudantes e pesquisadores de sete grupos de pesquisa do Paraná.

Jéssica Lozovei

Curitiba, 25 de junho de 2018

Aconteceu em Francisco Beltrão, nos dias 18 e 19 de junho a 6º Jornada de Pesquisa da Questão Agrária no Paraná. O evento foi realizado parcialmente na UNIOESTE (Campus Francisco Beltrão) e na Assesoar (Associação de Estudos Orientação e Assistência Rural), reunindo pesquisadores e alunos de sete universidades do estado, que compõem o Observatório da Questão Agrária no Paraná.

Durante a mesa de abertura, na segunda-feira, estiveram presentes a geógrafa e militante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragem), Lunéia de Souza e Ricardo Callegari, que é educador popular da Assesoar, A geógrafa falou sobre os impactos das barragens e construção de hidrelétricas na população, e a ausência do poder público na garantia dos direitos dessas pessoas. Callegari, que trabalha com agricultores familiares e questões relacionadas a agroecologia, mostrou o impacto do agronegócio para esses agricultores, e o impacto que isso causa na nossa saúde e meio ambiente.

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Foto: Jéssica Lozovei

 

Durante os dois dias foram discutidos questões metodológicas e essenciais para a criação do livro e material didático que está sendo produzido em conjunto entre os grupos de pesquisa da UFPR, UEPG, UNIOESTE, UEM, UEL E UNILA. Esse material tratará da atualidade da questão agrária, movimentos sociais, gênero e educação do e no campo e está sendo produzido a partir de um projeto em parceria com CNPq/Capes. Há previsão de lançamento para 2020, e estará disponível tanto na versão online quanto impressa.

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Foto: Jéssica Lozovei

 

Para o encerramento do evento, houve a exibição do documentário Arpilleras: Atingidas Por Barragens Bordando a Resistência, dirigido por Adriane Canan e lançado mundialmente em 2017. Há a possibilidade de que o próximo evento do Observatório da Questão Agrária aconteça em Irati (PR), mas ainda com data e demais informações a confirmar

17ª Jornada de Agroecologia: Oficina ‘’Aprendendo a faze algumas caldas fertilizantes, preventivas, protetoras e curativas das culturas. Existe calda milagrosa?’’

‘’O segredo não é correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.’’ Mário Quintana

Nathalie Vieira Lucion
Curitiba, 11 de junho de 2018

Produzir agroecologicamente é produzir e reproduzir vida. Vida, não apenas se referindo aos alimentos produzidos, mas a vida como um todo, incluindo-se toda a biodiversidade: solo, animais e o ser humano em pleno contato. A oficina ministrada por Julio Carlos B. Veiga Silva, engenheiro agrônomo especialista em agroecologia, enriqueceu o conhecimento sobre práticas agrícolas que não utilizam nenhum tipo de agrotóxico ou químico, de forma a produzir alimentos orgânicos de qualidade e saudáveis. As caldas, presentes no título da oficina, não são as chaves principais para o sucesso de uma boa horta: tudo se inicia com o ambiente e as condições para cada cultura.

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Foto: Nathalie Lucion

As chamadas ‘’pragas’’, segundo Julio, podem se manifestar em larga escala se o ambiente se encontra em desequilíbrio, com solo degradado, com a ‘’terra viciada’’ em produtos químicos, etc. Para restabelecer este equilíbrio, é preciso aliar-se aos animais e a vegetação nativa ali presente. Julio deu umas dicas para evitar pragas, baseado em práticas agroecológicas. Uma delas é manter a vegetação natural do local, os populares ‘’matinhos’’. Nestes matinhos estão presentes os chamados ‘’amigos naturais’’. Os ‘’amigos naturais’’ são na verdade os inimigos naturais das pragas, como insetos e outros animais. Foi substituído o termo para amigo, pois estes ajudam a manter pragas longe das plantas, portanto, estes animais nos auxiliam. Por exemplo, um amigo natural é a joaninha, que se alimenta de pulgões, que prejudicam a planta. Um pássaro também é um amigo natural, pois se alimenta de lagartas que estragam a planta. É respeitando a natureza e mantendo seus aspectos mais naturais que se faz uma agricultura mais ecológica e saudável respeitando a biodiversidade, a qual o ser humano faz parte de forma igualitária aos outros seres.

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Foto: Nathalie Lucion

Utilizadas para fertilizar, curar ou até evitar insetos que podem danificar a planta, as caldas são feitas em sua grande parte com o que se possuí em casa. A apostila entregue por Júlio com o título de ‘’Defensivos Alternativos: Recomendações práticas para a transição agroecológica’’, produzida pela EMATER, possuí várias receitas que não degradam o ambiente em geral e o solo.  Julio ensinou ainda a fazer fertilizantes com estrume e outro com serapilheira. Entretanto, Julio alertou que a calda não é milagrosa, respondendo a pergunta do título da oficina. A calda deve ser utilizada com cuidado e eventualmente, em pequenas doses, pois a calda em excesso pode comprometer a cultura e deve ser utilizada em último caso. Antes da calda, é preciso equilibrar o ambiente, e isso pode ser feito através destas práticas agroecológicas.

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Fertilizante feito a partir de Serrapilheira.                                                            Foto: Nathalie Lucion

Abertura e reflexões da 17ª Jornada de Agroecologia do Paraná

“Nós não sabemos para onde vamos, só sei que vamos ao encontro de um tempo com muitas perguntas e poucas respostas, muitos problemas e sem soluções. E então como alternativa a isso, demo-nos as mãos, ajudemo-nos uns aos outros pra salvar a terra, caso contrário vamos engrossar o cortejo da nossa própria autocondenação”.

Jéssica Lozovei e Carla Pietrovski
Curitiba, 07 de junho de 2018

Ontem teve início a 17ª Jornada de Agroecologia do Paraná, que está acontecendo entre os dias 6 e 9 de junho no centro de Curitiba. A abertura do evento aconteceu no Teatro Guaíra e contou com mais de 1.500 pessoas, tanto de assentamentos e acampamentos de movimentos de luta pela terra, quanto do público em geral. O evento contará com oficinas, seminários, shows e apresentações culturais, o túnel do tempo, que está instalado na Reitoria da UFPR e é aberto ao público, e a feira da Culinária da Terra, que está localizada na praça Santos Andrade, com diversos produtos agroecológicos e artesanais.

Jornada Agroecologia 2018- DIA 6 155

Foto: Nathalie Lucion

Durante a abertura estiveram presentes o promotor do Ministério Público do Paraná Olympio de Sá Sotto Maior, Márcio Miranda (diretor do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia), Roberto Baggio (coordenador geral da Jornada de Agroecologia), Maria Rita (representando a reitoria da UFPR) e a promotora do Ministério Público do Trabalho Margarete Matos. Esta fez uma fala marcante sobre a importância da existência de mídias contra hegemônicas para retratar a verdade sobre as ações e práticas do MST, sem criminalizar o movimento. Além disso, a necessidade de se confrontar com as grandes empresas detentoras das sementes que consumimos hoje, e sobre a valorização do trabalho das agricultoras e agricultores que produzem alimentos agroecológicos, com suor e mãos calejadas.

O retorno do movimento a capital paranaense também marca os 33 anos após o 1º Congresso Nacional do MST, onde houve a sua consolidação como movimento nacional, e se unindo a este momento estiveram presentes o pesquisador e teólogo Leonardo Boff e a atriz Letícia Sabatella, que cantou em conjunto com a Trupe dos Encantados.

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Foto: Nathalie Lucion

Boff falou o quanto a humanidade caminha rumo a autodestruição. Citou a produção em massa de armas químicas, biológicas e nucleares, com diferentes intensidades de impacto sobre nós, além da extinção da fauna e flora que segue num ritmo desenfreado de cerca de 70 a 100 mil espécies por ano. O teólogo afirmou que vivemos em tempos de barbárie, em que não olhamos para os nossos semelhantes, e acima de tudo, os direitos a terra, teto e trabalho deveriam ser garantidos a todas e todos.

Jornada Agroecologia 2018- DIA 6 232

Foto: Nathalie Lucion

O pesquisador transmitiu a importância que devemos dar para a terra e tratá-la como mãe terra, sendo parte de nós.  E encerrou sua fala com a frase: “Irmãos e irmãs, sigamos cantando! E que os problemas e dificuldades da mãe terra não nos tirem a alegria e esperança”

Confira a 17ª Jornada de Agroecologia, de 06 a 09 de junho em Curitiba

Amanhã (06/09) começa a 17ª Jornada de Agroecologia que estará acontecendo em Curitiba até o dia 09 de junho, na praça Santos Andrade e na Reitoria da UFPR.
Trata-se de um evento que mostra a diversidade camponesa na produção agroecológica: com feira, comidas (“culinária da terra”), debates (seminários sobre políticas públicas, agrotóxicos, educação do campo, cultura e comunicação, soberania alimentar e o papel das mulheres, etc.), oficinas práticas e uma programação cultural muito diversa, cuidada e arraigada.
Aqui o site da Jornada para mais informações
http://www.jornadaagroecologia.com.br/
A Jornada de Agroecologia está pela primeira vez em Curitiba para mostrar que se pode comer, pensar e fazer diferente. Venham junto!!! Tem espaço para todxs!!!

Raízes: 3º encontro de raizeiros, parteiras, benzedeiras e pajés na Chapada dos Veadeiros

Encontro reúne cerca de 2 mil pessoas no cerrado para troca de saberes populares

Adriane de Andrade
Curitiba, 02 de junho de 2018

Entre os dias 24 a 27 de maio de 2018 aconteceu a 3ª edição do encontro Raízes III: Grande Encontro de Raizeiros, Parteiras, Benzedeiras e Pajés na Chapada dos Veadeiros. O evento contou com várias atividades e oficinas nas cidades de Alto Paraíso e Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros em Goiás, contando com mais de 2.000 pessoas de diversas cidades do Brasil e 80 mestres e mestras da cultura tradicional.

Desde sua primeira edição e evento é gratuito e aberto a todos e todas interessados em saber um pouco mais sobre as diversas formas de curas realizados pelos povos e comunidades tradicionais, maiores detentores dos saberes sobre plantas medicinais.  A iniciativa visa fomentar estudos e políticas públicas na área da saúde, sobretudo no ramo da Fi­toterapia, além de contribuir para a preservação do Bioma Cerrado, por meio de atividades vincula­das à pesquisa em etnobotânica e à educação ambiental. Na sua 3ª edição o evento visou proporcionar a troca de saberes entre os participantes e para isso reuniu várias vozes da sabedoria tradicional como raizeiros, kalungas, parteiras e parteiros, benzedores e benzedeiras, rezadeiras, pajés, além de pessoas da comunidade e turistas de diversas localidades. Estiveram presentes raizeiros da região como Dona Flor do Moinho, Seu Dedé de São Jorge, Tom das Ervas, Dona Luzia, Dona Domingas, além de convidados como Dona Maria Luzia da cidade de Goiás (“Goiás Velho”), Seu João de Sanclerlândia (GO) e Dona Rosalina (Benzedeira da Cidade de Irati).

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Foto: Adriane de Andrade

A programação contou com rodas de conversa, oficinas de remédios com raízes e folhas do cerrado, momentos para bendições, rodas de cura, exposição fotográfica e exibição de documentários. O evento contou também com palestras, como a “Raizeiros, Parteiras, benzedeiras e Pajés no âmbito do SUS”, com a participação de médicos com o objetivo de trabalhar questões relacionadas a saúde e os saberes populares de cura, e também “Políticas públicas e atendimento ao parto por parteiras tradicionais”, dando visibilidade para o atendimento das parteiras perante as políticas públicas.

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Foto: Adriane de Andrade

Além das atividades de formação, também aconteceu durante o evento a feira com os produtos naturais produzidos pelos mestres raizeiros, com sementes, remédios caseiros, garrafadas, mudas, comidas, artesanato entre outras coisas.

Nos dias 25 e 26 de maio foram realizadas as saídas de campo buscando a identificação das plantas medicinais existentes na região, e explicações sobre seus usos com acompanhamento dos raizeiros. As saídas de campo foram realizadas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros na Vila de São Jorge e na Fazenda Volta da Serra em Alto Paraiso. Após a caminhada foi realizada nas corredeiras do rio de ambos locais o momento de bendição pelas benzedeiras presentes.

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Foto: Adriane de Andrade

Desde o primeiro encontro o evento consegue juntar mestres tradicionais, curiosos, profissionais e pesquisadores. Estes momentos proporcionados, possibilitam grande interação com a missão de resgatar a cultura ainda não conhecida ou esquecida dos grandes centros, levando os jovens a valorizar essas práticas, que, sem dúvida, são a alternativa para a saúde dos homens, das mulheres e do planeta. E se tudo correr como o planejado, o próximo encontro será em maio de 2019.

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